Greve Geral: Primeiro-ministro convicto de que “esmagadora maioria” vai trabalhar

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, usa da palavra durante a sessão de abertura do Fórum Portugal Nação Global, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, 29 de abril de 2026. ANDRÉ KOSTERS/LUSA

 O primeiro-ministro mostrou-se neste dia 02 convicto de que a “esmagadora maioria dos portugueses que trabalha” vai trabalhar na quarta-feira, dia de greve geral.

À entrada para a conferência “50 Anos do Poder Local – Democracia, Desenvolvimento e Futuro”, iniciativa do Jornal de Notícias (JN), no Porto, e questionado sobre a greve geral de quarta-feira, Luís Montenegro disse “não fazer ideia” de qual será a adesão.

“Logo veremos, o que eu espero é que, como tenho a minha convicção, é de que a grande maioria, a esmagadora maioria dos portugueses que trabalha, vai trabalhar amanhã”, referiu.

Muitas vezes o que acontece, acrescentou, é que uma minoria consegue condicionar o trabalho dos outros.

“Eu espero que isso não aconteça, espero que se conciliem as duas coisas, que é, uns têm o direito a exercer o direito à greve e fazem-no, outros têm o direito a trabalhar e também o possam fazer”, frisou.

À chegada, e tal como vem sendo habitual nos locais onde tem estado presente, Montenegro tinha à sua espera cerca de 20 manifestantes a contestar o pacote laboral.

O primeiro-ministro destacou que esses manifestantes são “sempre os mesmos e são militantes acérrimos da CGTP”.

“O que eu posso dizer é que tenho gosto em vê-los quase todos os dias, que eles agora fazem parte do meu dia-a-dia, mas, sobretudo, dizer que temos um grande respeito pelos portugueses que querem emitir a sua discordância sobre alguns temas e querem fazer greve”, assinalou.

O social-democrata, que foi reeleito presidente do PSD, ressalvou que, apesar de ter grande respeito pelos portugueses que querem fazer greve, tem igualmente muito respeito pelos portugueses que querem trabalhar.

“Aquilo que eu espero é que deixem os portugueses trabalhar, isto é, deixem os portugueses que querem exercer um direito a poder exercê-lo, o direito à greve, mas também deixem aqueles que não querem exercer esse direito, que querem trabalhar, que querem ir para a escola, que querem ir às consultas médicas, que querem fazer aquilo que são as suas tarefas diárias que o possam fazer também”, assinalou.

A central sindical CGTP entregou um pré-aviso de greve geral para 03 de junho contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.

O Governo aprovou em Conselho de Ministros a proposta de lei de revisão da lei laboral, que será discutida no parlamento, uma semana depois de o executivo de Luís Montenegro ter dado por terminadas as negociações sobre as alterações à legislação laboral sem acordo na Concertação Social.

Paralisação

A paralisação de quarta-feira deverá contar com uma adesão alargada, com vários sindicatos de diversos setores a terem já anunciado a sua participação, nomeadamente a função pública, com destaque para saúde e ensino, bem como transportes, aviação, comércio, entre outros.

A greve geral levou já à supressão de 153 comboios da CP entre as 00:00 e as 16:00 de hoje, o que representa 19,3% dos 791 comboios programados, avançou a empresa.

De acordo com os dados da CP – Comboios de Portugal, no serviço de longo curso foram cancelados 17 dos 47 comboios programados, enquanto no regional foram suprimidos 67 entre os 188 previstos.

Nos urbanos de Lisboa, dos 363 programados dois foram suprimidos, enquanto no Porto 63 comboios foram cancelados entre os 172 programados.

Já em Coimbra estava agendada a circulação de 21 comboios, dos quais quatro foram suprimidos.

Para hoje, entre as 00:00 e as 16:00, os serviços mínimos previam a circulação de 25 comboios, tendo sido todos realizados.

No sábado, a CP tinha já alertado para possíveis perturbações na circulação de comboios entre hoje e quinta-feira, devido à greve geral de 03 de junho, e publicou os serviços mínimos previstos para os comboios urbanos, regionais e de longo curso.

“Por motivo de greve convocada pelos sindicatos SFRCI, SMAQ, ASCEF, ASSIFECO, FECTRANS/SNTSF, FENTCOP, SINDEFER, SINFA, SINFB, SINTTI, SIOFA, STF e SNAQ, para 03 de junho – dia de greve geral – preveem-se perturbações na circulação de comboios, com possíveis impactos também no dia anterior e seguinte”, alertou a transportadora ferroviária.

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