A flotilha internacional com destino a Gaza com ajuda humanitária, na qual seguiam três portugueses, entre os quais a coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, foi hoje intercetada pela Marinha de Israel.
O Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, anunciou hoje ter confirmado junto do Governo que os portugueses detidos terão apoio consular da embaixada de Portugal em Israel, após a intercepção da flotilha que seguia para Gaza.
“O Presidente da República confirmou junto do Governo que será assegurado, através da nossa Embaixada em Telavive, todo o apoio consular aos compatriotas detidos, como é de regra, e em particular quando implica titulares de órgãos de soberania, bem como todo o apoio ao regresso a Portugal”, lê-se numa nota da Presidência da República.
Os outros dois portugueses que seguiam na Flotilha Global Sumud são o ativista Miguel Duarte e a atriz Sofia Aparício.
Entretanto, foi divulgado um vídeo gravado pela coordenadora do BE antes da interceção da embarcação em que se encontrava, em que Mariana Mortágua apela aos portugueses para que se mobilizem e pressionem o Governo a agir.
Mariana Mortágua foi detida por Israel e quer que o Governo português intervenha. Os portugueses não querem o regresso de alguém que não defende os interesses de Portugal e que abandonou o cargo de deputada apenas para ganhar visibilidade.
— Cláudia Teixeira (@claudiaaict) October 1, 2025
A sua participação na flotilha para… pic.twitter.com/PM9bp5BbfO
“Muito provavelmente, se estão a ver este vídeo, é porque fui levada contra a minha vontade para uma detenção pelas forças israelitas, agindo contra a lei internacional. Se for esse o caso, peço que contactem o Governo português para que faça todos os esforços para garantir a libertação não só de mim própria, da Sofia Aparício e do Miguel Duarte, delegação portuguesa, mas todos os participantes desta missão”, disse Mariana Mortágua.
A flotilha, composta por cerca de 50 embarcações, uma das quais com bandeira portuguesa, partiu de Espanha com o objetivo de romper o bloqueio israelita e entregar mantimentos na Faixa de Gaza. O Governo de Israel alegou que a iniciativa era apoiada pelo grupo extremista palestiniano Hamas.
Pedido de informação
O Ministério dos Negócios Estrangeiros referiu, em comunicado, que os serviços consulares da Embaixada de Portugal em Telavive solicitaram às autoridades israelitas que “logo que possível” sejam informados sobre o estado e local onde serão detidos os portugueses integrados na flotilha.
O objetivo é que seja prestada “a devida proteção diplomática e consular”, pode ler-se.
“As autoridades israelitas garantiram ser sua intenção tratar as pessoas com toda a dignidade e sem recurso a violência, tendo explicado que a operação de abordagem levará algum tempo, dado o elevado número de embarcações e que, na primeira oportunidade, nos será permitido visitar os cidadãos nacionais que integram a flotilha”, acrescentou ainda o ministério liderado por Paulo Rangel.
A mesma fonte sublinhou que os serviços consulares “já conseguiram contactar um dos portugueses em alto mar”, sem especificar qual, acrescentando que foi manifestada total disponibilidade para prestar todo o apoio.
A diplomacia portuguesa realçou ainda, na mesma nota de imprensa, que desde o início da missão humanitária “houve sempre um acompanhamento dos portugueses que integram a flotilha, incluindo apoio diplomático em Tunes”.
“A proteção consular esteve sempre garantida, como se referiu desde o primeiro momento. É de todos conhecido o acompanhamento que, a pedido do Governo português, foi feito pela frota italiana, e a alternativa para a entrega efetiva da ajuda humanitária”, referiu ainda.
O Bloco de Esquerda divulgou hoje à noite que pediu, com caráter de máxima urgência, uma audiência com o Presidente da República e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, sobre a detenção dos portugueses a bordo da flotilha.
A dirigente do BE, Joana Mortágua, tinha referido à Lusa, quando confirmou a detenção de Mariana Mortágua e Sofia Aparício, que o Governo português, bem como outros estados, deviam prestar proteção a todos os membros da flotilha e impor sanções a Israel.
“Isto é insuportável, Israel está a deter ilegalmente, aparentemente em aguas internacionais ativistas que estão a estabelecer um corredor humanitário”, vincou, depois de questionada sobre o que esperava do Governo português.




