O goleiro Diogo Costa foi a ‘muralha’ de Portugal no Mundial2026 de futebol, numa campanha em que Cristiano Ronaldo despediu-se com o recorde de Eusébio no ‘bolso’ e em que Renato Veiga mostrou que está para ficar.
De regresso a casa após o desaire com a Espanha (1-0) nos oitavos de final, a seleção nacional ficou longe de deslumbrar nos Estados Unidos e no Canadá e teve muitas unidades longe do habitual rendimento, como Rúben Dias, Vitinha, João Neves, Bruno Fernandes e Bernardo Silva.
Fica a dúvida se isso aconteceu por má forma dos próprios jogadores ou se por incompatibilidade com as ideias de Roberto Martínez, que confirmou a sua saída do cargo de selecionador luso logo após o desaire em Arlington, no estado do Texas.
No meio desde desaparecimento de algumas da principais ‘estrelas’, o guardião Diogo Costa fica para a história como a principal figura na nona presença de Portugal em Campeonatos do Mundo, com um conjunto de boas exibições, sobretudo nos últimos três jogos na competição.
O guardião de 26 anos impediu a derrota frente à Colômbia (0-0), no último jogo da fase de grupos, foi determinante no apuramento nos 16 avos de final com a Croácia (2-1) e adiou ao máximo o golo da Espanha nos ‘oitavos’.
Nesses três jogos, Costa reservou lugar entre os melhores guarda-redes do Mundial2026 e vai aparecer de certeza várias vezes nos ‘highlight reels’ que vão ser feitos mais tarde com as melhores defesas da competição.
Diogo Costa foi totalista nos jogos de Portugal, algo que já seria esperado, mas não foi o único. Renato Veiga também viveu todos os minutos, neste caso já inesperado.
O central do Villarreal ganhou o lugar a Gonçalo Inácio no início da prova e nunca mais o deixou fugir, com exibições de bom nível em todos os jogos, conseguindo ‘disfarçar’ o mau momento de forma de Rúben Dias, que chegou ao Campeonato do Mundo com apenas um jogo competitivo pelo Manchester City nos últimos três meses.
Dias falhou o jogo de estreia frente à República Democrática do Congo (1-1), com Tomás Araújo a aparecer como titular, mas regressou para ficar com o Uzbequistão (5-0), embora nunca tenha ficado perto daquilo que é o seu verdadeiro potencial.
A viver o seu sexto e último Mundial, aos 41 anos, Ronaldo despediu-se com três gols e, finalmente, ultrapassou o recorde de Eusébio como melhor marcador português na competição, somando um total de 11, em 27 jogos.
O ‘bis’ frente ao Uzbequistão deitou por ‘terra’ a marca de nove golos do ‘pantera negra’, todos na edição de 1966 (seis jogos), e também fez de Ronaldo no único jogador de sempre a marcar em seis Campeonatos do Mundo.
Mesmo ‘quarentão’, depois de Renato Veiga, o ainda capitão da seleção nacional foi o jogador de campo com mais minutos, falhando apenas nove no duelo com a Croácia, coincidentes com a altura em que Gonçalo Ramos marcou o 2-1 final.
Nas surpresas de Martínez esteve a titularidade de João Félix em três jogos, incluindo com a Espanha, e a pouca utilização de Bernardo Silva, que desapareceu das escolhas iniciais após o jogo com a RD Congo.
O mesmo aconteceu com Gonçalo Ramos, que fez o gol do apuramento frente à Croácia, já nos descontos, mas que nem foi utilizado frente aos espanhóis. Ao todo, o novo avançado do AC Milan somou apenas 35 minutos no Mundial2026.
Tal como Vitinha e João Neves, seus colegas de equipa no Paris Saint-Germain, Nuno Mendes também ficou um pouco longe do que já mostrou na seleção nacional e no clube francês, mas mesmo assim esteve sempre entre as principais figuras lusas, voltando a ‘abafar’ Yamal no duelo com a Espanha, antes de sair lesionado.
Gonçalo Guedes, a principal surpresa da convocatória de Roberto Martínez para o torneio, não somou qualquer minuto, assim como Gonçalo Inácio, que viajou para as Américas com reais possibilidades de ser titular.
Martínez fechou o ciclo
Portugal chegou ao Mundial2026 de futebol apontado como um dos candidatos ao troféu, mas o ‘onze’ de Roberto Martínez, que confirmou a saída do cargo, deixou cedo a prova, ficando aquém das expectativas.
Na competição que está decorre até 19 de julho, nos Estados Unidos, no México e no Canadá, a formação das ‘quinas’ assentou num lote de jogadores de qualidade, com alguns dos melhores executantes do mundo.
Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos venceram a Liga dos Campeões pela segunda vez seguida no Paris Saint-Germain, Bruno Fernandes liderou o Manchester United e foi eleito melhor jogador da Liga inglesa, num grupo com muitas opções para todas as posições.
