Proteção Civil eleva estado de prontidão para o nível máximo

Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa (C) acompanhado pelo presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque (C-D) e pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha (C-E) esta noite no posto de comando da proteção civil em Ourém, 3 de fevereiro de 2026. A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, dia 28 de janeiro, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. MIGUEL A. LOPES/LUSA
Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

O comandante nacional de emergência e proteção civil em Portugal alertou hoje para a situação meteorológica “muito complexa” prevista para os próximos dias, que obrigou a elevar o estado de prontidão do dispositivo para o nível mais elevado.

“Com base neste quadro meteorológico, o país foi elevado todo para o estado de prontidão especial 4, o mais elevado dos níveis que temos, o que implica 100% da capacidade dos agentes de proteção civil disponível”, afirmou Mário Silvestre, numa conferência de imprensa na sede Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Face à situação meteorológica muito complexa que está prevista, o comandante nacional apelou às populações para que tenham em atenção os fenómenos meteorológicos, como chuva e vento forte, agitação marítima com ondas que podem atingir os 11 metros, queda de neve e possibilidade de inundações.

Segundo referiu, tendo em conta os efeitos provocados pela depressão Kristin, estruturas e árvores “poderão sofrer alguma queda”, o que faz com que se “continue a ter um problema” nas zonas que foram mais fustigadas pelo vento na última semana.

Mário Silvestre referiu ainda que a queda de neve poderá chegar a uma acumulação de 25 centímetros acima dos 1.600 metros e a 10 a 15 centímetros acima dos 1.000 metros.

“Tudo isso forma um `cocktail´ complexo do ponto de vista da resposta”, reconheceu o comandante nacional de emergência e proteção civil, ao salientar que as bacias e albufeiras que estão com níveis mais elevados – e que mais preocupam neste momento – são as dos rios Douro, Vouga, Águeda, Mondego, Lis, Tejo, Sorraia e Sado.

O fato de os solos estarem muito saturados de água faz com que uma saída dos rios dos seus leitos normais possa atingir “velocidades de escoamento superficiais bastante significativas”, o que deve constituir mais um alerta para as populações, salientou Mário Silvestre.

Referiu ainda que existe o “risco elevado” de inundações urbanas, porque a precipitação poderá ser bastante forte em cidades como Lisboa, sobretudo, nas zonas historicamente mais afetadas, referiu.

Perante essas previsões, vão continuar os pré-posicionamentos de meios dos agentes da Proteção Civil nas zonas que poderão ser mais atingidas, como no Douro, no Vouga, no Tejo e no Sorraia.

“Aqui será o potencial maior onde teremos de ter um conjunto de forças mais disponíveis”, incluindo embarcações, equipamentos de bombagem de alta capacidade e meios de socorrer as populações em caso de necessidade, adiantou o comandante nacional de emergência e proteção civil.

Um total de 103 mil clientes da E-Redes continua sem abastecimento de energia elétrica devido aos danos provocados pela depressão Kristin na rede de distribuição, informou hoje a empresa num balanço feito às 17h. Leiria é o distrito mais afetado, com mais com 75 mil clientes sem energia, seguido de Santarém, com 17 mil clientes, Castelo Branco, com 7 mil, e Coimbra, com menos de mil, precisou a E-Redes

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Presidente

O Presidente da República avisou hoje que “não serve de nada ter medidas no papel” de apoio às populações afetadas pelo mau tempo se não for possível executá-las, pedindo coordenação no terreno porque senão as pessoas ficarão desesperadas.

“O problema não é [as medidas do Governo] serem suficientes, (…) faz-se o levantamento da situação que existe, de tal forma que se pode dar a resposta. Não serve nada ter medidas no papel, se não é possível dar resposta às medidas”, alertou, em declarações aos jornalistas à margem das cerimónias fúnebres do cineasta João Canijo após ser questionado sobre a ação do Governo na resposta à passagem da depressão Kristin em Portugal continental.

O Presidente da República explicou que na reunião desta tarde com o primeiro-ministro no Palácio de Belém avaliou-se a situação dos próximos dias, para os quais se antevê uma quinta-feira e um domingo “complicados”, e como se vai responder aos mais de 100 mil portugueses sem eletricidade e mais de 70 mil sem telecomunicações.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou também que foi abordada nessa reunião a “importância de a máquina” do Estado conseguir responder aos problemas, bem como a sua coordenação.

“E nessa máquina, como é importante – além de uma coordenação, que agora está em Leiria -, funcionar tudo bem, desde as pessoas até à coordenação”, defendeu, acrescentando que, se isso não acontecer, as “pessoas ficam ansiosas, angustiadas ou desesperadas”.

O chefe de Estado disse ainda, sem detalhar datas, que, além do concelho de Ourém, visitará Pedrógão Grande, porque “há muita falta de energia elétrica”, e que prevê estar primeiro na região do Mondego, a que seguirá uma visita à zona do Sado e uma ida à região do Tejo.

O primeiro-ministro afirmou que o Presidente da República vai poder testemunhar hoje e na quarta-feira, no terreno, o esforço que está a ser feito para repor rapidamente a normalidade nas zonas atingidas pela depressão Kristin.

Mais de 14.300 ocorrências devido ao mau tempo foram registadas desde 27 de janeiro, com predominância de quedas de árvores e de estruturas e inundações.

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