Ministério Público abre inquérito após descarrilamento do elevador da Glória

O elevador da Glória em Lisboa, um transporte popular usado por turistas, descarrilou em Lisboa, Portugal, 3 de setembro de 2025. MIGUEL A. LOPES/LUSA

O Ministério Público abriu um inquérito ao descarrilamento do elevador da Glória, em Lisboa, e que provocou 15 mortos e 18 feridos, à semelhança do que acontece neste tipo de situações, indicou hoje a Procuradoria-Geral da República (PGR).

“À semelhança do que acontece neste tipo de situações, e tal como determina a lei, o Ministério Público vai instaurar inquérito”, refere a PGR, numa resposta enviada à Lusa.

A PGR indica ainda que o Ministério Público “encontra-se a realizar os procedimentos necessários, no âmbito das suas competências, nomeadamente para efeitos de preservação da prova, com orientação e em articulação com os órgãos de polícia criminal”.

A  Câmara de Lisboa decretou hoje três dias de luto municipal pelas vítimas do descarrilamento do elevador da Glória, em Lisboa, que fez 15 mortos e 18 feridos, revelou o presidente, Carlos Moedas.

Carlos Moedas indicou que o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa recebeu o alerta pelas 18:08 e às 18:11 estava no local, afirmando que o socorro foi prestado “muito rapidamente”, com uma resposta “em poucos minutos”, envolvendo também equipas da Câmara Municipal, do INEM e da Proteção Civil.

“Lisboa está de luto e é um momento trágico para a nossa cidade”, declarou Carlos Moedas, falando no local cerca das 20:10. “Apresento as minhas sentidas condolências a todas as famílias e amigos das vítimas”.

O autarca esteve ao início da noite no local do acidente e deslocou-se depois ao Hospital de São José, onde deram entrada nove feridos, cinco dos quais em estado grave e quatro ligeiros.

Entre os feridos ligeiros, deu entrada na Urgência uma criança, de 3 anos, estável, que, por uma questão de precaução, será transferida com o pai para o Hospital Dona Estefânia, adiantou a fonte do São José.

A mãe, grávida, que foi inicialmente admitida no Serviço de Urgência de São José com ferimentos ligeiros, foi transferida para a Maternidade Alfredo da Costa, acrescentou.

Já o hospital de Santa Maria recebeu seis feridos, incluindo uma criança com ferimentos ligeiros, e fonte daquela unidade de saúde adiantou à Lusa que um deles está em estado grave.

De acordo com Tiago Augusto, não estão apuradas as nacionalidades das vítimas, mas entre elas “há vários apelidos estrangeiros”, além de portugueses.

O governo brasileiro manifestou sua solidariedade ao governo e ao povo de Portugal, e informou que não há registro de vítimas brasileiras, segundo o Consulado-Geral em Lisboa.

O elevador da Glória, em Lisboa, descarrilou esta quarta-feira, pelas 18:04, na Calçada da Glória.

O INEM anunciou que o acidente provocou 15 mortos e 18 feridos, dos quais cinco em estado grave e 13 ligeiros.

O elevador da Glória é gerido pela Carris, liga os Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto, num percurso de cerca de 265 metros e é muito procurado por turistas.

Suspenso

O presidente da Câmara de Lisboa mandou suspender “de imediato” as operações dos ascensores da Bica e do Lavra e do Funicular da Graça para os equipamentos serem inspecionados, disse hoje fonte do gabinete de Carlos Moedas.

“O presidente da Câmara Municipal de Lisboa deu instruções às empresas municipais para suspenderem, de imediato, as operações dos ascensores da cidade – Bica e Lavra – e do Funicular da Graça, e para realizarem vistorias técnicas a estes equipamentos”, disse a fonte numa nota enviada à Lusa.

Todos criados pelo engenheiro Raoul Mesnier de Ponsar, os elevadores do Lavra, da Glória e da Bica também são geridos pela Carris, tal como o Funicular da Graça.

O do Lavra liga a rua Câmara Pestana e o Largo da Anunciada (perpendicular à Avenida da Liberdade), enquanto o elevador da Bica liga a Rua de São Paulo ao Largo do Calhariz e o Funicular da Graça faz a ligação entre o Martim Moniz e o Largo da Graça.

O Governo decretou um dia de luto nacional, nesta quinta-feira, e a Câmara de Lisboa decretou três de luto municipal.

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