Da Redação com agencias
O Governo português anunciou hoje o envio para o Brasil de ampolas de Fomezipole injetável para apoiar o país após casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas.
“Portugal enviou, hoje, 07 de outubro de 2025, para a República Federativa do Brasil ampolas de Fomepizole injetável, medicamento essencial para o tratamento dos doentes que foram vítimas de intoxicação exógena por metanol em diferentes regiões daquele país”, disse, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre uma operação que envolveu, ainda, o Ministério da Saúde, a Secretaria-Geral do Ministério da Saúde, o INFARMED e o Instituto Camões.
Apesar de não especificar o número de ampolas, o Governo português disse esperar “que a doação contribua para ultrapassar a situação de emergência de saúde pública que aquele Estado-membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) enfrenta e, sobretudo, para diminuir o número de vítimas mortais”.
O apoio português surge na sequência de um pedido feito no final da semana passada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que acionou várias autoridades internacionais para trazer antídoto do metanol para o Brasil.
De acordo com o último balanço, existem três mortes confirmadas, e mais de uma dezena por confirmar, todas no estado brasileiro de São Paulo.
A terceira morte foi confirmada na segunda-feira pela Prefeitura de São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, que anunciou a morte de uma mulher de 30 anos, após consumir vodca contaminado por metanol.
De acordo com o último balanço feito pelo Ministério da Saúde, até segunda-feira, o Brasil registrava 217 notificações de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas. Dessas, 17 foram confirmadas e 200 permanecem em investigação.
O estado de São Paulo concentra 82,49% das notificações, com 15 casos confirmados e 164 em investigação. Além de São Paulo, o Paraná registra dois casos confirmados e outros 12 estados notificaram casos em investigação.
Na quarta-feira, o Ministério da Saúde anunciou a instalação de uma Sala de Situação para monitorizar os casos de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica e coordenar as medidas a serem adotadas.
Também um comitê pretende planejar tanto ações repressivas, contra aqueles que atuaram na adulteração das bebidas, quanto protetivas para o setor de bebidas que, segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é de grande importância para a economia brasileira.
O anúncio dessas medidas foi feito pelo ministro, após reunir-se com outras autoridades e com representantes do setor de bebidas, no ministério. A reunião contou com a participação de dirigentes da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), da Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Fórum Nacional contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP) e da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF).
Em causa está a falsificação de bebidas alcoólicas para serem comercializadas.

Em entrevista à TV Brasil, o diretor de comunicação da Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) afirmou que o metanol importado pelo crime organizado para adulterar combustíveis pode ter sido desviado para distribuidoras de bebidas, estando na origem dos recentes casos de intoxicação em São Paulo.
Pode ter se intensificado após a Operação Carbono Oculto, que em agosto desmantelou um esquema de fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Com empresas e transportadoras ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) interditadas, acabou por ser escoado também para destilarias ilegais, denunciou o responsável.
A partir de setembro, “pacientes intoxicados apresentaram histórico de ingestão de bebidas destiladas em cenas sociais de consumo alcoólico, incluindo bares, e com diferentes tipos de bebida, como gin, whisky e vodka”, disse o Governo brasileiro.
A intoxicação por metanol é uma emergência médica de extrema gravidade. A substância, quando ingerida, é metabolizada no organismo em produtos tóxicos (como formaldeído e ácido fórmico), que podem levar à morte.
Os principais sintomas da intoxicação são: visão turva ou perda de visão (podendo chegar à cegueira) e mal-estar generalizado (náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese).






