MNE acusa PS e BE de defenderem na oposição o que não fizeram no Governo

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, intervém no debate "Desafios da Europa", na conferência "Europa, que futuro?", da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), iniciativa inserida no ciclo "Conferências da Sociedade Civil RTP 2", no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, 09 de maio de 2024. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Nesta terça-feira,  o ministro dos Negócios Estrangeiros acusou o PS e o BE de populismo por defenderem hoje para Gaza o que não fizeram quando lideravam o Governo ou o influenciavam, defendendo a atuação do atual executivo PSD/CDS-PP.

“Ninguém fez pela causa dos dois Estados o que fez este governo, até hoje”, afirmou o número dois do Governo, Paulo Rangel, na Universidade de Verão do PSD, uma iniciativa de formação de jovens quadros, num painel intitulado “Um Mundo com mais radicalismos?”.

Pelo contrário, disse, “pessoas que se afirmam os grandes defensores, tiveram oito anos para fazer o reconhecimento da Palestina e não fizeram”, numa referência aos executivos do PS liderados por António Costa.

“O Bloco de Esquerda que vai nesta causa humanitária – louvável, com certeza -, estas pessoas tiveram influência seis anos sobre o governo socialista. Influência determinante. E elas fizeram alguma coisa? O que é que elas fizeram? É que é fácil falar quando está fora. Mas, quando se está no governo, essas pessoas não o fazem”, criticou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua vai integrar a Flotilha Humanitária que partirá esta semana para Gaza, visando entregar ajuda à população e romper o cerco israelita.

Para Paulo Rangel, as posições do PS e do BE nesta matéria podem até ser classificadas de populistas.

“O populismo é quando eu estou no governo, ou quando eu posso enfrentar o governo, não fui capaz de fazer nada, mas depois assim que vou para a oposição já faço coisas mirabolantes e sou o maior campeão e a campeã de tudo”, disse.

O número dois do Governo reiterou que foi este executivo que revogou a licença para a exportação de armas para Israel, em abril de 2024.

“Curiosamente, pessoas que me criticaram já, por ainda não se ter feito o reconhecimento [do Estado da Palestina], a mim e ao governo, eram as pessoas que tinham lá essa autorização válida”, disse, considerando que têm sido feitas críticas “profundamente injustas” ao executivo PSD/CDS-PP, bem como a si próprio e ao primeiro-ministro.

No mesmo painel, o antigo ministro socialista Nuno Severiano Teixeira, atual presidente da direção do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), da Universidade Nova, disse ser “altamente favorável” a que Portugal reconheça o Estado da Palestina.

A este propósito, Rangel reiterou aquela que tem sido a posição do Governo, de que este reconhecimento “tem que ter alguma consequência útil”, recordando que Portugal está a trabalhar com outros países com pensamento semelhante, como Grécia, Dinamarca, Bélgica, Holanda, Luxemburgo ou França.

“Eu tive seis encontros oficiais com o primeiro-ministro da Palestina. Nunca tive uma crítica do primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana ao governo português, pelo contrário”, salientou.

Também neste ponto, o ministro dos Negócios Estrangeiros lamentou que a comunicação social dê menos eco a quem tem “uma posição moderada” e “está a trabalhar no terreno para melhorar as condições”.

“Estão todos sempre atrás de pessoas que agora vão num barco fazer uma coisa simbólica”, acrescentou.

Extrema – direita

 Rangel classificou hoje como “um ultraje aos bombeiros” um vídeo nas redes sociais protagonizado por André Ventura a apagar um pequeno fogo, e defendeu que “não se pode ter medo de radicais”.

Sem nunca mencionar diretamente o nome do líder do partido Chega, Paulo Rangel fez esta crítica na Universidade de Verão do PSD, uma iniciativa de formação de jovens quadros, num painel intitulado “Um Mundo com mais radicalismos?”.

“Quando nós vemos alguns vídeos que são verdadeiramente quase caricaturas do que é estar ao lado dos bombeiros, dos incêndios, isto é um ultraje aos bombeiros e às pessoas que viveram os incêndios, não é nenhum heroísmo”, acusou.

O antigo eurodeputado considerou que, se tal fosse feito “por um político do PSD ou do PS, seria altamente criticado pelos media”.

“Mas, na panóplia de comentadores, pouca gente critica isto, se fosse um político tradicional estaria absolutamente cilindrado. Temos de ter coragem de levantar a voz e denunciar isto, não se pode ter medo dos radicais, se tivermos medo estamos a fazer aquele jogo que querem que nós façamos”, criticou.

Num painel em que também interveio o antigo ministro socialista Nuno Severiano Teixeira, atual presidente da direção do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), Rangel defendeu – tal como tinha feito na segunda-feira o autarca e dirigente do PSD Carlos Moedas – uma equivalência entre os radicalismos de esquerda e de direita ao longo da história.

“Não há, de facto, uma diferença de qualidade entre um radicalismo de esquerda e um radicalismo de direita”, disse, admitindo que, atualmente, “se agita muito o radicalismo de direita” quer no plano nacional como internacional.

Questionado por vários alunos da Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide (Portalegre), como devem reagir os partidos moderados a este crescimento dos partidos de extrema-direita, Rangel admitiu que têm de ser combatidos “com as armas que eles próprios usam”, nomeadamente nas redes sociais.

“Se há inimigos da liberdade, da democracia, da moderação, dos direitos humanos e da separação de poderes, eles só podem ser combatidos com as armas que eles próprios usam. Não podem ser combatidos com alfaias agrícolas ou com uma espada, como o Dom Afonso Henriques, nas redes sociais”, ironizou.

Por outro lado, defendeu a importância de os partidos de centro-direita e de centro-esquerda “moderados e vivos” serem capazes de manter pontes de diálogo.

“A grande tentação que têm o centro-direita e o centro-esquerda é radicalizar o discurso para rivalizarem com os seus concorrentes ou competidores que são radicais. Isto, do meu ponto de vista, é um erro”, defendeu.

Para Rangel, se um partido “está disposto a jogar as regras do jogo, ele é um adversário, não é um inimigo”.

“E é como um adversário que tem de ser tratado. E com o adversário é como no futebol. Umas vezes ganha-se, outras vezes perde-se (…) Nós temos que ser respeitadores daqueles que, tendo ideias muito diferentes das nossas, respeitam as regras do jogo”

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