Ramos Horta quer ONU a investigar ausência de 150 mil eleitores

Mundo Lusíada com Lusa

José Ramos-Horta, primeiro-ministro e candidato presidencial em Timor-Leste, pediu à ONU (Organização das Nações Unidas) na quinta-feira, 12 de abril, para “investigar” as mais de 150 mil pessoas que não teríam votado nas eleições de segunda-feira, dia 09.

“Peço, por favor, que as Nações Unidas investiguem porque é que (os alegados 150.000 timorenses) não votaram. Será que foi por causa do tempo, por não haver suficientes mesas de voto, ou votaram e os boletins desapareceram?”, questionou Ramos-Horta numa conferência de imprensa em Díli.

O Nobel da Paz defendeu, por outro lado, que as Nações Unidas deverão desempenhar um papel “mais ativo” no segundo turno das presidenciais, que acontecem no próximo 08 de maio, e nas legislativas, previstas para junho. A primeira volta das presidenciais foi totalmente organizada pelas autoridades timorenses, quer através da própria CNE quer pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE), embora com apoio das Nações Unidas. Ramos-Horta, que se apresenta como candidato independente, é o segundo mais votado de Timor, atrás do apoiado pela Fretilin, Francisco Guterres “Lu Olo”, embora os resultados sejam ainda provisórios e representem cerca de 70% do total.

Apesar da solicitação de Ramos-Horta, a CNE, através do seu presidente, Faustino Gomes, afirmou que “não existe base legal” para fazer a investigação. “Nada está escrito na lei a dizer que a CNE pode fazer uma recontagem”, afirmou Faustino Gomes, salientando que apenas o Tribunal de Recurso o pode ordenar.

O porta-voz da CNE, padre Marinho Gusmão, já admitiu a existência de alguns problemas nas assembléias de voto, tendo destacado que alguns dos elementos das diferentes mesas “não sabiam como contar devidamente os boletins de voto”. “Temos de admitir, humildemente, que tivemos uma falta de apoio técnico e de conhecimentos técnicos para efetuar os procedimentos em todo o processo eleitoral”, afirmou o porta-voz da CNE.

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