Em Leiria, Nuno Melo foi hoje reeleito presidente do CDS-PP, com a sua comissão política nacional a obter 89,7% dos votos dos delegados ao 31.º congresso do partido.
De acordo com informação disponibilizada à Lusa pela comissão organizadora do Congresso, a lista para a comissão Política nacional obteve 525 votos favoráveis, 41 brancos e 19 nulos, de um total de 585 delegados votantes.
Os novos membros foram eleitos por 89,7% dos votos, com 7% de votos brancos e 3,2% de votos nulos.
Os resultados foram conhecidos pelas 14:00 na hora local, depois de os delegados terem votado para eleger os novos órgãos durante a manhã.
No último congresso que decorreu em Viseu, em 2024, a comissão política de Nuno Melo tinha obtido 89,3% dos votos dos delegados.
Os resultados foram depois anunciados pelo presidente da Mesa do Congresso na sessão de encerramento da reunião magna, que arrancou pelas 13:35, com cerca de uma hora de atraso face ao que estava previsto no programa, e termina hoje em Alcobaça.
Os novos eleitos subiram ao palco para tomar posse.
A lista de conselheiros nacionais, que é liderada pelo antigo líder parlamentar do CDS Nuno Magalhães, teve 529 votos favoráveis (90,4% dos votos), 39 votos brancos (6,7%) e 17 votos nulos (2,9%).
A mesa do conselho nacional teve 536 votos favoráveis (91,6%), 36 brancos e 13 nulos.
A mesa do congresso, que continuará a ser presidida por José Manuel Rodrigues, que é também líder do CDS/Madeira, foi eleita com 540 favoráveis, 33 brancos e 12 nulos.
O conselho nacional de jurisdição contou com 542 votos favoráveis, 32 brancos e 11 nulos, enquanto o conselho nacional de fiscalização foi eleito com 536 votos favoráveis, 34 brancos e 15 nulos.
Constituição
O presidente do CDS-PP anunciou que o partido “vai a jogo” na revisão constitucional e apresentará um projeto autónomo no qual vai propor que a Lei Fundamental seja um documento “ideologicamente neutro”.
“O CDS vai a jogo na revisão constitucional”, adiantou o líder do partido no seu discurso no encerramento do 32.º congresso do CDS-PP, que decorreu no sábado e hoje, em Alcobaça (distrito de Leiria).
“Quando a questão agora se colocar, o CDS, independentemente da entrega à AD, vai participar de forma autónoma no próximo processo de revisão constitucional, defendendo o que defendemos sempre, que a Lei Fundamental deve ser um documento ideologicamente neutro, representativo de todas as sensibilidades, não só das socialistas e capaz de congregar e não desunir”, afirmou.
Nuno Melo indicou que o partido vai criar um grupo de trabalho “liderado por constitucionalistas reconhecidos”, em coordenação com o grupo parlamentar, para trabalhar nessa proposta.
E recusou hoje que o partido seja “muleta” do PSD, salientando que os centristas não integram a AD “por favor” nem se confundem ou diluem, e apontou que como objetivo o crescimento.
“A AD é um património comum e na AD, à nossa escala, nós contribuímos com trabalho, com ideias, com recursos, com pessoas e com votos”, indicou.
O líder centrista apontou que a coligação “é um caminho do PSD, mas este é também um caminho do CDS” e defendeu que esta relação “só faz sentido porque é de respeito mútuo, é uma relação entre dois partidos, dois grandes partidos independentemente da mensurabilidade eleitoral de cada momento”.
“E, já agora, outra coisa que eu quero que fique muito claro, o CDS não é uma tendência, o CDS não se funde e seguramente o CDS não se dilui. O CDS, meus amigos, é um património fundamental da democracia em Portugal e com toda a legitimidade o CDS quer ser maior no futuro, com toda a legitimidade nós queremos ser maior no futuro, e com muito trabalho e com essa legitimidade, meus amigos, nós vamos crescer”, afirmou, numa referência indireta ao ex-dirigente Diogo Feio que sugeriu uma fusão dos dois partidos.
No seu discurso de consagração, Nuno Melo sustentou que os centristas “são relevantes”.
“Somos relevantes onde vamos a votos sozinhos, somos relevantes onde concorremos em AD. As vitórias da AD foram do PSD, mas foram também do CDS, e eu acredito até que a AD é uma forma que soma além dos partidos”, disse.
Assinalando que “não houve uma vez que a AD tivesse concorrido em eleições legislativas que alguma vez tivesse perdido”, Melo apontou que a coligação “é um património que se afirma e afirma-se pelos resultados”.
Na sua intervenção, o presidente do CDS salientou que o partido “nasceu à prova de bala” e vai desiludir “uma e outra vez” aqueles que disserem ou desejarem o fim do partido, defendendo que “continua a fazer tanto sentido em 2026, como fez em 1974”.




