Presidenciais: PSD acusa Chega de contradição ao querer apoio de Montenegro

Secretário-geral do PSD Hugo Soares, em noite de legislativas, 18 Maio, Lisboa. MIGUEL A. LOPES/LUSA

O líder parlamentar do PSD acusou neste dia 21 o Chega de contradição por querer o apoio do primeiro-ministro ao candidato presidencial André Ventura, depois de ter criticado a sua presença na campanha de Marques Mendes.

Depois de o tema da campanha presidencial ter entrado no debate quinzenal no parlamento na primeira intervenção do Chega, Hugo Soares quis comentar as perguntas de Pedro Pinto, que desafiou Luís Montenegro a dizer se iria apoiar António José Seguro ou André Ventura, dizendo que “não podia ficar em cima do muro”.

Em tom irónico, Hugo Soares citou frases ditas pelo candidato apoiado pelo Chega na primeira volta, quando acusou Montenegro de querer ser “o salva-bóias” de Luís Marques Mendes, candidato apoiado por PSD e CDS-PP, afirmando que chegou a criticar a entrada na campanha do líder do PSD e a dizer “que se lixe Montenegro”.

“É isso que André Ventura disse ao país sobre o primeiro-ministro e agora vêm pedir ao primeiro-ministro para apoiar a candidatura do dr. André Ventura?”, questionou, recebendo muitas palmas da sua bancada.

Para Hugo Soares, ou Pedro Pinto não concertou posições com André Ventura ou o Chega “fez um ‘flic flac’ à retaguarda”. “Já não há medo que Montenegro entre na campanha, afinal até dava jeito apoio do primeiro-ministro”, criticou.

O líder parlamentar do PSD acusou ainda o Chega de ter apresentado “zero projetos” de revisão da lei eleitoral, depois de Pedro Pinto ter apontado dificuldades na votação dos emigrantes portugueses nas presidenciais de domingo.

“Em matéria de lei eleitoral a competência é reserva absoluta deste parlamento. Enquanto o grupo parlamentar do PSD nas últimas duas legislaturas apresentou projetos para o voto por correspondência, para o projeto piloto para o voto eletrónico, sabe quantos projetos apresentaram? Eu vou lhe dizer, zero. Essa é a matéria em que deve responder ao portugueses que estão na diáspora”, disse.

No final da intervenção, o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, pediu a palavra para que fossem distribuídos dois projetos apresentados pela sua bancada: “um que recomenda ao Governo que firme os acordos necessários à instalação de mesas de voto na diáspora” e outro a pedir “reforço urgente da informação eleitoral dirigida aos cidadãos portugueses” no estrangeiro.

Chega

Nesta quarta, o Chega desafiou o primeiro-ministro a dizer quem apoia na segunda volta das eleições presidenciais, se vai “ficar do lado de quem combate o socialismo”, com Luís Montenegro a pedir que não se confundam estas eleições com legislativas.

No debate quinzenal desta tarde, na Assembleia da República, Pedro Pinto assinalou que Luís Montenegro é também líder do PSD e perguntou-lhe se “vai estar ao lado do socialismo ou ao lado de quem combate o socialismo”, referindo-se, ao candidato António José Seguro, apoiado pelo PS.

“Não podemos ficar em cima do muro”, salientou, assinalando que PSD e Chega têm “feito pontes, como na baixa de impostos, na lei da nacionalidade, no combate à imigração ilegal”, e António José Seguro “é apoiado pelo PCP, pelo BE e pelo Livre”. 

O líder parlamentar do Chega considerou que a direita tem “uma oportunidade única de derrotar o socialismo em Portugal”. 

Na sua intervenção no arranque do debate, o líder parlamentar do Chega desafiou ainda o primeiro-ministro para a resolução de alguns constrangimentos com o voto dos emigrantes, tendo Montenegro concordado que a Assembleia da República pode desencadear “um processo de reflexão e decisão dos instrumentos legais que possam consagrar um regime para possibilitar um incremento de participação” dos eleitores no estrangeiro.

E assinalou que, “naquilo que compete ao Governo, foi feito um esforço máximo do ponto de vista dos recursos consulares, dos recursos da administração pública, para que fosse viabilizado e facilitado o voto dos emigrantes”. 

Já a deputada única do PAN desafiou o primeiro-ministro a deixar “a capa neutralidade” em matéria de eleições presidenciais, com Montenegro a considerar que, neste debate quinzenal, foi acusado de “uma coisa e o seu contrário”.

“Quando estamos a falar em escolher um candidato que neste momento representa os três Salazares, a política do populismo e da degradação das instituições e um candidato que efetivamente até pode garantir uma estabilidade democrática, o respeito pelas instituições e até mesmo a própria estabilidade governativa, eu não vejo bem onde é que está a dúvida”, desafiou Inês Sousa Real.

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