O primeiro-ministro disse esperar que os cidadãos portugueses detidos por Israel possam regressar ao país “sem nenhum incidente”, considerando que a mensagem da flotilha humanitária foi transmitida. O Governo anunciou hoje que um quarto cidadão português integrava a flotilha humanitária interceptada na noite passada pelas forças israelitas quando tentava chegar à Faixa de Gaza.
“A nossa expectativa é de que tudo se vá processar com grande normalidade e que o retorno destes portugueses possa também acontecer sem nenhum tipo de incidente”, disse Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas, depois de encontro com o homólogo britânico, Keir Starmer, em Copenhaga (Dinamarca).
O primeiro-ministro disse que o Governo está “em contato com as autoridades israelitas com vista a salvaguardar a situação desses portugueses”, como “é a responsabilidade” para com todos os cidadãos nacionais, “sendo certo que não é de desprezar a circunstância de uma destas pessoas ser, além do mais, titular de um órgão de soberania”.
Já o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, classificou hoje como panfletária e irresponsável a participação de portugueses na flotilha humanitária rumo à Faixa de Gaza, sublinhando estar sempre “pelo lado da democracia e da liberdade”.
“Manifestamente, constato uma iniciativa panfletária, que considero irresponsável, em direção a um território ocupado por uma organização terrorista, responsável por um ataque que vitimou mais de 1.200 pessoas em Israel”, disse em declarações a jornalistas numa ação de campanha eleitoral autárquica em Vila Real.
O membro do executivo liderado pelo social-democrata Luís Montenegro confiou nas “autoridades que representam um estado democrático”, desejando que Israel “se comporte agora como isso mesmo, devolvendo os cidadãos portugueses e os outros aos seus países de origem e tratando-os com respeito pelos direitos que lhes cabem”.
A dirigente do Bloco de Esquerda (BE) Marisa Matias manifestou hoje a sua preocupação com a falta de informação sobre o paradeiro dos portugueses e dos tripulantes que foram detidos.
“Esta detenção é ilegal. Neste momento, a minha principal preocupação é com estas pessoas [tripulantes] e saber as condições em que estão [detidos]. É importante que o governo português, se tiver essa informação, a possa ir partilhando. De qualquer forma nós também estamos a contactar com as instituições nacionais para poder agilizar o processo e saber o mais rapidamente possível onde estão”, afirmou a dirigente do BE aos jornalistas.
“É uma ação humanitária, de paz. Não havia nenhuma razão para esta detenção, a não ser uma ação ilegal, por parte das autoridades israelitas. Por isso é muito importante o que se esta a passar no país. As pessoas querem saber o que se passa. Vai haver concentrações durante a tarde. As pessoas estão preocupadas no nosso país”, sublinhou.
Segundo a dirigente bloquista, “são pessoas de muitos países e de muitas partes do mundo que mostram onde deve estar a nossa dignidade, a nossa humanidade o nosso sentimento”.
“Há também uma crescente pressão internacional da super-potência que somos todos nós, a dizer que não aceitamos mais ver crianças a morrer à fome e sem medicamentos e que não aceitamos mais pessoas mortas na fila da comida. Creio que é uma mensagem que vai sendo cada vez mais forte”, sustentou.
Quatro portugueses
39 navios da flotilha foram intercetados pelas Forças de Defesa de Israel, seguindo ainda para a Faixa de Gaza alguns navios menores, que devem ter o mesmo destino.
De acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano, as tripulações foram levadas para o porto de Ashdod e mantidas em centros de detenção específicos, onde poderão aceitar a expulsão voluntária imediata ou rejeitá-la e aguardar decisão judicial.
Entre os detidos encontram-se a deputada e líder do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, a atriz Sofia Aparício e o ativista Miguel Duarte.
“Está confirmado um quarto cidadão português a integrar a flotilha, que seguia no barco ‘Selvaggia’”, adiantou hoje à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
O MNE, acrescentou, aguarda autorização dos familiares, que contactaram o Gabinete de Emergência Consular, para eventual divulgação da identidade deste cidadão nacional.
De acordo com um comunicado da diplomacia israelita divulgado através das redes sociais, os membros da flotilha humanitária que foram presos “estão seguros e de boa saúde”.
O mesmo documento indica que Israel vai iniciar os procedimentos de deportação para a Europa depois de os detidos serem transferidos para território israelita.
A flotilha humanitária, composta por cerca de 50 embarcações (incluindo uma com bandeira portuguesa), partiu de Espanha no final de agosto com o objetivo de romper o bloqueio israelita e entregar mantimentos à Faixa de Gaza, iniciativa rejeitada por Telavive que argumenta que a ação é apoiada pelo grupo islamita palestiniano Hamas.




