Maioria das mulheres pretende votar a favor da despenalização do aborto

Antonio Cotrim / Lusa

Duarte Vilar (d), Presidente Executivo da Associação Planejamento Familiar, acompanhado por João Constantino Silva, durante a apresentação do Projeto Opções e Estudo sobre a "Situação do aborto em Portugal

 

Um inquérito realizado entre duas mil mulheres de norte a sul do país concluiu que 56,5% das mulheres são a favor do sim, 22,4% do não e 21,1% vão abster-se. Delas, 75,1% que já fizeram abortos pretendem votar a favor da despenalização e que 16,7% destas não pretende participar na votação. O estudo salienta contudo que 8,2% das mulheres que já abortaram tencionam votar contra a despenalização. Entre as mulheres que afirmam nunca ter interrompido voluntariamente a gravidez, 53,4% pretendem ainda assim votar a favor da despenalização, 24,8% contra e 21,9% não votam.

O grau de instrução das participantes revela ter peso na intenção de voto: a maioria das mulheres que pretendem votar a favor da despenalização tem o ensino superior, ao passo que entre as que são contra a despenalização, a maioria tem o ensino básico. Sobre religião, as defensoras da despenalização são na grande maioria praticantes ocasionais ou ateias. Entre as praticantes freqüentes, há um maior número de mulheres a pretender votar contra, mas é também neste grupo que se encontra menor discrepância entre as diferentes intenções de voto.

O estudo revela ainda que a maioria das mulheres concorda com o aborto quando a gravidez não é desejada, sendo que perto de metade (48,5%) das inquiridas que defendem esta posição nunca abortou. Quase todas, quer tenham já interrompido ou não uma gravidez, defendem a sua prática nos casos já previstos na lei (saúde da mulher em risco, malformação do feto ou violação).

Diante da atual legislação, o inquérito conclui que 62,4% das inquiridas consideram que a atual legislação deveria ser mais aberta, contra 29,8% que entendem que não devia ser alterada e 7,8% que queriam que fosse ainda mais restrita. Um terço das mulheres completam aborto nos serviços de saúde Uma em cada três mulheres que fizeram Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) teve necessidade de recorrer a um serviço de saúde para completar o aborto, segundo um estudo da Associação para o Planejamento da Família (APF) apresentado em 13 de dezembro.

De acordo com o estudo base sobre as práticas do aborto em Portugal, cerca de 14,5% das mulheres entre os 18 e os 49 anos já fez IVG. De acordo com as associações, as portuguesas praticaram entre 17.260 a 18 mil abortos no último ano e que já realizaram a IVG entre 346 mil a 363 mil mulheres.

O método de aborto mais utilizado foi a raspagem, seguido de comprimidos e aspiração. Em relação aos comprimidos, a maioria das mulheres arranjou-os através de uma pessoa amiga. Segundo este estudo, 34,5% das mulheres teve necessidade de recorrer a um serviço de saúde para completar o aborto. As hemorragias são os problemas mais freqüentes da IVG, seguidas de problemas emocionais. Para resolver estes problemas, 31,9% das mulheres recorreram ao médico particular ou ao hospital (21,3%) e 27,4% teve necessidade de internamento. A investigação da APF apurou 14,3% de mulheres que foram praticar a IVG na Espanha, realizando o restante em Portugal. << voltar

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