No entanto, e apesar da qualidade dos executantes, Portugal nunca demonstrou as credenciais de candidato no campo, com exibições pouco conseguidas e jogadores longe do nível esperado.
Martínez, que chegou a torneio em final de contrato, confirmou a saída do cargo logo na sala de imprensa, depois da eliminação de Portugal, referindo que chegou ao fim o seu ciclo.
“Cheguei a Portugal para ganhar o Mundial, sem ganhar o Mundial não faz sentido continuar. A federação tem o direito de escolher o seu selecionador, o meu contrato acaba hoje e não existe muito que falar”, disse Martínez em conferência de imprensa.
“Quero agradecer ao povo português porque foi um orgulho incrível. A força dos adeptos, levo na memória para toda a vida. Depois agradecer aos jogadores. Têm muito talento, mas também compromisso como equipa. São 45 jogos, os melhores números da história de Portugal. Levo a memória de ganhar Liga das Nações, e quero agradecer aos jogadores, à Federação Portuguesa de Futebol e à minha equipa técnica”, frisou.
O selecionador português referiu que a equipa das ‘quinas’ “não falhou”, explicando que perdeu um jogo que foi decidido nos detalhes, algo que acontece em confrontos entre “grandes equipas”.
“Tentámos ganhar até ao último minuto. Foram exemplares. Levo um legado incrível e que adeptos se possam lembrar que tentámos dar tudo durante três anos e meio”, disse.
A estreia no Grupo K ocorreu em Houston, com Portugal a consentir um empate 1-1 frente à República Democrática do Congo, num jogo em que marcou cedo, por João Neves, mas viu o adversário chegar ao empate ainda na primeira parte, por Wissa.
A exibição esteve longe de agradar e as críticas começaram a surgir perante uma estreia longe do esperado, com a equipa das ‘quinas’ a responder no segundo jogo, novamente em Houston, com uma goleada ao estreante Uzbequistão (5-0).
Um ‘bis’ de Cristiano Ronaldo, que passou a ser o primeiro jogador a marcar em seis edições, e gols de Nuno Mendes, Rafael Leão e Nematov (própria baliza) deram triunfo que deixou o apuramento praticamente assegurado para os 16 avos de final.
Face aos resultados dos outros grupos, Portugal já entrou em campo para o terceiro jogo apurado e a lutar com os colombianos pelo primeiro lugar da ‘poule’, mas para isso precisava de vencer a partida disputada em Miami Gardens.
A formação lusa esteve novamente longe do seu potencial e ficou mais perto de perder do que de ganhar, valendo à equipe a exibição do guarda-redes Diogo Costa, que segurou o ‘nulo’.
Seguia-se a Croácia nos 16 avos de final, num jogo já sem margem de erro, disputado em Toronto, no Canadá, e com forte apoio da comunidade portuguesa.
Depois de uma primeira parte dominada por Portugal, os croatas surgiram mais fortes no segundo tempo e adiantaram-se com um golo de Perisic, mas equipa lusa fez a reviravolta, com tentos de Cristiano Ronaldo, de penálti, e Gonçalo Ramos, já em período de descontos.
Apesar do triunfo, Portugal viveu um segundo tempo de muitos sobressaltos, com a Croácia a ter várias oportunidades de golo, numa partida que podia ‘cair’ para qualquer um dos lados e em que Diogo Costa voltou a ser decisivo.
Com críticas ao desempenho da equipa, às escolhas de Roberto Martínez e ao capitão Cristiano Ronaldo, Portugal tinha pela frente a Espanha, nos oitavos de final, em jogo marcado para Arlington, no regresso aos Estados Unidos.
Num duelo frente aos atuais campeões europeus, que Portugal bateu na final da Liga das Nações de 2025, no desempate por penáltis, foram os espanhóis que estiveram por cima do jogo e sempre com mais iniciativa ofensiva.
Entre algumas oportunidades desperdiçadas, uma delas com Diogo Costa a travar de forma incrível um remate de Baena, Portugal viu Nuno Mendes rematar à barra e foi castigado já perto do final.
Se com a Croácia os descontos trouxeram boas notícias, na segunda-feira foi o inverso, com Mikel Merino, aos 90+1 minutos, a fazer o único golo da partida e a enviar Portugal mais cedo para casa.
No final da partida, o selecionador Roberto Martínez anunciou um fim de ciclo e a sua saída do cargo e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, reconheceu que os objetivos não foram atingidos.
Já Ronaldo, de 41 anos, confirmou durante a prova que seria o seu último Mundial, mas não se pronunciou sobre o seu futuro na seleção, deixando a competição com mais alguns recordes no currículo.
Com os três gols apontados, tornou-se no melhor marcador português em Mundiais, com 11 golos, no único a marcar em seis fases finais do torneio e no mais velho a marcar num jogo a eliminar.
Pedro Proença terá agora a missão de escolher o novo selecionador de futebol, o primeiro nome da sua responsabilidade desde que chegou ao cargo, já com os olhos no Europeu de 2028.




