Da Redação com Lusa
A embaixadora ucraniana em Portugal pediu ao Governo português a adoção de “sanções especiais” contra cidadãos russos com nacionalidade portuguesa, apontando como exemplo o caso do milionário Roman Abramovich, acionista maioritário do clube inglês Chelsea.
Esta posição foi defendida pela diplomata ucraniana Inna Ohnivets em declarações aos jornalistas, depois de ter sido recebida, em São Bento, pelo primeiro-ministro, António Costa, num encontro que durou cerca de uma hora e em que também esteve presente o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.
Segundo Inna Ohnivets, entre outros temas, “foi discutida a possibilidade de o Governo português introduzir sanções contra a Rússia, não só no âmbito da União Europeia, mas também de sanções especiais”.
“Por exemplo, a situação do senhor Abramovich, que recebeu recentemente a nacionalidade portuguesa, mas que é um aliado estreito [do presidente russo] Vladimir Putin”, declarou a embaixadora.
Justificando a razão desta medida, a diplomata ucraniana defendeu que este milionário russo, “no futuro, pode ajudar Putin na continuação da guerra da Rússia contra a Ucrânia, financiando a aquisição de armamento”.
“Solicitamos, por isso, a possibilidade de o Governo português considerar a imposição de sanções adicionais contra cidadãos russos que usam a oportunidade de obter nacionalidade portuguesa e são aliados de Putin”, afirmou.
A Federação Russa lançou na quinta-feira de madrugada uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades.
O Presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de o país se defender e durará o tempo necessário.
O ataque foi condenado pela maioria da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos da América, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar o regime de Moscovo.
O primeiro-ministro, António Costa, manifestou nesta quarta-feira ao Presidente da Romênia, Klaus Iohannis, a sua gratidão pelo apoio prestado na segunda-feira para a concretização do plano de repatriamento de portugueses e ucranianos através de território romeno.
Esta posição do líder do executivo português sobre o plano de repatriamento de portugueses, luso-ucranianos e ucranianos de território da Ucrânia consta de uma mensagem que publicou na sua conta na rede social Twitter.
“Expressei ao Presidente da Romênia a nossa gratidão pelo apoio prestado à evacuação, na segunda-feira, [das zonas em que se encontravam] cidadãos portugueses e ucranianos da Ucrânia através do seu território”, escreveu António Costa.
Segundo o primeiro-ministro português, Klaus Iohannis, por sua vez, “agradeceu também a Portugal o envio para a Romênia de uma companhia de infantaria, no âmbito da NATO, para reforçar a segurança no flanco leste” da Europa.
A operação de repatriamento dos primeiros 38 cidadãos portugueses e luso-ucranianos provenientes da Ucrânia, que abandonaram aquele país do leste europeu devido à invasão russa, foi concluída na terça-feira.
Falando aos jornalistas no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva detalhou que “dois grupos atravessaram a fronteira da Ucrânia com a Moldávia e depois dirigiram-se à Roménia, onde convergiram”.
“A partir da Romênia, de Bucareste, foi possível organizar uma ligação aérea e é essa que agora termina”, observou o membro do Governo na terça-feira à noite.
Augusto Santos Silva indicou ainda que algumas pessoas ficaram em solo romeno.
“Algumas delas [pessoas] ficaram na Romênia, desde logo o senhor embaixador [na Ucrânia], os militares […] e outros funcionários da embaixada, que estão alojados na Roménia, enquanto não há condições para regressarem a Kiev”, disse o ministro.




