O primeiro-ministro português apelou hoje ao fim da “tragédia humanitária” no Médio Oriente e insistiu ser necessário caminhar para uma solução da coexistência de dois Estados, Israel e Palestina.
Luís Montenegro discursou hoje perante a 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, imediatamente a seguir ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que tinha sido recebido com vaias, mas também aplausos, com muitas delegações a saírem da sala.
Durante a intervenção de Israel, manteve-se na sala apenas uma representante da delegação portuguesa. Antes de se iniciar o discurso de Montenegro, entraram na sala o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, e o secretário de Estado Salvador Malheiro, entre outros elementos.
O chefe do Governo português falou em seguida, fazendo uma breve referência ao conflito no Médio Oriente no arranque do seu discurso.
“No Médio Oriente, tem de cessar a tragédia humanitária e temos de caminhar para a solução de dois Estados – com Israel e a Palestina a coexistirem como dois Estados soberanos em paz e em segurança”, disse.
E apelou ao fim do “masoquismo coletivo” que está a causar a escalada dos preços dos combustíveis e propôs uma reflexão sobre o mecanismo de formação do preço internacional do petróleo.
Luís Montenegro discursou na ONU, em Nova Iorque, a poucos meses de Portugal regressar ao Conselho de Segurança da ONU como membro não-permanente.
“Esta é uma crise insensata porque é má para todos. Temos de acabar com esta espécie de masoquismo coletivo. E temos de o fazer rapidamente para encerrar este capítulo, que prejudica todos”, apelou, defendendo que todos têm “o dever de aprender com as lições da crise dos anos 70 e evitar repetir o que então sucedeu”.
O chefe do Governo defendeu que, por um lado, “urge pôr fim aos conflitos que se arrastam”, sem se referir, nesta parte da sua intervenção, diretamente à guerra no Médio Oriente entre Estados Unidos e Irão.
“Por outro, desde já, temos de debater e decidir, formas complementares de mitigar o impacto desta crise energética e evitar o seu prolongamento”, apelou.
O primeiro-ministro português considerou que “seria benéfico também discutir o mecanismo de formação do preço internacional do petróleo”.
“Não tenho uma solução concreta mas pergunto se faz sentido estarmos todos tão dependentes do fator especulativo e da volatilidade dos mercados financeiros e de futuros, que fazem incidir o seu efeito a toda a produção, mesmo quando a instabilidade tem origem apenas numa parcela ou num período restrito dessa produção”, questionou.



