Da Agencia Lusa
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O primeiro-ministro são-tomense, Rafael Branco disse à Agência Lusa que pretende discutir com Portugal a perspectiva de São Tomé e Príncipe utilizar o euro como moeda nacional, em substituição da dobra. O primeiro-ministro que estava numa audiência com o chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva, em 15 de setembro, mostrou-se esperançoso em que as negociações, que ocorrerão nos próximos meses, permitam que o euro possa tornar-se a moeda local – mas sem adiantar datas. "Acreditamos que é possível definir as modalidades e a conveniência de São Tomé e Príncipe, possa se ligar ao euro", afirmou Branco. "Cada país tem um caminho próprio e o de São Tomé e Príncipe passa pelo estreitamento das relações com Portugal e Angola e é natural que nesse quadro, no âmbito da sua inserção na economia mundial, a questão da moeda seja colocada e debatida de maneira frontal", disse. A criação de parcerias estratégicas com Angola e Portugal são importantes para São Tomé, e, de acordo com Branco, “essa cooperação é fundamental para o desenvolvimento sustentado do país”. Branco ainda acrescentou que o país vive grandes dificuldades econômicas e financeiras. Além disso, disse que as receitas do petróleo estão ainda muito distantes e que dificilmente o país poderá contar com elas antes de 2014 ou 2015. "Já me acusam de não querer falar do petróleo, mas não há nada a esconder. No futuro próximo não se prevêem as receitas do petróleo", observou. O primeiro-ministro são-tomense disse também que, apesar da tensão política existente no passado no país, a situação política é agora é estável. "O governo tem uma maioria considerável na Assembléia Nacional e as relações com o presidente Fradique de Menezes se fazem de forma constitucional, com muita colaboração, apoio e solidariedade", disse. No entanto, reconheceu que a estabilidade social em São Tomé e Príncipe é "tão importante" como a parlamentar. O governo assume que os custos de vida para a população tem aumentado, fruto da crise internacional, principalmente da subida dos preços dos alimentos e do petróleo. Além disso, o baixo nível dos salários e da produtividade também afetam a população. "Tudo isto cria uma situação extremamente difícil para os cidadãos, que, num curto prazo, não há condições para resolver. Temos tomado medidas para diminuir o impacto negativo, mas a única saída é começar a produzir mais, a gerir melhor os escassos recursos que temos e atrair o investimento privado", concluiu. Além de um encontro com Sócrates, Rafael Branco tem também previsto um encontro com o ministro português das Relações Exteriores, Luís Amado, além de uma visita, na terça-feira, à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da qual já foi secretário-executivo adjunto de 1996 a 2000.
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