Presidenciais: Ventura felicitou Seguro pela vitória e desejou “um grande mandato” ao próximo Presidente

TIAGO PETINGA/LUSA

André Ventura, o candidato derrotado na segunda volta das eleições presidenciais, revelou que telefonou na noite de eleiçoes a António José Seguro para o felicitar pela eleição como Presidente da República e lhe desejar “um grande mandato”.

“Tive a oportunidade há poucos minutos de conversar com o Dr. António José Seguro, a quem transmiti as felicitações pela vitória eleitoral e também os votos de um grande mandato. Independentemente de termos sido adversários nesta segunda volta, o sucesso de António José Seguro à frente de Portugal será o sucesso de todos, e tive a oportunidade de lhe transmitir isso mesmo”, disse.

O candidato e líder do Chega referiu que também falou com o atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Tive também a oportunidade, nos últimos minutos, de falar com o atual Presidente da República, o Dr. Marcelo Rebelo de Sousa, que transmitiu também a felicitação pelo resultado que tivemos, pela campanha que foi feita, pelo caminho que foi trilhado”, indicou.

André Ventura afirmou que desejou aos dois “uma transição de poder em Portugal que permitisse a consolidação da democracia”.

“E, sobretudo, um caminho que acho que todos querem de desenvolvimento e de prosperidade”, acrescentou.

No fim do discurso, vários dirigentes do Chega juntaram-se ao candidato no palco e André Ventura pôs a bandeira de Portugal à volta do pescoço e emocionou-se quando tocou o hino nacional.

No caminho

Ventura reconheceu a derrota na segunda volta das eleições, mas considerou que os portugueses o colocaram “no caminho para governar o país”.

“Não tendo vencido, é justo dizer que os portugueses nos colocaram no caminho para governar este país”, afirmou o candidato.

André Ventura reagiu, num hotel em Lisboa, aos resultados das eleições presidenciais, que ditaram a eleição do seu adversário António José Seguro como o próximo Presidente da República.

“Acho que a mensagem dos portugueses foi clara: lideramos a direita em Portugal, lideramos o espaço da direita em Portugal e vamos em breve governar este país”, advogou.

Nesta declaração, o candidato reconheceu a derrota: “Não vencemos. Não vencemos e isso deve significar, como sempre foi, o reconhecer de que temos que fazer mais e de que temos que trabalhar mais para convencer todos de que a mudança faz falta”. 

Ainda assim, assinalou que o partido que lidera teve “o melhor resultado de sempre” e referiu que a sua candidatura superou “a percentagem da AD nas últimas legislativas” e também o resultado do Chega nessas eleições.

Os resultados ainda provisórios indicam que André Ventura ultrapassou, em percentagem, o resultado da coligação que sustenta o Governo, mas não em número de votos. 

O líder do Chega considerou que a sua candidatura presidencial protagonizou “a luta dos homens e mulheres, dos jovens comuns deste país, contra as elites que sempre o tentaram destruir”. 

“No fundo, com toda a humildade, o sonho, hoje, continua a ser o mesmo sonho de Francisco Sá Carneiro. O sonho de conseguir uma maioria que, não em nome das elites, mas em nome do povo, faça a diferença e a mudança. É esse caminho que eu quero prosseguir”, salientou.

O candidato lamentou que os portugueses tenham escolhido “o caminho da continuidade” ao eleger o adversário, António José Seguro, candidato apoiado pelo PS, como Presidente da República.

“Escolheram eleger um presidente da área do Partido Socialista que representa a continuidade do sistema político tal como o temos e o conhecemos em Portugal. Discordámos nisso, lutámos contra isso, entendemos que isso era o caminho errado. Mas travámos o bom combate, travámos a batalha com as armas que tínhamos, fomos terra a terra procurar convencer os portugueses, com o sistema inteiro contra nós procurámos convencer, mobilizar, mostrar que era possível outro país. Com uma grande parte do país, da Europa e do mundo contra nós, com Bruxelas contra nós, com todos contra nós, conseguimos ainda assim o melhor resultado de sempre. Não vencemos, mas estamos no caminho dessa vitória”, sustentou.

O candidato apoiado pelo Chega considerou ainda que terminou a campanha “a lutar contra todo o sistema político português”. 

“Acho que é justo dizer que liderámos, de forma clara, com uma vitória na primeira volta, todo o espaço não socialista em Portugal. Conseguimos mobilizar uma parte do país contra um sistema de 50 anos de bipartidarismo que se verificou nesta segunda volta, ainda mais intenso e ainda mais feroz, e conseguimos dizer aos portugueses que, talvez pela primeira vez em 50 anos, havia uma alternativa que não era do espaço do PS e do espaço do PSD”, defendeu.

E disse que o resultado obtido hoje, de 33%, lhe dá “um enorme estímulo para trabalhar” no “projeto que é transformar Portugal” e agradeceu àqueles que “acreditaram num país diferente, que não foram intoxicados nem se deixaram intoxicar”, em especial aos emigrantes.

“Eles sabem o que é não querer mais socialismo e sabem o que é que PSD e PS fizeram ao país nestes últimos anos. Eles têm sido o nosso farol e hoje, apesar de todas as circunstâncias, apesar de os fazerem andar milhares de quilômetros, voltaram a ser o nosso farol”, defendeu.

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