Mundo Lusíada
Com Lusa

No encerramento do debate do Programa do XX Governo Constitucional, na Assembleia da República, Passos Coelho recordou que o secretário-geral do PS, António Costa, prometeu que só inviabilizaria um executivo PSD/CDS-PP se conseguisse formar uma “maioria alternativa” que fosse “estável, duradoura e consistente”.
“Ainda não apresentou, até este momento, essa maioria. E foi penoso ouvir o secretário-geral do PS explicar ao país, ao fim de tantas semanas depois das eleições, que a plataforma de que dispõe para derrubar este Governo nem sequer salva ou garante o Governo que aí vem de uma maioria que o derrote neste parlamento, porque nem sequer um acordo tem garantido que inviabilize a rejeição do seu Governo no futuro”, acrescentou.
O secretário-geral do PS criticou o “revanchismo” da coligação PSD/CDS e assumiu que o novo quadro político, com a formação de um Governo alternativo, será particularmente “exigente” para os socialistas e restante esquerda parlamentar. “Nós não somos, como a coligação PSD/CDS já demonstrou ser, incapazes de construir uma solução de maioria, mas não somos mesmo uma oposição como o PSD e o CDS já anunciaram ir ser, animada pelo revanchismo e focada na obstrução”, afirmou António Costa, intervenção que recebeu palmas de todas as bancadas da esquerda parlamentar.
“Dissemos e repetimos que ninguém contasse com o PS para apoiar a continuação das políticas da coligação PSD/CDS. Palavra dada tem de ser palavra honrada e esta é a primeira razão para apresentarmos e votarmos uma moção de rejeição deste programa de Governo”, sustentou o líder socialista.
Em linhas gerais, António Costa defendeu que um Governo do PS, suportado por PCP, Bloco de Esquerda e “Os Verdes”, – apesar das diferenças ideológicas entre os partidos que o apoiam – oferece condições de estabilidade em torno de um caminho comum e que esse executivo alternativo cumprirá os compromissos internacionais de Portugal.
Neste ponto, em concreto, porém, António Costa deixou um recado claro: “Este novo quadro político é também particularmente exigente e responsabilizante para o PS e todas as outras forças políticas, que, opondo-se à coligação PSD/CDS, têm de assumir o ónus que o PSD se revelou incapaz de satisfazer”, disse.
“Pela parte do PS sabemos que não ganhamos as eleições, mas sabemos também que não temos o direito de nos furtar à responsabilidade de procurar assegurar a Portugal a estabilidade que Portugal precisa, nem de trair a vontade de mudança daqueles que em nós votaram”, sustentou.
O deputado do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), José Luís Ferreira, afirmou ainda, no encerramento do debate, que a única novidade do documento do programa do XX Governo Constitucional é o descaramento.
Começando por afirmar que “o programa de Governo PSD/CDS é marcado essencialmente pela continuidade disfarçada do ‘agora é que vai ser'”, o deputado do PEV considerou que “o que o PSD e o CDS agora prometem é combater os resultados das políticas que impuseram ao longo dos últimos quatro anos, olhando para os cinco objetivos fundamentais sobre os quais assenta o programa de Governo, a novidade é apenas o descaramento”.
Para sustentar esta acusação, o deputado ecologista referiu, perante os restantes deputados, o convite [de PSD/CDS-PP] à emigração dos jovens que é agora contraposto com a vontade de combater o ‘inverno demográfico’, a pobreza, a “destruição do Estado social”, o aumento do desemprego e a diminuição do poder de compra dos portugueses.
O debate no parlamento durou dois dias, iniciado na segunda e estendido para esta terça, e que contou com manifestações na Assembleia da República durante a votação.




