Presidenciais: 250 figuras “não-socialistas” lançam carta aberta de apoio a Seguro

António José Seguro discursa perante apoiantes durante o encerramento da campanha em Lisboa, 16 de janeiro de 2026. JOSÉ COELHO/LUSA

Mais de duas centenas de figuras da área política “não-socialista” lançaram hoje uma carta aberta de apoio a António José Seguro, elogiando-o pela moderação e sublinhando que André Ventura não os representa.

Numa carta intitulada “Não-socialistas por Seguro”, 250 personalidades lembram que, apesar de também haver uma segunda volta, as eleições deste ano “não podiam ser mais diferentes” das de 1986, uma vez que não estão frente a frente um candidato de centro-esquerda e outro de centro-direita, mas sim um nome de centro-direita e outro das “direitas radicais”.

Entre os signatários constam nomes como o do advogado Adolfo Mesquita Nunes, os antigos ministros António Capucho, Miguel Poiares Maduro e Arlindo Cunha, a antiga vereadora da Câmara de Lisboa Filipa Roseta, o historiador José Pacheco Pereira, a futebolista Francisca Nazareth, o humorista José Diogo Quintela, os escritores Miguel Esteves Cardoso, Henrique Raposo, Pedro Mexia, Afonso Reis Cabral, Rita Ferro e Francisco José Viegas

A carta, que continua a recolher apoios ‘online’ e já conta com mais de 750 assinaturas, rejeita a dicotomia defendida por André Ventura, que vê “este sufrágio como um confronto entre o bloco de esquerdas e o bloco de direitas, que qualificou como o campo ‘não-socialista’”.

“Pertencendo todos os signatários ao campo não-socialista, entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses”, enfatizam.

Os signatários dizem ver em Ventura “propostas e posições inconstitucionais, discriminatórias ou atentatórias da dignidade humana” dando como exemplo a defesa de “confinamentos étnicos, sanções penais degradantes, a hipótese do regresso à pena de morte”, a “estigmatização de comunidades migrantes, um securitarismo de razia” e “alinhamento com autocratas e governos autoritários”.

“Por estas e outras razões, André Ventura não apresenta condições objectivas nem subjectivas para exercer o mais alto cargo do Estado”, argumentam.

Em contrapartida, acrescenta o grupo, António José Seguro, “desde sempre ligado ao espaço socialista, evitou na campanha o facciosismo ou a ofensa, e tem um percurso político de moderação, honestidade e dignidade”.

“Assim sendo, os signatários, ainda que não-socialistas, votam e apelam ao voto em António José Seguro. Temos decerto discordâncias ideológicas, mas sabemos que António José Seguro não atentará contra os valores democráticos e humanistas, nem contra os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos”, frisam os autores da carta.

Autoritarismo

Já o candidato presidencial André Ventura disse hoje que estas eleições não põem em confronto a democracia e o autoritarismo, mas sim “tachistas contra os não tachistas”, argumentando que a sua luta é pelo fim do “sistema de interesses”.

Em declarações na sede distrital do Chega em Santarém, André Ventura reagiu ao apoio anunciado por várias figuras de direita a Seguro afirmando que “todos os dias saem novas pessoas de sítios nunca vistos” para apoiar o nome apoiado pelo PS, porque acreditam estar em causa uma “luta da democracia contra o autoritarismo”.

“Nunca estiveram tão enganados. Isto não é uma luta da democracia contra o autoritarismo. Isto é uma luta dos tachistas contra os não tachistas. Nós queremos acabar com os tachos neste país, eles querem manter os tachos todos neste país. É por isso que estão juntos contra nós”, atirou, acrescentando que provavelmente nem Seguro se sente confortável com alguns dos nomes que o apoiam.

O também líder do Chega salientou que “todos os mandatários das outras candidaturas” apelam ao voto em Seguro, mas não pelos seus méritos, mas sim para travar a sua eleição como chefe de Estado.

“Nós não temos um candidato a Presidente da República a disputar comigo estas eleições pelo seu valor, pelo seu entusiasmo, pelas propostas que tem para Portugal, porque ninguém sabe quais são. Nós temos é um país a levantar-se contra alguém que quer pôr em causa o sistema de interesses nacional”, considerou.

Para Ventura, independentemente do resultado que seja conseguido no dia 08 de fevereiro, este posicionamento contra si “já é uma vitória”, uma vez que conseguiu unir “tudo o que é sistema de interesses, tachos, amigos da corrupção e ‘partners’ do sistema”.

“Podemos partir desta eleição com uma certeza. Seremos nós contra eles até os derrubarmos e até vencermos o sistema de interesses”, atirou.

António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, depois de, no domingo, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, obtido 23%.

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