Primeiro-ministro promete ser parceiro para o Brasil se projetar na economia europeia

Foto @ricardostuckert

Neste dia 21, o primeiro-ministro prometeu que Portugal será “um parceiro” para o Brasil se projetar na economia europeia de forma mais aprofundada com a entrada em vigor do acordo entre a União Europeia e o Mercosul em maio.

Luís Montenegro falava ao lado do Presidente do Brasil, Lula da Silva, após um encontro entre os dois de cerca de uma hora na residência oficial do primeiro-ministro português.

“Relativamente ao futuro estamos muito empenhados, e sei que é recíproco, no aprofundamento de tudo aquilo que tem a ver com a implementação e entrada em vigor, ainda que de forma provisória nesta ocasião, do acordo da União Europeia com o Mercosul”, assegurou.

Montenegro lembrou que Portugal foi “e é um defensor intransigente deste acordo”, tal como o Brasil foi determinante para a sua implementação, depois de mais duas décadas de negociações.

“Este acordo marca, do ponto de vista histórico, um momento a partir do qual o Brasil se pode projetar de forma mais objetiva e de forma mais profunda na economia europeia e Portugal será um parceiro nesse caminho da economia brasileira”, prometeu.

Por outro lado, assegurou, “Portugal será um motor do aprofundamento das relações em sentido contrário”

“Seja das relações econômicas que levam as empresas portuguesas ao Brasil, e há muitas, seja como ponto de contacto entre as empresas europeias e os projetos de desenvolvimento de cooperação económica à escala europeia no Brasil”, disse.

Montenegro desejou que as parcerias entre os dois países a nível económico possam continuar a trazer a Portugal distinções como a de “economia do ano”, em 2025 pela revista The Economist, ou “fazer da economia brasileira a maior economia da América Latina”.

“Hoje temos grandes parcerias do ponto de vista aeronáutico, do ponto de vista das indústrias de defesa, mas também do ponto de vista da energia, do ponto de vista do conhecimento científico, do ponto de vista tecnológico, do ponto de vista das áreas da saúde, é isso que queremos continuar a desenvolver nos próximos anos”, desejou.

Montenegro terminou a sua declaração – em que nenhum dos dois respondeu a perguntas – desejando que, nos próximos tempos, “o mundo viva mais tranquilo, viva tempos de maior estabilidade e de menos dependência daqueles que querem assumir posições de hegemonia”.

“A melhor maneira que nós temos de poder ter um mundo equilibrado é ter uma diversificação entre espaços políticos e espaços comerciais e a ligação de Portugal e o Brasil é fundamental para que essa diversidade possa erguer uma ordem mundial com mais equilíbrio e, por via desse equilíbrio, com mais paz e, por via da paz, com mais justiça social”, afirmou.

O acordo comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul vai entrar provisoriamente em vigor a partir de 01 de maio.

“Agora que Portugal ajudou o Brasil a fazer o acordo União Europeia – Mercosul, agora sim, conseguimos dizer alto e bom som que Portugal pode ser a grande porta da entrada dos interesses empresariais brasileiros aqui em Portugal”, disse presidente brasileiro.

Lula da Silva revelou que disse ao primeiro-ministro português que ia conversar com os ministros brasileiros, para que estes conversem com as indústrias, pois “é muito importante que parte das coisas que o Brasil vai negociar com a União Europeia seja construída” em Portugal.

“Aí sim, estaremos a fazer uma parceria séria, que seja um jogo de ganha-ganha”, referiu, acrescentando: “Não queremos que Portugal seja apenas a porta de entrada; queremos que Portugal seja a porta da construção de uma parceria robusta entre dois países que se conhecem desde abril de 1500”.

Em 2025, a corrente de comércio bilateral somou 4,5 bilhões de dólares, com superávit brasileiro de 2 bilhões. Além disso, são expressivos os investimentos de parte a parte: o Brasil tem forte atuação no setor industrial português – aeronáutica, siderurgia e máquinas e equipamentos –, ao passo que Portugal destaca-se nos setores brasileiros de petróleo e gás, infraestrutura e elétrico.

