Presidente Seguro alerta para efeitos da instabilidade internacional na economia portuguesa

Presidente da República, António José Seguro, intervém durante uma cerimónia na Câmara Municipal do Porto, 10 de março de 2026. JOSÉ COELHO/LUSA

Neste sábado em Santarém, o Presidente da República afirmou estar “naturalmente preocupado” com a evolução da situação internacional e com o impacto das tempestades, e assegurou que o Governo tem vindo a aprovar “os apoios necessários em cada momento” para famílias e empresas.

Em declarações aos jornalistas, após a Cerimônia de Apresentação das Forças Armadas, António José Seguro sublinhou que tem acompanhado “com muita atenção” as consequências econômicas das condições meteorológicas adversas e do agravamento das tensões no Médio Oriente, reiterando que os efeitos se fazem sentir em áreas sensíveis da economia.

Segundo o Presidente, ao longo da última semana manteve “reuniões com a Autoridade da Concorrência e com o regulador do setor energético” para avaliar as subidas registadas “na energia e na alimentação”.

Nessa série de encontros, recebeu também a Liga dos Bombeiros, que o alertou para dificuldades no pagamento de combustíveis, nomeadamente no transporte de doentes.

“Tenho passado a semana inteira, para além das reuniões com o primeiro-ministro, a inteirar-me do impacto deste conflito”, referiu.

O Presidente apelou a que “se ponha fim ao conflito no Médio Oriente”, defendendo que todas as partes devem fazer “tudo o que está ao seu alcance para a paz”, sublinhando que a instabilidade internacional tem reflexos diretos na vida dos portugueses, sobretudo “nas famílias que vivem com mais dificuldades”.

Seguro reconheceu que, apesar de uma ligeira descida num dos combustíveis, a volatilidade continua a ser motivo de preocupação.

“Há muitas vezes uma subida como um foguetão e uma descida muito lenta, como uma pena”, afirmou, destacando o efeito direto que estes movimentos têm nos orçamentos das famílias, sobretudo as mais vulneráveis.

Sobre a atuação do Governo, Seguro afirmou que o primeiro-ministro lhe tem garantido que os apoios são definidos “em cada momento”, reiterando confiança na resposta às necessidades sociais e económicas provocadas tanto pela situação meteorológica como pelo contexto externo.

 António José Seguro adiantou ainda que no primeiro mês de mandato promulgou diversos decretos, garantindo que a Presidência da República se encontra em “plena atividade”.

“Estamos em plena atividade. A Presidência da República está, nestas primeiras semanas de mandato, a fazer aquilo que se lhe exige”, concluiu.

Religião

Também no domingo, Seguro reprovou o impedimento imposto pelas autoridades israelitas ao Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, de celebrar a missa de Domingo de Ramos no Santo Sepulcro.

A polícia israelita impediu hoje o Patriarca Latino de Jerusalém e o padre da Igreja do Santo Sepulcro de entrarem naquele local sagrado para celebrarem a missa do Domingo de Ramos, “pela primeira vez em séculos”, revelou o Patriarcado Latino.

De acordo com o chefe de Estado português, “trata-se de um facto que atinge a comunidade cristã local e também o princípio universal da liberdade religiosa, pilar essencial das sociedades democráticas e consagrado no direito internacional”.

Para as autoridades religiosas, este impedimento “constitui um grave precedente” e “demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de milhares de milhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana, voltam o olhar para Jerusalém”.

O Governo israelita explicou que a decisão foi tomada por motivos de segurança, devido às restrições impostas pelo exército como medida de precaução face a possíveis ataques iranianos.

O acontecimento está a ser contestado por vários países.

A contestação italiana foi liderada pela primeira-ministra do país, Giorgia Meloni, que manifestou a sua condenação inequívoca.

A primeira reação internacional fora da Itália veio do presidente francês Emmanuel Macron, que também se juntou à condenação de Roma.

A Jordânia também rejeitou o ocorrido, que classificou como “uma violação flagrante do direito internacional, do direito internacional humanitário […] e uma violação da liberdade de acesso irrestrito aos locais de culto”.

Também Espanha e Brasil repudiaram o impedimento.

O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, considerou igualmente hoje um “lamentável abuso de poder” que a polícia israelita tenha impedido o Patriarca Latino de Jerusalém de entrar no local sagrado para celebrar a missa do Domingo de Ramos.

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