O centenário do nascimento do artista luso-brasileiro Fernando Lemos (1926-2019) vai ser celebrado com exposições em Portugal e no Brasil, e várias outras iniciativas, desde edições a ‘podcasts’, anunciou hoje a Fundação Cupertino de Miranda.
O primeiro momento vai acontecer já esta semana, com a inauguração, na sexta-feira, da exposição “As Imagens que nos Olham”, na Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, com curadoria de Marlene Oliveira e Perfecto Cuadrado, a partir das obras da coleção da própria fundação.
Esta mesma exposição vai ser apresentada na Fundação Eugénio de Almeida, em Évora, entre 28 de março e 08 de novembro, e no Museu Municipal de Tavira, no distrito de Faro, entre 14 de novembro e 03 de abril do próximo ano, estando também prevista a sua passagem por Lisboa, em data e local por confirmar, anunciou hoje a Fundação Cupertino de Miranda, que se associou à Fundação Calouste Gulbenkian e ao Instituto Moreira Salles (IMS) para a celebração dos 100 anos do artista que foi fotógrafo, poeta, publicitário, professor, entre outros ofícios.
“Fui estudante, serralheiro, marceneiro, estofador, impressor de litografia, desenhador, publicitário, professor, pinto, fotógrafo, tocador de gaita, emigrante, exilado, diretor de museu, assessor de ministros, pesquisador, jornalista, poeta, júri de concursos, conselheiro de pinacotecas, comissário de eventos internacionais, ‘designer’ de feiras industriais, cenógrafo, pai de filhos, bolseiro, e tenho duas pátrias, uma que me fez e outra que ajudo a fazer. Como se vê, sou mais um português à procura de coisa melhor”, disse o próprio, citado num texto da curadoria de “As Imagens que nos Olham”, que tem como destaque o célebre autorretrato.
Em setembro, a fundação sediada em Vila Nova de Famalicão, no distrito de Braga, vai receber a exposição “Cadavre Exquis”, patente até janeiro de 2027, com curadoria de Marlene Oliveira e Jorge Barbosa, na qual 80 fotógrafos contemporâneos, amadores e profissionais, artistas e fotojornalistas, vão interagir com a obra de Fernando Lemos, explicou o presidente da Fundação Cupertino de Miranda, Pedro Álvares Ribeiro.
A lista inclui nomes do fotojornalismo como Fernando Veludo, Ana Baião, Tiago Miranda, Daniel Rocha, Ana Brígida e Alfredo Cunha, mas também outros profissionais como o gestor e administrador não-executivo da Gulbenkian Pedro Norton, o músico Sérgio Godinho e os escritores José Eduardo Agualusa e Rui Cardoso Martins, entre muitos outros.
Também em setembro, mas na outra margem do Atlântico, nas palavras do diretor do IMS, João Fernandes, vai ser inaugurada, em São Paulo, a exposição “Desocultação”, com curadoria de Thyago Nogueira a partir do arquivo de Lemos, que está em grande parte na posse do IMS.
Pedro Álvares Ribeiro sublinhou que as comemorações do centenário vão incluir várias outras iniciativas como a edição de um catálogo, um ‘ebook’ infantil, visitas guiadas, uma ‘masterclass’, concurso escolar de fotografia, oficinas, a exibição do documentário de Jorge Silva Melo sobre Lemos (“Fernando Lemos – Como, Não é Retrato?”) e a produção de trabalhos radiofónicos e em formato ‘podcast’.
Já o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, António Feijó, sublinhou que se trata do centenário de “um dos mais importantes artistas portugueses do século XX”, elogiando a reunião das três entidades promotoras para um “programa riquíssimo”, no que será uma iniciativa “rara e dificilmente repetível”.
Fernando Lemos nasceu em 1926, em Lisboa, estudou na Escola de Artes Decorativas António Arroio e na Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo pertencido ao Grupo Surrealista de Lisboa e feito uma série de fotografias entre o fim da década de 1940 e o início da de 1950 que se destacaram no seu trabalho, antes de rumar para o Brasil.
Segundo João Fernandes, foi um “artista que construiu pontes”, através da sua vida, do seu trabalho e “da sua inquietação”, que também passou por uma componente ativista. Lemos morreu, em São Paulo, em 2019.




