Da Agencia Lusa
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Portugal é um dos países europeus onde os cidadãos menos confiam nos outros, revelam os resultados do Inquérito Social Europeu, um projeto que desde 2001 estuda e compara os valores e atitudes sociais na Europa. A terceira fase do estudo, iniciada em 2006, foi apresentada na quinta-feira, 27 de novembro, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e tem duas temáticas principais: os tempos de vida e o bem-estar na Europa. A partir de entrevistas pessoais realizadas com 2.222 portugueses, entre outubro de 2006 e fevereiro de 2007, o ESS III (na sigla em inglês) conclui que "desde 2002 Portugal faz parte do grupo de países com menores níveis de confiança" e que apresenta sempre "níveis abaixo do ponto médio da escala", assim como a Polônia, a Hungria e a Eslovênia. O trabalho, coordenado em Portugal pelo professor da Universidade de Lisboa Jorge Vala, procedeu a "uma análise longitudinal (2002 até 2006) dos padrões de confiança interpessoal em 17 países europeus, procurando aferir variações nos níveis de confiança e identificar antecedentes e conseqüentes da confiança interpessoal". Os resultados foram obtidos a partir das respostas às questões como estas: "de uma forma geral, acha que todo o cuidado é pouco quando se lida com pessoas ou acha que se pode confiar na maioria das pessoas?"; "acha que a maior parte das pessoas tentam aproveitar-se de si sempre que podem, ou pensa que a maior parte das pessoas são honestas?" e "acha que, na maior parte das vezes, as pessoas estão preocupadas com elas próprias ou acha que tentam ajudar os outros?". Como os portugueses, também os poloneses, húngaros e eslovenos tendem a desconfiar da honestidade dos outros, ao contrário dos nórdicos. Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca são os países com os níveis mais elevados. Num nível intermediário, estão Espanha, França, Bélgica, Áustria, Reino Unido, Holanda, Suíça e Irlanda, que completam os 17 países europeus que participaram das três fases da pesquisa do ESS: 2002, 2004 e 2006. Os autores do estudo associam a grande desconfiança interpessoal a uma "baixa interajuda e associativismo, que é freqüente verificar na nossa sociedade". A confiança no futuro também tem níveis baixos em Portugal. "Os resultados mostram que os pesquisados portugueses evidenciam uma confiança no futuro mais baixa do que aquela que se verifica em média nos países com um PIB (Produto Interno Bruto) inferior", indicam. Em relação à fé nas instituições, os lusos manifestaram uma confiança maior do que a reportada por países com PIB inferior, mas, mesmo assim, muito abaixo de estados com uma produção de riqueza média. "De um modo geral, a baixa confiança interpessoal e no futuro podem ser fruto da baixa confiança depositada nas instituições, uma vez que estas possuem um papel referencial das relações que se estabelecem em sociedade", concluem.
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