Da Redação
O Presidente do Governo dos Açores, José Manuel Bolieiro, defendeu hoje, na Sessão Solene Comemorativa do Dia da Região Autónoma dos Açores, realizada no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, a necessidade de afirmar os Açores como um exemplo de desenvolvimento sustentável, alicerçado na autonomia política e na capacidade de transformar desafios em oportunidades.
O líder do executivo açoriano enfatizou o momento simbólico que marca os 50 anos da Autonomia Política, sublinhando o orgulho na identidade do povo açoriano.
“Hoje, com elevado orgulho, celebramos Açores. Celebramos açorianidade”, afirmou.
José Manuel Bolieiro destacou o percurso histórico do arquipélago, lembrando que a autonomia nasceu da democracia conquistada com o 25 de Abril e foi consolidada com a Constituição de 1976.
Para o governante açoriano este processo permitiu transformar profundamente a realidade das ilhas: “Foi com poder político próprio que os Açores se transformaram, ao longo destes cinquenta anos, com recuperação de enormes atrasos”, sublinhou.
O presidente do Governo dos Açores salientou ainda a evolução verificada em áreas essenciais, como a saúde, a educação e a economia, destacando indicadores que evidenciam esse progresso – referiu, por exemplo, o aumento significativo dos profissionais de saúde, a generalização do ensino secundário a todas as ilhas e o crescimento da riqueza regional.
“Os açorianos criam riqueza e emprego, como nunca, e é assim que se combate a pobreza histórica”, afirmou.
Num discurso que conciliou memória e projeção de futuro, José Manuel Bolieiro destacou a importância da unidade das nove ilhas como base do desenvolvimento regional.
“A unidade é força transformadora e promotora do desenvolvimento de todas as ilhas, não deixando nenhuma para trás”, disse, apontando a coesão como elemento fundamental para o sucesso coletivo.
O líder do executivo açoriano abordou também o contexto internacional atual, marcado por instabilidade e incerteza, defendendo que os Açores devem assumir-se como um espaço de estabilidade e responsabilidade institucional.
“Num momento internacional marcado por conflitos e incerteza, os Açores devem afirmar-se como referência contrária”, declarou.
A estratégia de desenvolvimento sustentável foi outro dos pilares da intervenção, com o Presidente do Governo dos Acores a destacar a valorização dos recursos naturais e a aposta nas transições climática, digital e energética.
“O mundo precisa de exemplos e de faróis. E os Açores são hoje um exemplo e um farol”, afirmou, sublinhando o papel do arquipélago na proteção do oceano e na antecipação de metas globais de sustentabilidade.
Outro dos pontos centrais do discurso foi a dimensão geoestratégica dos Açores, cada vez mais relevante no contexto atlântico. O líder açoriano destacou o papel da Região como ponte entre continentes e como ativo estratégico para Portugal, a União Europeia e a NATO.
“Somos, cada vez mais, uma centralidade para a investigação científica, para a tecnologia e para o conhecimento do futuro”, referiu.
José Manuel Bolieiro assinalou igualmente os 40 anos da integração de Portugal na União Europeia, considerando que essa pertença tem sido crucial para a modernização do arquipélago e para a criação de novas oportunidades. Salientou, contudo, a necessidade de continuar a valorizar a condição ultraperiférica, conciliando-a com a crescente centralidade atlântica dos Açores.
O presidente do Governo dos Acores deixou uma mensagem de confiança e ambição, apelando à mobilização coletiva.
“Pretendemos conjugar a Região de necessidades que somos com a Região de oportunidades que queremos ser”, afirmou, reforçando o compromisso com um futuro construído com todas as gerações.
Homenagens
Após as intervenções, foram impostas 25 insígnias honoríficas açorianas distinguindo cidadãos e pessoas coletivas que se tenham destacado por méritos pessoais ou institucionais, atos, feitos cívicos ou por serviços prestados à região.
A insígnia autonómica de reconhecimento foi entregue a Daniel da Ponte, Emanuel Jorge Botelho, Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz, Luís Manuel Arruda, Paulo Henrique Campos Matos e Ronald Dan Kouchi.
Duarte Manuel Ávila Severino Soares e Maria Teresa Silveira Dias Flor-de-Lima receberam a insígnia autonómica de mérito profissional, enquanto Jorge Alberto Serpa da Costa Rita, José Guilherme Jorge da Costa e Primitivo Marques a insígnia de mérito industrial, comercial e agrícola.
A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) ainda entregou por mérito cívico para a Associação de Pais e Amigos das Crianças Deficientes do Arquipélago dos Açores (APACDAA), a Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA), a Associação dos Imigrantes dos PALOP nos Açores (AIPA), o Clube Naval de Ponta Delgada, a CRESAÇOR – Cooperativa Regional de Economia Solidária, o Lar das Criancinhas da Horta, a Sociedade União Urzelinense, o Teatro Micaelense – Centro Cultural e de Congressos, a UMAR Açores – Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres e o Vitória Futebol Clube.
A mesma distinção foi atribuída a Edmundo Manuel Pacheco (a título póstumo), João Manuel Aranda e Silva, Maria Amélia da Costa e Régis Albino Marques Gomes.




