Neste 12 fevereiro, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, admitiu que serão precisas várias semanas para reparar o troço da Autoestrada 1 (A1) que desabou após o rompimento do dique nos Casais, em Coimbra.
Durante uma visita ao local, Pinto Luz sublinhou aos jornalistas “a velocidade e a violência das águas”, que descreveu como “uma situação absolutamente anormal”.
A rutura na infraestrutura foi motivada pelo rebentamento do dique e subsequente escavação do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego, devido a um débito excecional de mais de 2.100 metros cúbicos de água por segundo, explicou a BCR – Brisa Concessão Rodoviária.
“Temos hoje 15 camiões com enrocamento para reforçar a quebra que surgiu. Amanhã de manhã, mais camiões vêm reforçar com enrocamento”, disse Pinto Luz, citado pela emissora RTP Notícias.
O recurso a enrocamento, blocos de rocha compactados, “é a única coisa que nós podemos fazer enquanto as águas não descerem”, admitiu o ministro.
Pinto Luz disse também que a fissura, no sentido norte-sul, “pode alastrar” para o outro sentido.
O dirigente acrescentou que, “enquanto as águas não descerem não se pode fazer a intervenção de fundo”.
“Serão seguramente semanas para conseguirmos que esta infraestrutura volte a estar ao serviços dos portugueses”, disse Pinto Luz.
“O compromisso do Governo é de absoluto comprometimento com esta solução. Estamos com todos os meios mobilizados e não sairemos daqui enquanto não conseguimos com todas as equipas colocar outra vez a A1 em funcionamento”, garantiu o ministro.
A Brisa sugeriu hoje aos automobilistas a utilização de alternativas à interrupção da autoestrada no sentido Norte-Sul junto ao nó de Coimbra Sul, ao quilómetro 191, através do corredor A8/A17/A25 ou o IC2.
Num comunicado enviado hoje às redações, a concessionária admitiu que, “não sendo possível, neste momento, estimar o prazo de conclusão das obras de reparação”, está empenhada em “minimizar transtornos” e que “poderão ser usadas como vias alternativas o corredor A8/A17/A25 ou o IC2”.
Dezesseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A décima sexta vítima é um homem de 72 anos que caiu no dia 28 de janeiro quando ia reparar o telhado da casa de uma familiar, no concelho de Pombal, e que morreu na terça-feira, nos Hospitais da Universidade de Coimbra.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
Montemor-o-Velho
O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho considerou hoje que a barragem da Aguieira, que sustenta as águas do Mondego, está numa situação de risco constante, por estar a 99% da sua capacidade de armazenamento.
“É uma situação de risco constante. Com este volume de água, a barragem vai ter de descarregar”, disse José Veríssimo à agência Lusa, na sequência das inundações e cheias que atingem este concelho do distrito de Coimbra, sobretudo após o colapso das margens do Mondego, na quarta-feira.
José Veríssimo disse que a água nos campos do Baixo Mondego continua a subir, embora de forma lenta.
“No canal principal do rio Mondego há algum alívio de pressão, depois do dique ter rebentado na quarta-feira”.
A bacia do Mondego era, às 08:00, a única do continente em situação de risco, com o volume de armazenamento da barragem da Aguieira acima dos 99%, perto do limite de segurança daquela infraestrutura.
Segundo dados do portal InfoÁgua, o volume de armazenamento da Aguieira veio a subir consistentemente desde a manhã de quarta-feira, altura em que estava nos 72%, atingindo o seu valor máximo desde o início das inundações no Baixo Mondego, pelas 08:00 de hoje, com 99,04%, a uma cota de 124,5 metros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.




