Por Odair Sene
O Brasil realizou um evento tentando vender a idéia de proteção do meio ambiente justamente numa região conhecida como o “pulmão do mundo”. Por isso o principal objetivo da COP30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, foi avaliar o progresso global no combate às mudanças climáticas e definir novos compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
O evento, realizado em Belém do Pará (Brasil), teve como foco central a implementação de ações para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus Celsius, conforme estabelecido pelo Acordo de Paris. Mas os exemplos para a realização da própria conferência, não foram bem recebidos pela população local, por visitantes, pelos líderes mundiais que não compraram a idéia, e nem pelas delegações presentes.
As críticas começaram primeiro pelos jornalistas que expuseram os problemas de estrutura, falta de organização, mostrando preços abusivos nos alimentos, além do desprezo justamente nas questões climáticas.
A conferência, que deveria ser a mais importante da ONU, chegou a ser chamada de “Micareta do Clima” após um “ridículo” desfile de atores vestidos de bichos que virou chacota internacional, repercutindo negativamente, seguindo de informações sobre derrubadas de 100 mil árvores para construção de uma avenida de 14 km em volta de Belém, o que teria sido motivo de criticas da imprensa internacional e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que publicou na rede social Truth Social, (dia 9), dizendo que a Amazônia teria sido “destruída” para a construção de uma estrada.
“Eles destruíram a floresta amazônica no Brasil para a construção de uma rodovia de quatro faixas para que ambientalistas pudessem viajar”, escreveu Trump, acrescentando que o caso “se tornou um grande escândalo”. Junto com a mensagem, ele compartilhou um vídeo de quatro minutos de uma emissora americana com reportagem feita pelo enviado a Belém.
Entre outras notícias, teve o assunto do funcionamento de 160 geradores movidos a diesel para sustentabilidade energética num espaço cheio de aparelhos de AR Condicionado, que também virou um escândalo por conflitar com questões climáticas. Além de, o evento acontecer em uma região com enormes problemas sociais, de saneamento, falta de moradia, falta de hospitais, escolas, etc. O que levou a oposição no Brasil a questionar o volume de recursos gastos, sem compromissos dos principais líderes mundiais como China, EUA e Alemanha que não vão dispor seus recursos.
Com promessa de ‘proteger a floresta’, o Brasil esperava arrecadar entre US 10 bilhões a US 25 bilhões para o anunciado “Fundo para Florestas Tropicais” (Tropical Forests Forever Fund, ou TFFF), porém conseguiu não mais que 5 bilhões, sendo 1 bilhão do próprio Brasil, ou seja, um fiasco na visão dos críticos.
Sem esquecer dos dois luxuosos navios de Cruzeiro que foram contratados pelo governo brasileiro para hospedar cerca de 6 mil pessoas, atracados em um bairro da periferia de Belém (onde inclusive falta água potável aos moradores). Os navios funcionaram 24 horas por dia, consumindo quantidades consideráveis de óleo diesel e despejando centenas de toneladas de gases poluentes e outros resíduos no meio ambiente.
Por esses e outros problemas, a COP30 obteve menos da metade de chefes de Estado presentes em relação a outras edições, mostrando desinteresse e falta de confiança na gestão política local.
Reclamação da ONU – A Organização das Nações Unidas chegou ao extremo de enviar uma carta ao governo brasileiro reclamando da “Falta de Estrutura e Vulnerabilidade na Segurança” – também “Problemas de Infraestrutura” referido por delegações, relato na sala de imprensa, também sobre “banheiro feminino interditado por falta de água”, falhas no ar-condicionado, jornalistas e membros das delegações se molharam devido a água da chuva ter penetrado no local. Fora os problemas de segurança causados por protestos, invasões, etc. Após a reclamação, o efetivo da Força Nacional aumentou significativamente. A Força Nacional chegou ao local e praticamente dobrou o número de agentes no dia seguinte ao relato da carta.
A ONU solicitou que o Ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o embaixador André Corrêa do Lago (presidente da COP) fizessem as adequações necessárias tanto na infraestrutura quanto na segurança, causando – com a reclamação – enorme constrangimento ao Brasil.
Conclusão, a COP30 não é o que pode se chamar de “sucesso”. Teve protestos de grupos indígenas e da Cúpula dos Povos, criticando a falta de maior participação popular nas decisões e a omissão dos países em relação a questões essenciais. Protesto também resultou em confrontos e feridos na Zona Azul, um espaço tradicionalmente diplomático e seguro, gerando um clima de tensão. O evento foi marcado por impasses importantes e pouco avanço nos temas principais, como o financiamento climático e a atualização das metas de redução de emissões. As divergências entre países ricos e em desenvolvimento continuam sendo um obstáculo central.
Em resumo, a COP30 enfrenta desafios significativos e críticas que levantam a possibilidade de um fracasso em termos de resultados concretos e organização. Porém (e apesar de tantos pontos) ainda é cedo para uma avaliação final, pois as negociações mais importantes ocorrem na segunda semana, e o sucesso de uma COP muitas vezes é medido a longo prazo.
O evento principal, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, começou no dia 10 de novembro e se encerra em 21 de novembro de 2025, embora a Cúpula de Líderes, um evento que a antecede, tenha ocorrido nos dias 6 e 7 de novembro, e contou com número reduzido de líderes.
Odair Sene
Editor do Mundo Lusíada




