Da Redação
Com Lusa

“Macau, uma das importantes escalas na antiga rota marítima da seda, tem sido desde há vários séculos um local de encontro das culturas chinesa e ocidental, onde sempre coexistiram em harmonia várias etnias, religiões e culturas, e onde os macaenses e os portugueses aqui residentes têm desempenhado um papel vital”, afirmou, na apresentação das Linhas de Ação Governativa (LAG) para 2016 na Assembleia Legislativa de Macau.
“Continuaremos a promover a excelente tradição de harmonia entre diferentes comunidades e da coexistência multicultural, trabalhando junto da população para a prosperidade e o progresso da sociedade”, disse, na tradicional menção às comunidades portuguesa e macaense.
Casa-Museu
Essa semana, o governo anunciou ainda que a zona das casas-museu da vila da Taipa, em Macau, vai ser requalificada de modo a receber cafés, esplanadas, exposições e espaços de gastronomia, incluindo um restaurante português.
Desde 2013 que a Casa de Portugal em Macau vinha a pedir uma nova localização para o restaurante “Lusitanos”, que em 2011 abriu junto ao ex-líbris da cidade, as Ruínas de S. Paulo, sendo obrigado a sair dois anos depois por vontade do proprietário, o deputado Chan Chak Mo. No mesmo espaço abriu meses mais tarde uma loja de roupa.
A mudança para uma das cinco vivendas coloniais foi, na altura, sugerida pela associação, mas a proposta foi recusada. Como solução temporária, o “Lusitanus” mudou-se para a sede da Casa de Portugal em Macau, no centro da cidade, com um menu reduzido e preços mais baixos.
O secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Alexis Tam anunciou que deseja “mais vida” para a zona das casas-museu da Taipa, onde anualmente se realiza a Festa da Lusofonia.
“Queria convidar a Casa de Portugal para fazer parte do nosso projeto para explorar a zona das casas. Vamos montar um restaurante português, cafés e esplanadas. Podemos arranjar dinamizadores portugueses para tocar ali, todas as noites vai haver festa. Hoje não há sítio para ir, só hotéis”, disse o secretário.
“Temos sorte porque já existem casas bonitas, ao estilo português, de que os turistas gostam muito. É um sítio bonito, muito romântico”, afirmou, explicando que a ideia é também “aproveitar os produtos criativos para vender aos turistas chineses ou aos residentes locais”.
Outros países, como França, Itália e Brasil, vão também ser convidados para ali ter uma representação gastronômica e cultural, mas rotativa.
As casas-museu da Taipa datam do início do século XX e estão hoje defronte a um mangal, um lago de características pantanosas, com muita vegetação, incluindo flores de lótus, e dos poucos lugares em Macau onde se podem avistar garças.




