Em Portugal, protestos dos agricultores cortam trânsito em 15 vias

Agricultores do Baixo Mondego ocupam a av. Fernão Magalhães com alfaias agrícolas no final da marcha lenta entre Montemor-o-Velho e Coimbra, durante o protesto dos agricultores, numa ação realizada nas estradas de várias zonas do país, reclamando “condições justas” e a “valorização da atividade”, em Coimbra, 01 de fevereiro de 2024. PAULO NOVAIS/LUSA

Da Redação com Lusa

O número de estradas bloqueadas ao trânsito devido ao protesto dos agricultores portugueses aumentou para 15, entre as quais duas autoestradas, de acordo com a última atualização divulgada pela Guarda Nacional Republicana (GNR). Os agricultores estão hoje na rua com os seus tratores, de norte a sul do país, reclamando a valorização do setor e condições justas, tal como tem acontecido em outros pontos da Europa.

Num ponto de situação, publicado na rede social X, a GNR informou que às 15:00 se mantinham cortadas ao trânsito as autoestradas 25 (no distrito da Guarda) e 6 (no distrito de Portalegre), registrando-se um aumento dos cortes em itinerários complementares, estada nacionais e estrada municipais.

O protesto, uma iniciativa do Movimento Civil de Agricultores, decorre um dia depois de o Governo ter anunciado um pacote de mais de 400 milhões de euros, destinado a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC).

O pacote abrange entre outras, medidas à produção, no valor de 200 milhões de euros, assegurando a cobertura das quebras de produção e a criação de uma linha de crédito de 50 milhões de euros, com taxa de juro zero.

A A25 mantém-se cortada em ambos os sentidos, entre Vilar Formoso e Pínzio, sendo as alternativas indicadas pela GNR a Estrada Nacional (EN) 16 e a EN332. Ainda no distrito da Guarda encontra-se também cortada a EN324, no Alto Leomil, com a EN16 a servir também de alternativa a esta via.

No distrito de Portalegre mantém-se cortada a A6, em Elvas, sendo as alternativas as nacionais 4 e 373.

Ainda no distrito de Portalegre, encontram-se cortadas as estradas nacionais 371 – Elvas/Campo Maior (alternativa EN246); a EN246-1 – Marvão (alternativa Estrada Municipal 251); a EN4 – Vila Boim (alternativa a EN373, Alandroal) e a estrada Ramo D (Borba), tendo como alternativa a nacional 255. Há ainda a registar neste distrito o corte da EN4 (em Elvas) e da Municipal 1106-1 (Arronches), mas nestes dois últimos casos a GNR não indica alternativas.

Em Setúbal, mantém-se cortado o Itinerário Complementar (IC) 1 na zona da Mimosa, mas a GNR aponta agora como alternativa a EN261. No mesmo distrito está cortada a EN121, em Ermidas do Sado, sendo a alternativa a EN259.

No distrito de Évora está cortada a EN256, sendo a alternativa a EN386, e no distrito de Beja está cortada a EN260 (em Vila Verde de Ficalho), sendo a alternativa a EN385.

Em Mogadouro, no distrito de Bragança, encontra-se cortada ao trânsito a EN221-7, para a qual a GNR não indica alternativas.

No distrito de Santarém encontra-se cortado o IC3, no concelho do Entroncamento, em alternativa ao qual a GNR aponta a EN101.

Os agricultores concentrados junto à fronteira do Caia, em Elvas, distrito de Portalegre, ameaçaram hoje levar os protestos até Lisboa caso o Governo não os contacte sobre as reivindicações do setor.

“Já temos confirmação de Espanha que eles [agricultores] vão avançar com o fecho das fronteiras, pelo que a nossa ação aqui em Caia deixa de fazer sentido. Se não vêm [Governo] falar conosco, em breve tomamos Lisboa”, disse João Dias Coutinho, do Movimento Civil de Agricultores, em declarações à agência Lusa.

O responsável disse ainda que “tudo está em aberto” em matéria de protestos, sublinhando que o objetivo traçado para hoje foi cumprido.

Governo

Na Guarda, os agricultores em protesto na A25, no Alto de Leomil, concelho de Almeida, aguardam pelo resultado de uma reunião com a ministra da Agricultura, hoje por videoconferência, para decidir que rumo dar ao bloqueio iniciado de madrugada.

O representante do Movimento Civil de Agricultores, Paulo Tomé, comunicou aos agricultores, por volta das 17:30, que já tinham sido apresentadas propostas e que aguardavam resultados da reunião com a ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, “para saber se iria haver novidades”.

O encontro estará a ser realizado a partir de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco.

O representante explicou aos manifestantes que as propostas mais urgentes passam pelo pagamento imediato de alguns valores em dívida, alguns retidos no dia 25 de janeiro e outros relacionados com as pastagens.

O movimento exige também “ser uma voz ativa na negociação do novo quadro comunitário de apoio”.

“São medidas aprovadas em Lisboa que se adaptam ao distrito da Guarda e não se adaptam a Castelo Branco. Queremos fazer uma adaptação do quadro comunitário”, salientou Paulo Tomé.

O representante disse que a região das Beiras foi exemplar no protesto que decorreu hoje a nível nacional e destacou que “não houve problemas nem desacatos, não sendo necessário a GNR intervir”.

Os agricultores estão concentrados em protesto junto ao Alto de Leomil, bloqueando a circulação na A25 desde as 06:15 entre o nó de Pínzio, no concelho de Pinhel, e Vilar Formoso, concelho de Almeida.

Segundo um comunicado divulgado na quarta-feira pelo movimento, os agricultores reclamam o direito à alimentação adequada, condições justas e a valorização da atividade.

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