Quatro cineastas brasileiros em exposição de cinema e videoarte em Lisboa

 Obras dos cineastas brasileiros Karim Aïnouz, Marcelo Gomes, Cao Guimarães e Sandra Kogut fazem parte de uma exposição que é inaugurada na quinta-feira, na Galeria Duplacena 77, em Lisboa, dedicada às relações entre videoarte e cinema, anunciou a organização.

Intitulada “Ao Lado do Cinema – Imagem em Movimento Brasileira: entre Videoarte e Cinema”, a exposição reúne curtas e longas-metragens dos quatro realizadores brasileiros, propondo uma trajetória pela evolução dos seus percursos artísticos e pelas aproximações entre o vídeo experimental e o cinema narrativo, indica um comunicado da galeria.

Com curadoria de Irit Batsry, artista visual e de instalação israelo-americana, pioneira no campo da vídeoarte, a exposição apresenta obras raramente exibidas, incluindo curtas-metragens que antecederam filmes posteriores dos autores, a par de três longas-metragens consideradas representativas da evolução das suas abordagens cinematográficas.

Segundo a organização, o programa evidencia temas recorrentes na obra dos quatro realizadores, como a identidade, o deslocamento e a observação poética da vida quotidiana, explorando as fronteiras entre diferentes linguagens da imagem em movimento.

A exposição abre com obras de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, entre quinta-feira e 15 de agosto, seguindo-se, de 05 a 28 de novembro, uma segunda apresentação dedicada a Cao Guimarães e Sandra Kogut.

Karim Aïnouz é realizador, argumentista e artista visual brasileiro-argelino, assinou filmes como “Madame Satã” (2002), seguido por “A Vida Invisível” (2019), vencedor do prémio Un Certain Regard no Festival de Cannes.

Os seus filmes “Firebrand” (2023) e “Motel Destino” (2024) estiveram na Competição Oficial do Festival de Cannes, e a sua mais recente longa-metragem, “Rosebush Pruning”, estreou-se na Berlinale deste ano.

“A sua obra explora frequentemente temas como identidade, desejo, migração e marginalidade, combinando sensualidade, consciência política e um forte sentido de lugar”, descreve a organização.

Marcelo Gomes é um realizador e argumentista brasileiro, autor de filmes como “Aspirinas e Urubus” (2005), uma longa-metragem de estrada que se estreou na secção Un Certain Regard do Festival de Cannes, enquanto “Paloma” (2022) e “Retrato de um Certo Oriente” (2024), estão entre as suas obras mais recentes.

Cao Guimarães é cineasta, fotógrafo e artista visual, nascido em Belo Horizonte, que trabalha na intersecção entre o cinema e a arte contemporânea, autor de obras “poéticas e observacionais, que transformam momentos do quotidiano em reflexões sobre o tempo, a memória e a perceção”, exibidas nos festivais de Cannes, Veneza e Sundance, bem como museus como a Tate Modern e o Museu Guggenheim.

Por seu turno, Sandra Kogut é uma realizadora, documentarista e videoartista cuja obra transita entre o documentário e a ficção, nomeadamente “Mutum” (2007), “Campo Grande” (2015) e “Três Verões” (2019), obras que exploram frequentemente temas como a família, o deslocamento, a memória e as realidades sociais do Brasil contemporâneo.

No âmbito da programação paralela realiza-se no sábado uma conversa com a investigadora e curadora Cristiana Tejo sobre os contextos históricos, estéticos e políticos das obras apresentadas, organizada em parceria com a plataforma NowHere.

A exposição poderá ser visitada de quinta-feira a sábado, entre as 16:00 e as 20:00, na Galeria Duplacena 77, em Lisboa, com entrada gratuita.

A Duplacena 77 é uma galeria de arte contemporânea e espaço de residência artística gerida pela DuplaCena, uma estrutura de produção de projetos culturais e artísticos com sede na capital.

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