Festival de Artes Sino-Lusófonas em Macau exibe diversidade cultural do Brasil

Da Redação

A imensidão da diversidade cultural brasileira foi o tema de palestra em Macau, na China. A presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, representou o Brasil no Festival de Artes e Cultura Sino-Lusófonas, dias 7 a 8 de julho. Especialista em historiografia brasileira, ela apresentou, em língua portuguesa, a cultura brasileira.

Na plateia, representantes da China, Portugal, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. Na programação, esteve prevista uma visita ao centro histórico de Macau, reconhecido como Patrimônio Mundial da Unesco, onde se destacam edifícios de arquitetura jesuítica. 5% da população de Macau fala Português.

Em sua palestra, Kátia Bogéa abordou desafios de estar à frente de uma instituição com o propósito de promover e proteger a identidade e memória dos brasileiros e de buscar, nas diferenças, o que pode unir a todos.

A diversidade cultural brasileira é considerada uma das maiores do mundo. O país possui dimensões continentais: são mais de 8 milhões e 500 mil quilômetros quadrados de extensão, divididos em 27 estados. Um território não só de beleza natural e riqueza cultural, com 7 sítios reconhecidos pela Unesco como Patrimônio Natural, 14 bens do Patrimônio Cultural Mundial, 5 práticas reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Segundo ela, um território plural, que recebeu – e ainda recebe – influências de vários povos e nações. Uma pluralidade de origens que participaram da formação das identidades do que é a sociedade brasileira. Povos indígenas, de matriz africana, portugueses, árabes, japoneses, holandeses, entre outros, que ofereceram significativas contribuições para a nossa cultura.

Segundo o governo português, em território brasileiro vivem 254 povos indígenas. Até 2017, havia 3018 comunidades quilombolas certificadas. Mais de 250 línguas são faladas no Brasil, entre indígenas, de imigração, de sinais, crioulas e afro-brasileiras, além do Português e suas variedades. Entre elas, há sete línguas reconhecidas como referência cultural brasileira, como a língua Asurini, da família linguística Tupi-Guarani.

Vivem em no território brasileiro inúmeras comunidades tradicionais, como os Caiçaras do Paraná e os Ribeirinhos da Amazônia. Todas elas carregam crenças, visões de mundo, saberes e fazeres diversos que constroem, em um processo dinâmico, um povo festivo, devoto, criativo e extremamente orgulhoso de suas tradições.

Festival

A exposição Chapas Sínicas, um retrato de Macau durante a dinastia Qing, é um dos eventos que marcou a inauguração do “centro de intercâmbio cultural entre a China e os países lusófonos” em Macau.

Segundo o Instituto Cultural (IC) de Macau, a 1.ª edição do Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os países de língua portuguesa, abre “um novo capítulo” no intercâmbio cultural e humanístico entre estes países.

Inscritas na UNESCO desde o ano passado, as Chapas Sínicas documentam a permanência dos portugueses em Macau e a negociação com o império chinês, numa cidade onde as duas comunidades coabitavam. A exposição cruza imagens e documentos que ajudam a “construir um retrato vivo de Macau”, indicou a entidade. O festival integra também a Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa, para a qual os fundadores da galeria Underdogs – Alexandre Farto (Vhils) e Pauline Foessel – partem como curadores da exposição Alter Ego.

De acordo com o IC, a primeira edição dedica-se às “múltiplas facetas da arte contemporânea” e reúne obras representativas do interior da China, das regiões especiais — Macau e Hong Kong — e dos oito países de língua portuguesa (Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste).

Entre um total de quatro exposições, contam-se obras dos portugueses Miguel Januário (conhecido por maismenos), Wasted Rita, Ricardo Gritto e do estúdio de design Pedrita. Na programação esteve ainda Festival de Cinema entre a China e os Países de Língua Portuguesa, de 30 de Junho a 13 de Julho, conta com um total de 24 filmes em 23 sessões de projeção.

Por último, foi apresentado o Fórum Cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa, um evento dedicado à “diversidade cultural” com oradores e especialistas de vários países. O objectivo, recordou o IC, é “contribuir para a consolidação de Macau como plataforma de intercâmbio e cooperação cultural sino-portuguesa”.

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