Conselho das Comunidades Portuguesas diz que a situação atual só é comparável ao aumento da emigração registrado na década de 1960.
Da Redação Com Portugal Digital
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A crise que atinge Portugal nos últimos anos está a "empurrar" um número cada vez maior de portugueses para a emigração. A nova onda de emigração, no entanto, não está contabilizada, pois a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas diz não ter dados e o Instituto Nacional de Estatística (INE) não faz levantamentos desde 2003. Embora os organismos oficiais portugueses afirmem que não têm números precisos sobre a emigração de portugueses, o presidente da Comissão Especializada de Fluxos Migratórios do Conselho das Comunidades Portuguesas, Manuel Beja, em declarações à rádio TSF, disse na terça-feira, 2 de fevereiro, que a situação atual só é comparável ao aumento da emigração registrado na década de 1960. Segundo o Conselho das Comunidades, são sobretudo jovens quadros técnicos que têm vindo a abandonar Portugal. "O fenômeno dos quadros, com a intensidade com que se está a desenvolver, é algo único nesta fase de saída de portugueses para a emigração. Há muitas organizações não-governamentais que indicam que Portugal nunca traçou uma fase de tão elevado número de saídas. Esta fase é em tudo semelhante aos finais da década de 1960, a época da chamada "mala de cartão". São desempregados que têm esperança de encontrar um posto de trabalho noutros países, sendo muitos deles quadros técnicos e científicos", disse Manuel Beja à TSF. "Temos experiências obtidas junto de emigrações sobretudo no norte de África, como no Dubai, na Argélia, novos destinos de emigração. Em Angola, por exemplo, há 100 mil novos emigrantes que foram para lá trabalhar. Há um aumento das saídas do país, muito provocado pelo desemprego, o que quer dizer que algo vai mal", comentou. Opinião idêntica foi transmitida à estação de rádio portuguesa pelo diretor da Obra Católica das Migrações, Francisco Sales. "A realidade é que estes (portugueses) que saem não são contabilizados. Se não houvesse a emigração, se os portugueses não saíssem, a taxa de desemprego seria uma coisa astronômica", disse Francisco Sales. A TSF informou que tentou obter números exatos sobre os valores da emigração nos últimos anos, mas a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas disse que não dispõe dessas informações e o Instituto Nacional de Estatística deixou de cuidar desse levantamento desde 2003.
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