Por Carlos Araújo Da Rádio ONU em Nova Iorque
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O segundo Fórum Global sobre Migração e Desenvolvimento teve lugar de 29 a 31 de outubro em Manila, nas Filipinas. No seu discurso de abertura, o Secretário Geral da ONU disse que o movimento de trabalhadores através de fronteiras poderia ajudar a fortalecer as economias e diminuir as desigualdades econômicas no mundo. Crise Financeira Ban Ki-moon também notou que o fórum ocorria num clima de crise financeira internacional sem precedentes que iria certamente afectar não só a migração em si como a imagem dos imigrantes nos países de acolhimento. Para Mónica Goracci, representante da Organização Internacional das Migrações, OIM, em Portugal, os imigrantes são os que mais sofrem quando há uma crise financeira. "Vai ter um impacto ao nível global sobre todos. Normalmente quando há dificuldades tenta-se sempre encontrar um bode expiatório. E as comunidades imigrantes são as que mais sofrem. Isto acontece em geral quando há uma crise económica, ou quando a situação económica piora: as primeiras vítimas são os imigrantes", disse. Migração A reunião de Manila continuou os debates iniciados em Bruxelas o ano passado durante o primeiro fórum sobre a temática. Mónica Goracci diz que ao juntar diversos actores, o encontro pode contribuir para uniformizar percepções sobre o fenómeno. "Foi a primeira vez que uma temática sobre migração conseguiu juntar vários actores: países de origem, países de trânsito e destino, organizações internacionais, sociedade civil, sector privado e sindicatos. Quando se trata de migração muitas vezes a temática é vista mais ao nível do ministério da administração interna para os países de destino e mais ao nível do desenvolvimento para os países de origem. Esta temática, que vai dominar este segundo fórum global, liga todos os actores que trabalham nesta área", destacou. Política de Integração Ban Ki-moon revelou que tem havido uma redução significativa do montante das remessas enviadas pelos imigrantes para os seus países de origem, devido à actual crise financeira. Para Mónica Goracci é também importante realçar o papel positivo dos imigrantes nos seus países de destino. Infelizmente, a comunicação social tende a destacar o lado negativo da imigração. "Nem sempre se consegue mudar uma atitude global sobre esta questão. Mas é importante ter um conhecimento sobre a realidade da situação e não se deixar condicionar por esteriotipos. Muitas vezes desconhece-se a situação real sobre o contributo real dos imigrantes nas comunidades onde estão inseridas. A comunicação social também coloca o enfoque sobre o lado negativo da imigração contribuindo para criar uma imagem errada sobre o fenómeno", sugeriu. Mónica Goracci considera Portugal um exemplo na abordagem da imigração. A política portuguesa assenta-se sobre três pilares segundo a representante da OIM em Lisboa. "Portugal tem feito muitos esforços em particular na sua política de integração. Portugal tem uma legislação muito equilibrada baseada em três pilares, que são a prevenção da imigração irregular, a integração dos imigrantes e o contributo para o desenvolvimento dos países de origem", disse Monica Goracci, representante da OIM em Portugal.
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