Aeroporto de Lisboa vai ter reforço de capacidade na fronteira a partir desta sexta

Novo sistema de controlo (de cidadãos fora do Espaço Schengen) das fronteiras externas, instalado no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, 15 de abril de 2025. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

O aeroporto de Lisboa vai ter a partir de hoje um reforço de 48 agentes da PSP e mais ‘boxes’ e ‘e-gates’, segundo o Ministério da Administração Interna (MAI).

Para agilizar o controle de fronteiras, o aeroporto de Lisboa passa a ter 34 ‘boxes’ [postos de controle de documentos] nas chegadas, mais 14 do que as atuais, e 18 nas partidas, mais quatro.

Na fronteira automática o aeroporto passa a ter 31 ‘e-gates’ [portas eletrónicas] nas chegadas, mais 14 do que as atuais, e 18 nas partidas, mais quatro.

“Após a conclusão destas obras de expansão e instalação no aeroporto de Lisboa, está também previsto, durante os meses de junho e julho, o reforço da capacidade de controle de fronteira nos aeroportos do Porto e de Faro, através do aumento do número de ‘boxes’ e da instalação de novos ‘e-gates’”, acrescentou o MAI.

Portugal iniciou a implementação do Sistema de Entrada/Saída da União Europeia, conhecido pela sigla inglesa EES – que substituiu os tradicionais carimbos no passaporte por registos digitais – e o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagem, ETIAS, em 12 de outubro de 2025, mas em 11 e 12 de abril deste ano a recolha de biometria nas partidas dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro foi suspensa devido a tempos de espera acima do desejado para os passageiros embarcarem.

Mais agentes

O ministro da Administração Interna (MAI) anunciou que o Governo quer avançar com dois cursos anuais de formação de agentes da PSP, defendendo que o reforço de efetivos é essencial para melhorar a operação nos aeroportos.

“Tudo aponta de uma forma quase e absolutamente inequívoca que, dentro de dias, teremos mais 600 e muitos novos agentes (…) que aqui entrarão para, no final do ano, os termos a trabalhar”, afirmou Luís Neves à Lusa, quinta-feira no encerramento do 21.º Curso de Formação de Agentes da PSP em Torres Novas, distrito de Santarém.

O governante disse esperar que a PSP passe a ter “dois cursos por ano”, algo que considerou inédito “em mais de década e meia”, estando já previsto para junho o arranque de um novo curso de formação com 683 candidatos, depois de a corporação não ter conseguido preencher as 800 vagas previstas.

“Tudo o que estiver ao alcance do Governo, tudo faremos para que haja dois cursos por ano”, assegurou.

A cerimônia marcou o final da formação de 570 novos agentes da PSP, dos quais 360 vão reforçar a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF), responsável pelo controle de fronteiras nos aeroportos portugueses, enquanto os restantes 210 serão colocados no Comando Metropolitano de Lisboa.

Segundo Luís Neves, os agentes destinados à UNEF iniciam agora formação especializada e estarão ao serviço a partir de 03 de julho, integrando o plano de contingência da PSP para o verão destinado a reduzir as filas de passageiros provenientes de fora do espaço Schengen.

“São 360 jovens, cheios de vontade e cheios de garra, que agora vão entrar em formação especializada”, afirmou.

Segundo dados da PSP, 150 destes agentes serão colocados no aeroporto de Lisboa, 90 no Porto, 70 em Faro, 30 nos Açores e 20 na Madeira.

O ministro reconheceu os problemas registados nos aeroportos, sobretudo nas filas de controlo de fronteiras, mas considerou que a situação deverá melhorar nos próximos meses.

“Estamos a encontrar caminhos, todos os dias, para que a operação aeroportuária seja cada vez de melhor qualidade e de maior celeridade”, disse, tendo feito notar que o aumento do fluxo de passageiros agravou a pressão sobre as infraestruturas aeroportuárias.

“Em 10 anos a entrada de passageiros no país subiu 65%, as instalações são as mesmas”, afirmou, acrescentando que o problema não pode ser imputado apenas à PSP.

O governante referiu ainda melhorias tecnológicas e obras em curso no aeroporto de Lisboa, além de alterações operacionais em Faro, aeroporto que visitou na quarta-feira.

“Nós vamos melhorar substancialmente aquilo que se passa nos nossos aeroportos”, garantiu.

O ministro acusou também alguma “manipulação de imagens” divulgadas sobre as filas nos aeroportos.

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