Presidenciais: Futuro dos jovens não pode ser “emigração forçada” – António Filipe

Foto Mundo Lusíada

O candidato presidencial António Filipe defendeu neste domingo que o futuro dos jovens não pode ser a emigração forçada pelos baixos salários e falta de habitação, classificando o pacote laboral como uma ameaça aos seus direitos e à democracia.

“O futuro dos nossos jovens não pode ser a emigração forçada pelos baixos salários, pela precariedade e pela negação do direito à habitação”, afirmou o candidato à Presidência da República apoiado pelo PCP e pelo PEV num comício, em Lisboa.

O ex-deputado comunista acrescentou: – “Quando os direitos fundamentais dos jovens são negados no presente, não nos podemos limitar a remeter a concretização desses direitos para um futuro mais ou menos distante, adiando o que é preciso fazer já”.

É, por isso, afirmou, preciso “acabar com as propinas” no ensino superior, garantir residências públicas para os estudantes deslocados, um apoio social escolar adequado às condições económicas dos estudantes e famílias.

“É preciso o apoio social escolar adequado às condições económicas dos estudantes e das suas famílias. É preciso virar a página de um ensino superior mercantilizado e isso não pode ser para um futuro distante, isto tem de ser para já, porque é necessário que estas medidas sejam tomadas já”, defendeu.

Os jovens e o pacote laborais foram dos temas focados por António Filipe nesta que foi, desde o inicio da campanha oficial, a iniciativa de campanha que juntou mais apoiantes.

Para o candidato presidencial, “uma das principais ameaças aos direitos e condições de vida dos jovens, dos trabalhadores em geral, mas também à própria democracia, é o pacote laboral” proposto pelo Governo.

António Filipe advertiu que, “para não prejudicar” os candidatos daquilo a que tem chamado “consenso neoliberal”, tais como os candidatos da direita, Gouveia e Melo e António José Seguro, o Governo “adiou a discussão para um momento posterior, mas não desistiu”.

“O Governo não desistiu de aprovar o pacote laboral. O pacote laboral vai ser derrotado, mas ainda não foi derrotado. E o único caminho para o derrotar é continuar a luta e no próximo dia 13 [terça-feira] lá estaremos, lá estarei, na manifestação convocada pela CGTP-IN”, afirmou.

A manifestação da central sindical está marcada para terça-feira, em Lisboa.

“E o voto da minha candidatura é um voto contra o pacote laboral, é um voto pelos direitos, é um voto pela democracia. Já afirmei várias vezes nesta campanha e creio que não é demais repetir, entre os interesses das grandes confederações empresariais e os direitos dos trabalhadores, eu não tenho a mínima dúvida do lado em que estou, é do lado dos trabalhadores, do lado da justiça social, do lado da democracia”, sublinhou.

Para concluir que o “presente e o futuro dos nossos jovens exigem um novo rumo para o país”.

António Filipe foi recebido com uma ovação no cheio pavilhão desportivo do Casal Vistoso, em Lisboa, onde, entre os muitos apoiantes da sua candidatura, se encontravam o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, os antigos líderes do PCP Jerónimo de Sousa e Carlos Carvalhas, o eurodeputado João Oliveira, a ex-secretária-geral da CGTP Isabel Camarinha e Heloísa Apolónia (PEV).

Lá dentro também se ouviram, repetidamente, as palavras de ordem que têm acompanhado o ex-deputado comunista nesta corrida a Belém: “Abril presente, António a presidente”.

Condições aos jovens

Na sexta-feira, também  candidato presidencial André Pestana defendeu que é possível proporcionar trabalho e salário digno aos jovens e evitar a emigração, e considerou que é preciso coragem para enfrentar o poder financeiro.

“Há muito dinheiro em Portugal. Há condições, ao contrário do que dizem, para todos vivermos e trabalharmos com dignidade. Só que não há coragem para enfrentar onde há esse dinheiro, porque, de facto, são essas pessoas que depois controlam os media”, considerou.

Para Pestana, esse é o motivo da sua candidatura ser “uma das poucas que foi claramente discriminada”, aludindo ao facto de só ter tido “direito a um debate, o chamado debate final, em que para os outros [candidatos] já era o ‘29º’ e, para mim e para outros dois, era o primeiro”.

O sindicalista falava aos jornalistas em Coimbra, em frente à sede principal dos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC), num ato simbólico aos “problemas que são transversais” à transportes públicos e privados do país, na sua campanha eleitoral a Presidente da República.

Na ocasião, deu especial destaque à necessidade de valorizar das carreiras para garantir que os jovens portugueses permaneçam no país.

“Se os nossos jovens, que é como eu defendo, encontrarem trabalho e salários dignos em Portugal, não vão emigrar”, sustentou.

Apesar de salientar que a vida no estrangeiro pode ser uma escolha motivada pela vontade de novas experiências, defendeu que muitos portugueses “saem com as lágrimas nos olhos, porque queriam ficar em Portugal, ao pé dos seus amigos, dos seus pais, dos seus familiares”.

Entretanto, saem porque não encontram salário digno, enquanto no estrangeiro recebem, “pelo mesmo trabalho, quatro ou cinco vezes mais”.

“Há muitas pessoas que vivem muito acima do que os trabalhadores normais vivem, mas agora é preciso ter coragem e os outros não têm tido coragem. Têm já 60 deputados, já tiveram no Governo, como o Chega, PS e PSD, e não fizeram nada. Há que fazer algo e tem que ser com alguém que venha do trabalho e que diga a verdade”, pontuou.

Segundo o sindicalista e um dos fundadores do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), “também não vai ser nenhum Presidente da República sozinho que vai mudar” o cenário atual.

“São as mobilizações sociais das pessoas que podem transformar a vida”, defendeu.

“Como Presidente, estarei sempre ao lado dessas lutas, pelo bem comum, a favor dos trabalhadores, a favor da natureza, porque é isso que pode garantir um futuro digno para nós e para os nossos filhos”, sublinhou.

Nas declarações em frente à sede principal dos SMTUC, o candidato salientou que entre os principais desafios do setor de transporte estão as frotas envelhecidas e a falta de trabalhadores, sendo este último relacionado com a questão central, que é a desvalorização da carreira.

“Houve uma grande desvalorização da carreira, por exemplo, dos motoristas, desde que a ‘troika’ veio e não foi alterada essa situação”, asseverou.

No entender do sindicalista, “isto só pode ser resolvido – e quem fala dos transportes, fala do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública, da justiça para todos – se tivermos de facto grandes investimentos”.

As eleições presidenciais estão marcadas para 18 de janeiro de 2026 às quais concorrem 11 candidatos.

Os candidatos às eleições presidenciais são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.

A segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também