Museu da Língua Portuguesa em São Paulo será lançado em março

São Paulo – Porta de entrada da capital paulista e espaço onde se dava o primeiro contato dos emigrantes com o idioma do país no fim do século XIX, a Estação da Luz foi escolhida para abrigar o Museu da Língua Portuguesa, que será inaugurado em março deste ano.

Projeto de 36 milhões de reais que ocupa os três andares do antigo prédio administrativo da gare, o museu tem como locomotiva a literatura brasileira. Ela estará à espera dos visitantes passageiros no terceiro andar, onde começa a viagem. Lá fica a Praça da Língua, para a qual o compositor José Miguel Wisnik e o professor Arthur Nestrovski prepararam uma composição de pérolas da poesia e prosa nacionais.

Com cerca de 48 minutos (duração ainda provisória), o espetáculo audiovisual pretende promover diálogos entre as vozes de artistas como Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Tom Zé e Ferreira Gullar e imagens que ilustram as suas récitas, cerca de 99% vindas da literatura brasileira.

A apresentação será dividida em 21 módulos, alguns com um texto só, outros com textos unidos por um eixo. No segundo piso, na Grande Galeria, uma tela de 120 m² exibe filmes que revelam o uso do idioma nos afazeres do quotidiano. Para esse espaço, o crítico Alfredo Bosi compilou 100 textos representativos da literatura em língua portuguesa, numa linha de tempo do Brasil Colônia do século XX.

“O objetivo principal da linha foi a inclusão de obras de autores brasileiros de nascimento ou adoção que já nos deixaram”, explica Bosi, que percorreu as letras no país da carta de Pero Vaz Caminha e José de Anchieta. “E causa admiração que tantas diferenças de filiação regional, de classe social, de contingências históricas e de fisionomias individuais tenham alcançado exprimir-se na mesma língua”, diz Alfredo Bosi.

A viagem pela língua portuguesa termina no primeiro andar, onde a diretora de teatro Bia Lessa assina a primeira exposição temporária do museu, que, durante seis meses, homenageará os 50 anos de “Grande sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa.

“Ele é um ícone da língua portuguesa. Inventa o idioma ao mesmo tempo que constrói seus personagens. Não cheguei a ter dúvidas. A obra faz parte da minha vida. Guimarães Rosa é um profundo conhecedor da alma humana e o livro tem um diálogo com a morte, a coragem, os desejos. Algo que te dá mais intimidade contigo mesmo”, diz a diretora, que vai expor, em 480 m², uma reprodução de uma das três versões originais de “Grande sertão” de José Mindlin.

Por fim, num espaço da sala, será possível ouvir a cantora Maria Bethânia a ler 14 páginas do livro. “Ela tem o dom da palavra e a alma de Guimarães Rosa”, justifica Bia Lessa.

E. M.

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