Por Odair Sene
Exatamente neste “25 de Abril”, dia em que se comemorava 52 anos da “Revolução dos Cravos”, aconteceu nas dependências do Arouca SP Clube, o lançamento do livro “30 Mulheres, 30 Histórias – Vozes da Comunidade Luso-Brasileira”, de autoria de Carina Teixeira Rodrigues e prefácio de ninguém menos que Maria Manuela Aguiar, a primeira mulher a assumir o cargo de Secretária de Estado das Comunidades Portuguesas (na década de 1980), sendo que o seu percurso sociopolítico somou ainda, eleição como deputada pelos círculos da Europa (1985), Porto (1987), Aveiro (1991) e pelo círculo Fora da Europa, em 1995, 1999 e 2002. “Uma honra enorme ter o prefácio de uma pessoa com essa importância – política e social”, disse a autora Carina Teixeira.
A obra reúne testemunhos inspiradores de mulheres da comunidade luso-brasileira de São Paulo, dando voz a percursos marcados pela resiliência, dedicação e espírito de iniciativa. Como bem descreveu o Consulado de Portugal numa nota, trata-se de uma homenagem a mulheres que, “através do seu trabalho, da cultura, do associativismo e da solidariedade, contribuem diariamente para a construção de pontes entre Portugal e o Brasil, desempenhando um papel ativo na preservação e renovação da identidade portuguesa”.
O evento foi grande, teve jantar, encheu o salão principal do Arouca SP Clube, contou com música ao vivo com os requisitados “Os Tugas das Concertinas”, além do representante do Consulado, Cônsul Adjunto Jorge Rodrigues, como também do presidente do Conselho da Comunidade (CCLB) Antero Pereira, e outros líderes associativos, como o presidente do Arouca Antonio Carlos Fernandes, o presidente do Gebelinense Franhklin Antero de Sá Pereira e membros de casas co-irmãs.
A organização recebeu e apresentou todas as co-autoras que participaram da obra com suas histórias. Carina Teixeira contou com protocolo da também participante Fabíola Vaz, e falas do Franhklin Pereira, do Cônsul Adjunto Jorge Rodrigues e do presidente do Conselho Antero Pereira durante a solenidade.
Destaque para a fala do Cônsul Adjunto, Jorge Rodrigues dizendo que as mulheres só passaram a ter “plenitude de direitos em Portugal” após a revolução do 25 de abril. Dando como exemplo a diplomacia lusa, que antes de 1976, achava que uma mulher não podia ser diplomata – “tivemos as primeiras mulheres a chegar a embaixadoras apenas há poucos anos”, disse ele completando que atualmente o Estado não diz “o que elas tem de ser ou não, podem ser diplomatas, donas de casa ou aquilo que decidirem”, falou revelando que seu avô, advogado, nunca pôde ser juiz, “porque assinou uma petição a favor dos direitos das mulheres”.
Jorge Rodrigues completou dizendo que – “Hoje o 25 de Abril trouxe-nos muitas liberdades, inclusive a de criticar o 25 de Abril, que também seria impossível antes do 25 de abril”, e afirmou que faz todo o sentido “termos 30 mulheres da nossa comunidade que, à sua maneira, lidaram com os desafios de serem mulheres, de estarem nesta comunidade, de terem de traçar caminhos que muitas vezes não tinham sido ainda traçados”, disse ressaltando a identidade portuguesa (delas), “terem desafios muito concretos ao longo das suas vidas”.
Depois dos cumprimentos e mensagens ditas por Antero Pereira e o presidente da casa Antonio Carlos Fernandes, seguiu-se as apresentações e confraternização entre os presentes.
Ao Mundo Lusíada, a autora Carina Teixeira Rodrigues, que organizou a inédita obra, disse que a ideia surgiu do seu livro anterior, lançado no mês de dezembro (2025) nas dependências do Consulado Geral intitulado “Entre Dias e Vidas”, que conta um pouco da sua história pessoal. “Eu pensei, por que não outras mulheres também contarem as suas histórias? Então eu só reuni amigas que além de contar a história de vida, entre superações, alegrias, tristezas, enfermidades, elas também pudessem contar como elas são inseridas na comunidade portuguesa, que é onde eu tenho o maior ciclo de amigas”.
A ideia portanto foi trazer a história de vida dessas mulheres, junto com a cultura portuguesa, e reunir essas histórias em um livro criando aí um projeto vitorioso e que foi abraçado por tantas pessoas. “Eu me emocionei muito lendo [as histórias] porque todas as histórias se entrelaçam”, disse Carina que reuniu 30 diferentes histórias de vida e diz que sempre uma história vai se encontrar em outra “em algum momento da vida”.
Questionada sobre o futuro, e para onde isso vai, Carina Teixeira revelou uma possibilidade aventada há dias, e que seria reunir em um novo projeto, as histórias de 30 homens como uma ideia que pode sim acontecer em breve. “Os homens estão pedindo ’Os 30 Homens’ aí eu brinco com eles, dizendo que vai ser muita mentira no livro”, brincou ela agradecendo a comunicação social que esteve presente e as pessoas que apoiaram este grande e inédito projeto editorial.





