Rua Garrett, Lisboa

Foto Jean Carlos Vieira Santos

Por Jean Carlos Vieira Santos

Ao escrever sobre a Rua Garrett, fica impossível não associar essa paisagem lisboeta a elementos genuínos do olhar do turista que repetidas vezes a visitou, quer seja para uma simples caminhada sem compromisso com os melhores sítios ou ao se sentar sereno para um café com pastel de nata. Torna-se marcante a visitar em várias ocasiões e a ouvir a partir do movimento humano, passados quase 20 anos da minha primeira vez nesse lugar.

A Rua Garrett é um roteiro de sentidos no Chiado, uma referência intelectual e de inesquecíveis tertúlias de Lisboa do século XX. Ligada pelo Largo do Chiado e pela Rua do Carmo, tal via situa atrativos que, aos olhos deste turista, merecem ser visitados e conhecidos, pois marcam a identidade do local: a Livraria Bertrand, A Brasileira e a representação em bronze de Fernando Pessoa, a Livraria Sá da Costa e a Pastelaria Benard – os dois últimos lugares serão apresentados em uma próxima narrativa.

Então, A Brasileira do Chiado contempla um cenário de tertúlias, literatura e intelectuais com referências locais e globais ao mesmo tempo. Esse estabelecimento combina a dinâmica cultural urbana contemporânea com a profundidade da história associada a Almada Negreiros, António Palolo e ao poeta que defendia a liberdade e a dignidade humana julgadas por ele como ameaçadas ao final da própria vida. Velhos/novos tempos; por isso, A Brasileira é uma experiência única e inapagável.

Na sequência da caminhada pela Rua Garrett, entramos na Livraria Bertrand, reconhecida pelo Guinness World Records em 2011 como a mais antiga do mundo em atividade. O Geógrafo viajante que escreve estas linhas tem o sentimento que gostaria de passar o tempo inteiro imerso entre vários livros, mas, infelizmente, a realidade nos chama para estar em outros destinos.

Antes de partir desse ilustre lugar […]. E o café da Bertrand? Para este turista, é um espaço nostálgico não apenas pela imagem de Fernando Pessoa na parede, mas também para quem gosta de conversar sobre Lisboa e assina qualquer narrativa do destino. As paredes externas do estabelecimento são cobertas por azulejos nas cores azul e branco, algo impossível de ser evitado por representar um espaço de sentidos.

De fato, foi – e será sempre – para nós um acontecimento, um privilégio regressar a essa rua lisboeta, por nos inspirar a continuar a ler, a escrever, a viajar e a ritualizar a vida. Se esteve na capital de Portugal e ainda não fez o passeio cultural, anote aí na sua agenda: a Rua Garrett é parada obrigatória.

Jean Carlos Vieira Santos

Professor e Pesquisador da Universidade Estadual de Goiás (UEG/TECCER-PPGEO). Pós-doutorado em Turismo pela Universidade do Algarve (UALg/Portugal) e Doutorado em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (IGUFU/MG).

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