Mau tempo: Rio Tejo continua a baixar e começa a deixar à vista destruição

Estrada inundada pelo Rio Tejo em Vale da Pedra, Ponte do Reguengo, Cartaxo 10 de fevereiro de 2026. Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

 O nível do rio Tejo continua a baixar, está praticamente dentro do leito e a descida da água está a deixar à vista a destruição causada pelas inundações, disse à Lusa fonte da Proteção Civil.

O Tejo manteve hoje a tendência de descida e as autoridades aguardam que, nas próximas horas, o nível regresse à normalidade em toda a sua extensão, permitindo a equipes de emergência, empresas, municípios e populações entrar nas áreas afetadas e iniciar a limpeza, adiantou o comandante sub-regional da Proteção Civil do Médio Tejo, no distrito de Santarém, David Lobato.

“Desceu bastante, agora vai-se notando muita destruição, que é o normal nestas circunstâncias”, afirmou David Lobato, salientando que há restaurantes, parques infantis e outros equipamentos, que agora voltam a estar sem água e “têm um grau de destruição elevado”.

O comandante da Proteção Civil precisou que, “na parte norte, o rio já se encontra todo dentro do seu leito”, mas falta a parte sul do distrito, onde ainda não regressou totalmente ao seu curso normal.

A tendência para os próximos dias é de “normalização” do curso do rio, “primeiro, mais a norte” e, “para o final do mês, na Lezíria”.

“O rio está a descer bastante e amanhã [sábado] faremos uma reunião, de manhã, da comissão distrital [da Proteção Civil de Santarém] e iremos possivelmente baixar para o amarelo” o nível do alerta, que atualmente se encontra no vermelho, antecipou.

Com a descida do rio e do nível de alerta, na segunda-feira, as autoridades esperam “começar as operações de limpeza no Médio Tejo”, trabalho que só deverá começar a ser executado “mais para o final do mês, na Lezíria”, acrescentou.

Dezesseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo declarou situação de calamidade até hoje para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

Preocupações

O ponto de situação sobre a resposta ao quadro hidrometeorológico no país até às 12:00 de hoje, apresentado por Mário Silvestre na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em Carnaxide, Oeiras, aponta para “um desagravamento das situações” decorrente da situação meteorológica, caracterizada por “períodos de chuva ou aguaceiros, mais frequentes no Minho e Douro Litoral”.

As autoridades mantêm, contudo, uma situação de vigilância nos rios Mondego, Tejo, Sorraia, Sado, Minho, Coura, Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Sousa, Vouga, Águeda, Lis, Nabão e Guadiana, estando o Plano Especial de Emergência para Cheias da Bacia do Tejo ativado e a um nível vermelho.

Mário Silvestre alertou para os riscos do deslizamento de terras, que tem afastado bastantes populações, e que pode inclusive registar-se em terras que já tenham sofrido estes deslizamentos.

Reforçou, por isso, as recomendações das autoridades para que as pessoas se afastem das zonas de risco e que comuniquem fissuras que identifiquem no solo, bem como quedas de árvores ou deslizamentos.

Lembrando que ainda existem 123 planos municipais de emergência ativos no país, Mário Silvestre explicou que no Rio Mondego os caudais estão a ser regulados para tentar garantir que não há mais nenhum comprometimento da população por causa da questão do rompimento do dique.

Na quarta-feira, a rotura de um dos diques do Rio Mondego junto a Coimbra provocou o colapso de um segmento da A1.

Em relação ao Rio Tejo, afirmou que “os caudais que estão a ser descarregados pelas barragens espanholas também diminuíram”.

Neste encontro com a comunicação social para um balanço a situação, Mário Silvestre apresentou os mais recentes dados oficiais que apontam para 18.947 ocorrências, entre 01 de fevereiro e as 12:00 de hoje.

Para responder a estas situações foram envolvidos 64.301 operacionais e empenhados 26.339 meios.

Mantém-se sem energia 26.000 clientes, dos quais 16.000 nos distritos de Leiria e Santarém, segundo dados da E-Redes, citados por Mário Silvestre.

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