Estamos unidos pela paz e solidariedade em tempos de oligarquias – presidente Marcelo no Brasil

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, intervém durante a visita ao Real Hospital Português de Pernambuco, no Recife, Pernambuco, Brasil, 17 de fevereiro de 2025. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

No Recife, neste dia 17, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa descreveu Portugal e Brasil como dois países unidos pela defesa da paz, livres e solidários em tempos de oligarquias e de começo de um novo ciclo histórico.

O chefe de Estado português discursava na cerimônia na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UEFP), no Recife, em que lhe foi atribuído um doutoramento ‘honoris causa’.

“Neste novo ciclo histórico a amanhecer, e em que, por entre o lusco-fusco, desaparece outro, o que o nos une e unirá, Brasil e Portugal, é incomensurável: o sermos ambos universais, o sermos ambos plataforma, ponte entre culturas, civilizações, povos, oceanos e continentes, o querermos fazer paz no meio das guerras mais violentas e mais injustas, mas a verdadeira paz, a paz da justiça e da dignidade”, afirmou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, os dois países destacam-se por serem “visceralmente livres e solidários, mesmo em tempos de oligarquias, de securitarismos, de desigualdades”, e também estão unidos pela “preocupação climática e o zelo pela natureza”.

Marcelo Rebelo de Sousa realçou que Portugal e Brasil partilham “uma das línguas mais faladas no mundo” e considerou que têm também em comum aliarem “a emoção à razão, a aventura às raízes, a clarividência e inovação literária, artística, musical à cientifica e tecnológica” e “o viver habitualmente com os rasgos dos heroísmos extremos e inesperados”.

“Somos assim e seremos assim, cada qual na sua dimensão territorial, ambos numa gigantesca dimensão espiritual”, acrescentou.

Consulados

O Governo português planeja criar mais sete consulados, cinco dos quais no Brasil, e talvez um no Recife, anunciou hoje o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, elogiando por isso o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Marcelo Rebelo de Sousa falava perante o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, durante um encontro com representantes da comunidade portuguesa, no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco.

“Eu tinha aqui uma coisa escrita, mas não sei se o senhor ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros me autoriza a dizer, mas eu acho que isto foi aprovado. Puseram-me aqui que há a ideia de criar mais sete consulados, dos quais cinco no Brasil”, declarou o chefe de Estado. 

Dirigindo-se a Paulo Rangel, Marcelo Rebelo de Sousa perguntou: “Posso dizer ou é melhor não dizer?”.

O Presidente da República interpretou a resposta do ministro como um “assim-assim” e prosseguiu: “E, eventualmente, um no Recife. Pronto, quer dizer, já não há silêncio”. 

O chefe de Estado considerou que as suas palavras se enquadravam na “cooperação institucional” e referiu estar convencido de que “isto foi discutido no parlamento”. 

“Bom, é importante, mas bem merece. Só quer dizer que temos um Ministério de Negócios Estrangeiros muito atento àquilo que se passa”, elogiou.

Marcelo Rebelo de Sousa chegou ao Recife no domingo, para uma visita oficial ao Brasil, a convite do Presidente do Brasil que o receberá na terça-feira no Palácio do Planalto, em Brasília.

Pela parte do Governo, está acompanhado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel. Não se tratando, na classificação da Presidência da República Portuguesa, de uma visita de Estado, a comitiva não inclui deputados.

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (E), acompanhado pelo reitor Alfredo Gomes (C) durante a cerimônia de outorga de insígnias de Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UEFP), Recife, Brasil, 17 de fevereiro de 2025. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Despedida

Marcelo Rebelo de Sousa anunciou ainda que planeja fazer visitas de despedida à Santa Sé, Espanha e Brasil em 2026, na parte final deste seu segundo e último mandato.

“Eu digo teoricamente, porque ainda tenciono vir despedir-me em 2026”, acrescentou, explicando que quer deixar “para o fim aquelas despedidas mais afetivas, afetivas, afetivas”.

Interrogado, a seguir, pelos jornalistas, o Presidente da República confirmou que gostaria de voltar ao Brasil, em 2026, para “uma despedida curta”.

Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que está a reservar para “dois ou três” países visitas de despedida: “Para a Santa Sé, foi por aí que eu comecei os mandatos; provavelmente para a Espanha, foi por aí que eu também comecei; e depois Brasil”.

O Presidente da República referiu que a seguir a esta sua visita oficial irá realizar-se a 14.ª Cimeira Luso-Brasileira entre os governos de Lula da Silva e de Luís Montenegro, em Brasília.

“Juntam-se as duas iniciativas numa mais ampla, o que é muito raro acontecer”, realçou.  Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, isso “diz tudo sobre o que é neste momento a alma luso-brasileira”.

Após a visita ao Real Hospital Português de Beneficência acompanhado de autoridades como a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, Marcelo Rebelo recebeu um doutoramento ‘honoris causa’ pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) pelo reitor Alfredo Gomes. Na capital de Pernambuco, também esteve num encontro com a comunidade portuguesa no Gabinete Português de Leitura.

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