Imigrantes brasileiros

 O primeiro-ministro elogiou hoje a “integração impecável” da comunidade brasileira em Portugal e salientou que foram regularizados nos últimos dois anos mais de 200 mil cidadãos deste país, e recusados menos de 5% dos pedidos.

“Em Portugal, nos últimos dois anos o Governo de Portugal regularizou mais de 235 mil processos de imigrantes brasileiros em Portugal. Quando chegámos ao Governo não tinham documentos válidos e hoje estão regularizados e cumpridores, com uma cidadania integral e plena”, afirmou.

Segundo Montenegro, dos mais de 400 mil processos pendentes, houve cerca de 5.000 casos em que a decisão final foi de indeferir pedidos de cidadãos brasileiros, “uma taxa inferior a 5%”.

“Às vezes, na comunicação social, tem-se dado eco a um ou outro episódio, ou mesmo algum adulterar daquilo que é uma relação que tem corrido, de forma global, muitíssimo bem”, disse, apontando os cerca de 500 mil cidadãos brasileiros que vivem em Portugal, a maior comunidade estrangeira no país.

Montenegro destacou que a maioria tem tido “uma integração social e económica absolutamente impecável”, desvalorizando alguns “focos de perturbação” pontuais que disse também acontecerem na comunidade nacional.

“No global, tudo aquilo que temos feito, mesmo nos últimos dois anos, a propósito de termos mecanismos mais regulados dos fluxos migratórios, tem sido no intuito e com o objetivo de valorizar as pessoas, de valorizar a sua dignidade e a capacidade humanista com que Portugal recebe aqueles que vêm por bem para trabalhar e para ter bem-estar em Portugal”, afirmou.

Montenegro elogiou a comunidade brasileira como um exemplo de “ligação extraordinária”, seja pela partilha da língua, seja pela partilha de grande parte da cultura, referências e valores nacionais.

“Nós queremos continuar a aprofundar este fluxo”, assegurou.

O primeiro-ministro referiu ainda que Portugal mantém com o Brasil “uma intensa troca de informação e opinião sobre as grandes questões que se colocam à defesa da paz, à defesa da estabilidade a nível internacional”.

“E à necessidade de termos uma voz ativa no contexto multilateral, nas Nações Unidas, num ano onde se decidirá a nossa candidatura ao Conselho de Segurança para o biénio 2027-2028, que conta com o apoio do Brasil – que também queremos aqui agradecer – direto e na sua área de influência regional e global, mas também da nossa comunidade de países que falam português”, frisou.

Montenegro saudou a oportunidade de receber Lula da Sila em Portugal, lembrando que, desde que é primeiro-ministro já se encontraram por três vezes no Brasil: em 2024, Portugal foi convidado a participar na reunião do G20 por este país e, no ano passado, os dois países realizaram uma cimeira bilateral em Brasília, voltando a encontrar-se no final do ano na Cop30, em Belém do Pará.

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, chegou hoje ao final da manhã a Lisboa para reuniões com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com Presidente da República, António José Seguro, para discutir temas como imigração, xenofobia e aeronáutica. “Os vínculos com Portugal são únicos, diante da história, cultura e língua em comum. Cerca de meio milhão de brasileiros vivem regularmente, a segunda maior comunidade nacional fora do país, atrás apenas dos Estados Unidos” disse Lula.

O encontro a sós entre Luís Montenegro e Lula da Silva começou cerca das 13:15 – com hora e meia de atraso em relação ao programa inicial -, ao mesmo tempo que decorreram as conversações das delegações ministeriais dos dois países.

Do lado português, marcaram presença os ministros de Estado e dos Negócios Estrangeiros e das Finanças, Paulo Rangel e Joaquim Miranda Sarmento, bem como o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, o ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, o da Educação, Fernando Alexandre, e a do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.

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