Seguro pede que Europa se abra ao diálogo e tenha “voz própria” em mundo incerto

O novo Presidente português, António José Seguro, durante um encontro com um grupo de jovens no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP), em Lisboa, Portugal, a 9 de março de 2026. António José Seguro, antigo secretário-geral do Partido Socialista Português, foi eleito Presidente da República na segunda volta das eleições presidenciais, a 8 de fevereiro, com mais de 3,5 milhões de votos, um número recorde, representando 66,84% dos votos, contra André Ventura, presidente do Chega. ANTONIO PEDRO SANTOS/LUSA

 O Presidente português defendeu hoje que a Europa “não deve ser uma fortaleza”, mas antes um espaço capaz de “dialogar com todos”, que sabe o que defende e com uma “voz própria” no atual contexto internacional.

Num discurso no Conselho da Europa, em Estrasburgo, António José Seguro defendeu que é prioritário “construir uma Europa aberta ao mundo”, dando o exemplo de Portugal, que “nunca foi um país fechado sobre si próprio” e cuja história, geografia e “vocação atlântica” o ensinaram “a olhar para além das fronteiras europeias”.

“A Europa não deve ser uma fortaleza. Deve ser um espaço de liberdade, de diálogo e de cooperação, aberto ao mundo, mas sempre fiel aos seus princípios”, defendeu.

O Presidente da República considerou que, “num tempo de tensões geopolíticas, de desinformação e de crescente fragmentação”, é necessário “mais diálogo, não menos diálogo, mais cooperação e não isolamento”.

“Uma Europa forte não é a Europa que se fecha. É uma Europa que sabe o que defende, que tem voz própria e que é capaz de dialogar com todos. O mundo precisa de voltar a ouvir a voz firme da Europa”, sustentou.

Insistindo que “os grandes desafios” atuais “não se resolvem isoladamente” nem com “nostalgia, medo ou o abandono dos princípios” desenvolvidos após a Segunda Guerra Mundial, António José Seguro considerou que “a paz, a segurança, as alterações climáticas, as migrações, a transformação tecnológica e a defesa dos direitos humanos exigem cooperação internacional”.

“Uma Europa que dialoga com o mundo é uma Europa que reforça a sua capacidade de contribuir para a paz”, afirmou,

O chefe de Estado abordou ainda os desafios colocados atualmente pela inteligência artificial, que considerou ser uma das “grandes transformações” desta época, que pode “melhorar a vida das pessoas, impulsionar a ciência e criar novas oportunidades”, mas que também “coloca riscos aos direitos humanos, à democracia e ao Estado de Direito”.

Nesse sentido, Seguro considerou que “a inovação não pode dispensar a responsabilidade, a eficiência não pode justificar opacidade” e o “progresso tecnológico não pode reduzir a pessoa humana a um instrumento”.

“Precisamos de transparência, supervisão e responsabilização. Precisamos de regras que protejam os cidadãos e as instituições capazes de garantir o seu cumprimento. A tecnologia deve estar ao serviço das pessoas e não as pessoas ao serviço da tecnologia”, defendeu, numa altura em que têm aumentado os apelos para uma maior regulação dos sistemas de inteligência artificial.

Neste discurso, António José Seguro abordou ainda a guerra na Ucrânia, sugerindo que concorda com a decisão do Conselho da Europa de suspender a Rússia da organização, um dia a seguir ao início da guerra, em 24 de fevereiro de 2022.

“O Conselho da Europa tomou uma posição inequívoca, em coerência com os seus valores fundadores. A soberania dos Estados, a integridade territorial e a proibição do uso da força ilegítima não são princípios facultativos. São fundamentos da paz e da segurança internacional”, considerou.

Para o Presidente da República, “apoiar a Ucrânia é um dever de solidariedade para com os ucranianos” e é também “defender a segurança da Europa e a credibilidade dos princípios em que assenta”.

“Queremos a paz. Mas queremos uma paz justa e duradoura, respeitadora do direito internacional e da soberania da Ucrânia. É urgente parar o sofrimento humano causado pela guerra. É urgente o cessar-fogo”, defendeu.

António José Seguro foi convidado a discursar na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa numa altura em que se assinalam os 50 anos da adesão de Portugal à organização, em 22 de setembro de 1976.

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