Atualizado 16h
Em Brasília neste dia 18, o chefe de Estado português, Marcelo Rebelo de Sousa, foi recebido pelo Presidente brasileiro, Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília, durante a sua visita oficial ao Brasil.
A cerimônia de boas-vindas no Palácio do Planalto, sede do poder executivo federal, incluiu revista à guarda de honra e alas de cortesia.
No cimo da rampa principal, onde Lula da Silva esperava Marcelo Rebelo de Sousa, os dois chefes de Estado cumprimentaram-se com um abraço. A seguir, assistiram à execução dos hinos nacionais de Portugal e do Brasil.
Ao seu lado, um pouco atrás, estavam a secretária-geral do Ministério das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, em substituição do ministro, e o ministro português de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que acompanha o Presidente português nesta visita oficial.
No interior do palácio, Lula da Silva e Marcelo Rebelo de Sousa posaram perante os repórteres de imagem e seguiram para um encontro a dois, depois alargado às respectivas comitivas.
O Presidente português entrou no Palácio do Planalto cerca das 11:15 locais (14:15 em Portugal continental) e saiu, acompanhado por Lula da Silva até à porta, perto das 13:00 locais.
O chefe de Estado português disse que encontrou o Presidente Lula “em grande forma” e que os dois falaram da “nova situação do mundo” com a atual administração norte-americana de Donald Trump.
“Foi muito interessante, primeiro, porque encontrei o Presidente Lula em grande forma física, depois de um período de recuperação recente, em grande forma física, e isso dá-lhe um vigor, uma animação, aquilo que ele gosta de ser, uma grande energia”, disse.
O Presidente português referiu que os dois falaram dos desafios colocados pela atual administração dos Estados Unidos da América, que “altera as regras do jogo”, e estiveram “de acordo praticamente total” sobre as mudanças em curso no mundo.
“O mundo como nós o conhecemos mudou, e não podemos fingir que não vemos”, defendeu.
Marcelo Rebelo de Sousa qualificou Lula da Silva como “um lutador por causas” que tem como “causa internacional” a defesa das “regras fundamentais e princípios fundamentais da vida internacional que vigoraram durante muito tempo” e “ajudar a reconstruir aquilo que é fundamental para as parcerias, as alianças, os entendimentos a nível internacional”.
O chefe de Estado assinalou que o Brasil presidiu ao G20, preside aos BRICS e vai organizar a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas e “está em reunião permanente com países de outros continentes, como Portugal está também”.
“Somos plataformas de diálogo com esses países, e estamos em muitas comunidades juntos. Além das Nações Unidas, obviamente, estamos na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), estamos na comunidade Ibero-Americana”, prosseguiu.
“Quer dizer, há muitas plataformas onde podemos agir em conjunto para garantir que os valores e os princípios a que estávamos habituados e considerávamos certos, de repente, não são atirados pela janela fora”, considerou.
Pela parte de Portugal, sobre as relações com os Estados Unidos da América, Marcelo Rebelo de Sousa comentou: “Estamos à espera que os parceiros, amigos e aliados tenham certos comportamentos. Tiveram durante décadas”.
Sobre as relações luso-brasileiras, o Presidente português afirmou que os representantes dos dois países estão “virados para o futuro” e querem cooperar “em novos setores completamente diferentes, a alta tecnologia, o digital, as mudanças energéticas, novas atividades empresariais que deem crescimento”.
Questionado sobre dificuldades na regularização de brasileiros residentes em Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que “isso foi visto” e realçou que “saiu agora há pouco tempo um diploma sobre os nacionais de países de expressão portuguesa, e já foi regulamentado pelo Governo”, que terá “uma influência muito positiva” nesses casos.
Por sua vez, o Presidente do Brasil publicou nas redes sociais a seguinte mensagem, acompanhada por uma fotografia ao lado do chefe de Estado português: “Recebi hoje, em Brasília, o presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa. Vamos aprofundar os fluxos de comércio e de investimentos e criar novas parcerias nos campos científico, tecnológico, cultural e educacional”.
Visita
Marcelo Rebelo de Sousa, defensor entusiasta de uma “aliança fraterna” com o Brasil, está de visita ao país pela nona vez como chefe de Estado, a segunda com Lula da Silva de volta à presidência do Brasil para um terceiro mandato, que anteviu como “um período promissor” nas relações bilaterais.
O Presidente português chegou no domingo ao Recife, para uma visita a convite do seu homólogo, que termina hoje, na capital federal, e antecede a 14.ª Cimeira Luso-Brasileira.
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, estará hoje presente nos dois pontos últimos do programa do Presidente da República: a entrega do Prémio Camões à poeta brasileira Adélia Prado e um jantar de Estado, ambos no Palácio Itamaraty.
O Camões é o principal prêmio da literatura em língua portuguesa e Adélia será representada por seu filho Eugênio Prado. Mineira de Divinópolis, Adélia Prado tem 88 anos e é considerada a maior poetisa brasileira viva
Na quarta-feira, dia em que Marcelo Rebelo de Sousa regressará a Portugal, será Luís Montenegro a reunir-se com Lula da Silva, durante a 14.ª Cimeira Luso-Brasileira, em Brasília, na qual está prevista a participação de 11 dos 17 ministros do Governo PSD/CDS-PP.
O chefe de Estado português ainda tem encontros no Senado, na Câmara dos Deputados e no Supremo Tribunal Federal.
Em 2025, são celebrados os 200 anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países.
Atualmente, mais de 500 mil brasileiros residem em terras portuguesas, e cerca de 150 mil portugueses vivem no Brasil. É a segunda maior comunidade brasileira no exterior, atrás apenas dos Estados Unidos. Em 2024, a corrente de comércio Brasil-Portugal foi de US$ 4,7 bilhões. As exportações brasileiras foram de US$ 3,4 bilhões, com superávit nacional de US$ 2,1 bilhões.




