Nesta quinta-feira, o presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa felicitou a escritora portuguesa Lídia Jorge, vencedora do Prêmio Pessoa deste ano.
“Felicito a escritora Lídia Jorge pela atribuição do Prémio Pessoa, lembrando nesta circunstância o seu fundador, Francisco Pinto Balsemão. Amplamente reconhecida, no país e no estrangeiro, pela obra literária, Lídia Jorge tem tido uma crescente intervenção cívica, não como “consciência nacional”, como se usava noutras épocas, mas como voz que se faz ouvir sobre as questões que a todos inquietam, seja na imprensa e televisão, no Conselho de Estado, ou no muito urgente e muito saudado discurso das comemorações do 10 de Junho, em Lagos” declarou em nota Marcelo Rebelo.
Reunido em Seteais, Sintra, o júri do Prêmio Pessoa 2025 decidiu atribuir o Prêmio Pessoa a Lídia Jorge, segundo anunciou Francisco Pedro Balsemão, presidente do júri.
“A carreira literária de Lídia Jorge iniciou-se com uma sucessão de títulos que a consagraram, de imediato, no panorama literário português e internacional”, destacou Balsemão.
E lembrou a publicação dos livros “O Dia dos Prodígios”, de 1980, “O Cais das Merendas”, de 1982, “Notícia da Cidade Silvestre”, de 1984, e a “Costa dos Murmúrios” de 1988, seguido de produções literárias e os romances ‘O Estuário’, de 2018, e ‘Misericórdia’, de 2022″. A escritora ainda já recebeu vários das principais prémios literários portugueses, bem como distinções internacionais.
A premiação, que dá 70 mil ao vencedor, “visa reconhecer a atividade de pessoas portuguesas com papel significativo na vida cultural e científica do país”.
Este ano, Lídia Jorge, como conselheira de Estado, fez discurso enquanto presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do 10 de Junho, em Lagos, num discurso que antecedeu o do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa. E alertou contra a possibilidade de loucos atingirem o poder e contra “a fúria revisionista que assalta pelos extremos”, num discurso em que condenou o racismo, a escravatura e a cultura da mediocridade.
Depois, numa crítica ao racismo, a escritora referiu que em pleno século XVII cerca de 10% da população portuguesa teria origem africana – “população que os portugueses tinham trazido arrastados”.




