Adaptação às alterações climáticas é “a maior questão” de Portugal – ministra do Ambiente

Estrada inundada pelo Rio Tejo em Vale da Pedra, Ponte do Reguengo, Cartaxo 10 de fevereiro de 2026. Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

A ministra do Ambiente alertou que a adaptação às alterações climáticas é “a maior questão” do país e que as crises resultantes da mudança do clima mostram a importância dos sistemas de alerta.

Maria da Graça Carvalho falava no início da XIII Conferência Ibero-Americana de Ministros do Ambiente e Clima quarta-feira, que decorreu em Málaga, Espanha, altura em que relacionou a importância dos sistemas de alerta precoce para eventos extremos e as recentes tempestades do país.

Recordando que acompanha há 25 anos as questões das alterações climáticas, considerou que estas já não são o futuro, mas estão a acontecer.

Para a ministra, a adaptação às alterações climáticas “é a maior questão” que existe em Portugal.

Na intervenção apontou que Portugal é “extremamente vulnerável” e disse que desde que assumiu a pasta, há cerca de dois anos, já houve seis grandes crises no país, todas ligadas às alterações climáticas.

Além de uma “seca extrema” no sul de Portugal e de grandes incêndios florestais nos últimos dois anos registou-se este ano o “maior carrossel de tempestades de que há registo em Portugal”, situações que mostram a necessidade de sistemas de alerta e de se preparar o país para ser mais resiliente, com estruturas mais preparadas para resistir.

“Tivemos sete tempestades, seis de chuva e uma de vento”, recordou, acentuando a necessidade de maior resiliência quanto ao vento, na rede elétrica, nos diques ou no litoral. Quanto à chuva Portugal, disse, tem um bom sistema de alerta e uma boa cooperação com Espanha.

A XIII Conferência Ibero-Americana de Ministros do Ambiente e Clima aprovou hoje a Agenda Ambiental Ibero-Americana, um roteiro, composto por 16 ações-chave, que orientará a resposta dos países à crise climática, à perda de biodiversidade e à poluição.

Na conferência estiveram presentes ministros de Espanha, Portugal, Guatemala, Panamá, Uruguai, Andorra e México (este último participando remotamente), e representantes (não ministros) da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, Honduras, Peru, República Dominicana, Venezuela e Chile.

O encontro foi aberto pela ministra da Transição Ecológica e Desafio Demográfico de Espanha, Sara Aagesen, que realçou que a cimeira é fundamental por representar um “símbolo de compromisso, diálogo e defesa do ambiente e do direito internacional”.

A Agenda Ambiental Ibero-Americana (AAI), estabelecida por mandato da Cimeira Ibero-Americana realizada em Santo Domingo em 2023, é o resultado de 14 meses de trabalho colaborativo e visa consolidar um espaço comum de cooperação técnica e diálogo político que posicione as duas regiões como um espaço comprometido com o desenvolvimento sustentável.

Com uma duração inicial de quatro anos, a AAI abrange quatro áreas temáticas: alterações climáticas; biodiversidade e ecossistemas; recursos hídricos e oceanos; e poluição e resíduos sólidos, e engloba 16 ações, uma das quais horizontal, com o objetivo de promover a sinergia entre as redes ambientais ibero-americanas.

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