Da Redação

No evento de reabertura da instituição, esteve presente o ministro das Relações Exteriores no Brasil, Aloysio Nunes Ferreira Filho e o Senador Antônio Anastasia, como autoridades nacionais. O presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Luís Antonio Torelli, que durante o Flipoços teve a oportunidade de conhecer o diretor de Cultura de Moçambique, Sr. Roberto Dove, também foi convidado para a solenidade em Maputo, que teve também como intuito estreitar o relacionamento com a Câmara Brasileira do Livro.
Como parte da solenidade de reinauguração do Centro Cultural Brasil – Moçambique, a escritora Paulina Chiziane também recebeu uma homenagem, como primeira romancista de Moçambique. O governo brasileiro entregou-lhe a comenda “Ordem de Rio Branco” em reconhecimento ao trabalho extraordinário como contadora de histórias. A láurea foi entregue pelo ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira Filho. Na ocasião, ele a elogiou e destacou seu trabalho literário e de militância.
Após receber o prêmio, Paulina Chiziane agradeceu ao governo brasileiro e ao povo moçambicano pela homenagem. “Muitas vezes, eu tenho o hábito de dizer vim do chão, vim de lugar nenhum, caminhei pelo mundo e cheguei. Mas não caminhei sozinha. Há muita gente que comigo caminhou ao longo dos dias da minha escrita”, disse.
Em sua fala, Paulina Chiziane dedicou os agradecimentos à organizadora do evento, Gisele Corrêa Ferreira e ao Flipoços, pois foram os pontos de partida para esse reconhecimento em seu próprio país. “Agradeço a oportunidade de ter participado nesse grande evento o Flipoços, em Poços de Caldas, Brasil, onde nosso país e nossos escritores moçambicanos foram homenageados. Queira Deus que consigam manter esta iniciativa apesar de todas as dificuldades que o País enfrenta. Gostei de conhecer a Gisele e toda sua equipe, de conhecer a magnífica cidade e poder partilhar momentos de aprendizagem e alegria impar com muitos amigos que fiz em Poços de Caldas. Guardo essa cidade em meu coração. Espero um dia poder voltar para desfrutar da generosidade daquelas pessoas e da beleza da paisagem”, destacou.
Para Luís Torelli, essa visita à Maputo representa um novo tempo e diálogo entre os países de língua lusófona. “Eu recebi o convite e esta foi a primeira vez que estive na África representando a CBL. Durante a inauguração do centro, me encontrei com o Ungulani Ba Ka Khosa e com o Roberto Dove, os quais conheci no Flipoços e o assunto, claro, foi o festival. Para eles foi muito importante ter estado no Brasil através deste convite, já que antes a literatura lá era muito pautada por Portugal. Na ocasião, falei também com ministros e lideranças sobre os esforços que foram feitos para realizar o Flipoços, apesar dos poucos recursos. Um festival assim tem que acontecer. Em seguida, vimos a homenagem à Paulina Chiziane, que também só aconteceu porque ela foi ovacionada em Poços de Caldas. Agora, já fiz um convite para que os autores voltem ao Brasil para a Bienal de São Paulo em 2018 e espero que consigamos. Por fim, acredito que foi uma visita muito proveitosa e que promete”, comentou.
De acordo com o Centro Cultural Brasil-Moçambique, o local ficou fechado por uma longa temporada para a realização de obras de restauração. Agora, com a reabertura, o recinto passa a contar com o auditório Vinícius de Moraes, preparado para receber espetáculos de música e teatro, sessões de cinema, seminários e palestras. As galerias de arte foram renovadas e contam com nova iluminação. O espaço deve contar também com um café com bebidas e comidas típicas do Brasil. A fachada também foi restaurada, de modo a dar maior visibilidade à arquitetura original do prédio.
Para Gisele Ferreira, curadora do Flipoços, a satisfação foi imensa em poder ter construído tantas pontes através do Festival nessa edição de 2017. “O que sempre buscamos com o Flipoços é isso, encontros, diversidade, oportunidades de difundirmos a literatura sem barreiras”, completou.
Na edição de 2017, o evento anual em Minas Gerais contou com um jantar temático, onde os visitantes e convidados apreciaram um jantar que misturou Brasil e Moçambique em pratos feitos pelo chefe Henrique Benedetti.




