No Porto, Presidente afirma que Portugal é um todo e um país onde todos contam

Presidente da República, António José Seguro, intervém durante uma cerimónia na Câmara Municipal do Porto, 10 de março de 2026. JOSÉ COELHO/LUSA

 O Presidente da República afirmou neste dia 10 que Portugal é um todo, um país em que todos contam e em que nenhum território pode ser dispensado, e disse que a coesão territorial não é uma palavra de circunstância.

“Neste dia fiz questão de percorrer diferentes territórios do nosso país. Mourísia, uma pequenina aldeia no concelho de Arganil, no nosso interior, Guimarães, Capital Verde Europeia 2026, e, agora, a bela e sempre eterna cidade do Porto. Não se trata de um acaso, nem de um gesto meramente simbólico é a expressão de uma convicção política clara”, disse António José Seguro no seu discurso no Salão Nobre da Câmara Municipal do Porto.

No segundo dia do programa de tomada de posse, o Chefe de Estado referiu que quis mostrar que Portugal é um todo, um país em que todos contam e em que nenhum território pode ser dispensado.

“A coesão territorial não é para o Presidente da República uma palavra de circunstância”, frisou.

Em jeito de balanço do dia, que termina com um concerto do português Pedro Abrunhosa na Casa da Música, Seguro contou que em Mourísia encontrou a “expressão viva” de um Portugal resistente que precisa de atenção, de respeito e de respostas.

E decidiu passar por lá porque o interior estará sempre presente no exercício das suas funções, explicou.

Já Guimarães, Capital Verde Europeia, demonstra como “a memória e a construção do futuro podem caminhar lado a lado”, acrescentou.

Relativamente ao Porto, onde recebeu do presidente da autarquia, Pedro Duarte, um prato com o brasão da cidade, António José Seguro assinalou que há cidades que marcam a história de um país e que o Porto ajudou a escrevê-la.

“O Porto não é apenas um lugar no território português, o Porto é uma afirmação de caráter e uma forma de estar na história e no mundo”, apontou.

Segundo o Presidente da República, nesta cidade sempre se compreenderam as responsabilidades do poder e a força das instituições. “O Porto nunca foi apenas um ponto no mapa, o Porto é encontro, é cruzamento e é horizonte”, ressalvou.

Num discurso de pouco mais de 13 minutos, Seguro ressalvou que o Porto continua a provar que a sua verdadeira identidade reside na capacidade permanente de se reinventar.

No final, António José Seguro assinou o Livro de Honra na Sala Dona Maria e, depois, juntamente com a mulher, reuniu-se cerca de 30 minutos com Pedro Duarte. Daqui, seguiram para um jantar privado na Casa do Roseiral.

Na cerimónia estiveram presentes cerca de 150 convidados, entre os quais o bispo do Porto, Manuel Linda, o reitor da Universidade do Porto, António Sousa Pereira, o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, e o ex-presidente do conselho de administração do BPI, Artur Santos Silva.

O presidente da Câmara do Porto considerou que a presença do Presidente na cidade na tomada de posse demonstra que olha para o país “como um todo”, antecipando que Seguro represente uma “calma inconformada” no país.

“Há nesta cerimónia, realizada neste local, um importante simbolismo que certifica que a mais alta figura do Estado Português olha para o território nacional como um todo. E que nos trata por igual”, disse Pedro Duarte no seu discurso no Salão Nobre da Câmara Municipal.

Segundo Pedro Duarte, “este é o tempo para a igualdade de oportunidades e para a coesão territorial”.

“É o tempo certo para nos libertarmos de um centralismo degradante, paralisador e opressivo que há demasiadas décadas bloqueia o desenvolvimento do país”, referiu.

Recordando que António José Seguro “foi eleito sob o signo da moderação e do equilíbrio”, Pedro Duarte considerou “nada mais natural” esse acontecimento para “alguém que, ao longo da sua vida política, demonstrou inequívoca cultura democrática, consciência cívica, apego à causa pública e sentido de Estado”.

“Num tempo marcado por discursos cada vez mais polarizados, por algoritmos que amplificam o conflito e pela tentação permanente de reduzir a realidade a escolhas simplistas entre ‘nós’ e ‘eles’, a moderação tornou-se uma virtude particularmente exigente”, considerou o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP-IL.

Guimarães

Em Braga, o Presidente da República considerou que Guimarães, além de berço da Nação e Capital Verde Europeia 26, pode ser também “um berço do futuro”, enaltecendo a visão estratégica e a coragem da cidade na vertente ambiental.

“Guimarães dá hoje um exemplo a Portugal e à Europa. E quis, no meu primeiro dia de mandato, testemunhar isso e dar voz a esta visão estratégica, a esta coragem que os vimaranenses e os seus autarcas afirmaram e desenvolveram ao longo das últimas décadas”, afirmou António José Seguro, na sua intervenção, no Laboratório da Paisagem, em Guimarães, distrito de Braga.

Seguro visitou o Laboratório da Paisagem, acompanhado da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, e do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo.

“Talvez haja algo de profundamente simbólico neste momento que é, repito, o lugar onde nasceu Portugal e é também um lugar onde se afirma um compromisso claro com o futuro do nosso país. E é esse compromisso com a História, com o país e com as próximas gerações que e a minha presença aqui significa”, explicou Seguro.

“Hoje regresso como Presidente da República, é ainda mais especial. Guimarães é para todos nós o berço da nacionalidade, mas hoje demonstrou também que pode ser muito mais do que isso. Pode ser também um berço do futuro”, destacou o Presidente da República.

Ao ser reconhecida como Capital Verde Europeia 2026, Guimarães “afirma algo profundamente português: a capacidade de honrar o passado sem deixar construir o amanhã”.

Açores

 António José Seguro foi convidado para presidir à sessão solene comemorativa dos 50 anos da autonomia dos Açores, a 04 de setembro, na sede da Assembleia Legislativa Regional, anunciou o presidente do parlamento açoriano.

Numa missiva enviada pelo presidente do parlamento dos Açores, Luís Garcia, ao chefe de Estado, é sublinhado o “significado desta efeméride para a região e para o país”, destacando-se o “percurso de afirmação política, social e institucional da região no quadro constitucional português”.

Citado em nota de imprensa, Luís Garcia refere que a celebração dos 50 anos da autonomia constitui “um momento de particular significado para os Açores e para Portugal”, assinalando cinco décadas de desenvolvimento e de consolidação do projeto.

O social-democrata sublinha a “importância do momento para a afirmação da autonomia e para o reforço do relacionamento institucional entre os órgãos de soberania e os órgãos de governo próprio da região”.

Os Açores vão comemorar ao longo do ano os 50 anos da autonomia constitucional com atividades a realizar nas nove ilhas, que pretendem promover uma reflexão sobre o percurso realizado e projetar o futuro.

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