PS/Guimarães denuncia “politização” das comemorações da Fundação de Portugal

 A vereadora do PS na Câmara de Guimarães Gabriela Nunes criticou hoje a alegada “politização” das comemorações dos 900 anos da fundação de Portugal e disse temer pela subalternização da Batalha de São Mamede.

Falando durante a reunião do executivo, Gabriela Nunes alertou ainda que Guimarães pode ficar “com um lugar pequeno numa mesa grande”.

Na resposta, o presidente da Câmara, Ricardo Araújo (PSD), garantiu que o foco está na celebração nacional dos 900 anos da Batalha de São Mamede e que Guimarães “terá, seguramente, o lugar de destaque que merece”.

“Nós temos um trabalho que é de Guimarães e é liderado por Guimarães, temos a nossa comissão científica, muito bem coordenada, de resto, com historiadores do mais alto nível nacional e internacional. Outra coisa é o trabalho e o programa de atividades que o comissariado nacional, indicado pelo Governo, vai apresentar para as celebrações (…). Mas o que eu quero deixar bem claro é que Guimarães não vai deixar de fazer aquilo que tem para fazer”, afirmou Ricardo Araújo.

Na sua intervenção, a vereadora socialista Gabriela Nunes lembrou que, por resolução do Conselho de Ministros de 26 de fevereiro último, tinha sido criado um comissariado para as comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, que ficaria sediado no Paço dos Duques, em Braga, e que incluiria um representante deste município.

Posteriormente, em novo Conselho de Ministros realizado em julho em Guimarães, foi aprovada uma resolução que determina a realização das comemorações “dos 900 anos da Fundação de Portugal, com especial destaque para a Batalha de São Mamede (1128), considerada o momento fundador do processo que conduziu à independência nacional”.

A resolução aponta ainda para a criação de um comissariado nacional, liderado pelo ex-presidente do CDS-PP Paulo Portas, responsável pela execução do programa comemorativo.

O município de Guimarães foi “relegado” para o futuro conselho geral.

Para o PS de Guimarães, esta nova resolução “altera profundamente” o programa das comemorações, desde logo por “deslocar” o foco da Batalha de São Mamede para os 900 anos da fundação de Portugal.

Gabriela Nunes aponta ainda o estender do horizonte das comemorações até 2043, ficando o primeiro triénio dedicado à Batalha de São Mamede, e a retirada da sede do Paço dos Duques.

“Em vez de consolidar o comissariado de São Mamede, sediado em Guimarães, o Governo substitui-o por um comissariado da Fundação de Portugal, politizado e centralizado, sem clarificar como integra o trabalho que foi feito em Guimarães desde 2022 [ano em que o município era liderado pelo PS]”, apontou.

Recordou que Guimarães desenhou, desde 2022, um programa para 2028, com foco científico e académico, com uma comissão científica internacional que tinha como presidente honorário José Matoso, que, entretanto, morreu, e coordenada por Luís Carlos Amaral e Mário Jorge Barroca.

Disse ainda que Paulo Portas foi colocado à frente das comemorações “num enquadramento alinhado com o programa Portugal 900 anos, da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, liderada por Ribeiro e castro, também ex-líder do CDS, onde Guimarães nem sequer é referido”.

O presidente da Câmara de Guimarães criticou a tentativa da oposição de “politização” do assunto e vincou que a preocupação do município é “valorizar a nível nacional e internacional” a comemoração dos 900 anos da Batalha de São Mamede, como um momento inicial da fundação da nacionalidade portuguesa”.

“Nada do que está em curso e vinha de trás foi colocado em causa até ao dia de hoje”, afirmou, sublinhando que, grosso modo, toda a estrutura e todo o programa que estava a ser preparado se mantém e que Guimarães “não vai deixar de fazer o que quer fazer por causa daquilo que a nível nacional se decida fazer”.

Para o autarca, as comemorações não podem ser “de Guimarães para Guimarães”, mas sim de “Guimarães para o país”,

“É uma data que tem de ter uma dimensão nacional”, apontou.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também