PR: Seguro diz que interior de Portugal exige respostas políticas

O Presidente da República, António José Seguro (C), durante a visita à aldeia de Mourísia, na União das Freguesias de Cerdeira e Moura da Serra, no concelho de Arganil, no âmbito do programa de Tomada de Posse do Presidente da República, Arganil, 10 de março de 2026. PAULO NOVAIS/LUSA

Neste 10 de março, o Presidente da República, António José Seguro, defendeu que a aldeia de Mourísia, bem como o resto do interior de Portugal, exigem respostas políticas e a concretização de promessas de apoio.

“Muitos dos problemas que existem dependem daquilo que nós podemos fazer para os melhorar e para os solucionar. E que a atenção que Mourísia precisa, e o interior do nosso país, exige respostas da política. E sobretudo quando se fazem promessas de apoio, é importante que essas promessas sejam concretizadas”, destacou.

No segundo dia do programa de tomada de posse, o Presidente da República visitou a aldeia de Mourísia, na União das Freguesias de Cerdeira e Moura da Serra, no concelho de Arganil, distrito de Coimbra, que em 2025 esteve cercada por chamas.

Depois de ser recebido com palmas, de ter cumprimentado vários populares e de ter percorrido algumas ruas desta aldeia que tem mais casas do que habitantes (apenas uma dezena), o Presidente da República falou aos jornalistas, partilhando parte de uma conversa que tinha tido minutos antes com o presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa (PSD).

“O senhor presidente da Câmara acabou de me informar que ainda há apoios por concretizar em termos dos incêndios que ocorreram no verão passado e que, só no concelho de Arganil estamos a falar de cerca de 4 milhões de euros. E portanto o meu apelo é menos expectativas, mais apoios, menos palavras, mais atos”, vincou.

No entender do Presidente da República, as pessoas têm de ter a certeza que “quando o poder político fala, é para valer”.

“Serei um Presidente exigente. Renovo essa exigência neste momento aqui, em Mourísia, para que, de fato, as palavras na política possam valer e que isso reconcilie os portugueses com as nossas instituições”, prometeu.

António José Seguro já tinha visitado a aldeia de Mourísia no verão passado, tendo ficado impressionado ao ver uma bandeira nacional junto a uma placa queimada.

“Nunca mais esquecerei aquela bandeira nacional semelhante a esta que aqui está do nosso lado direito na placa que está colocada à entrada da vossa aldeia a sinalizar o orgulho de ser português. E é nesta bravura, neste orgulho e nesta emoção que me levou a escrever numa breve publicação nas redes sociais: não vos esquecerei”, indicou.

A visita a esta aldeia serviu para demonstrar que não será esquecida, bem como Arganil ou o interior do país, que “luta, que sofre, mas que é determinado, que é rijo e que é corajoso”.

“Por isso vim aqui agradecer-vos essa característica tão portuguesa: a vossa bravura e a vossa luta. Desejar-vos as maiores felicidades e dizer que podem contar com o vosso Presidente da República”, concluiu.

António José Seguro tomou posse perante a Assembleia da República na manhã de segunda-feira, abrindo depois os jardins do Palácio de Belém à população e participando num encontro com jovens numa universidade em Lisboa.

A posse do novo Presidente da República contemplou dois dias de programa, alargado a Arganil, Guimarães e ao Porto, com iniciativas que refletem prioridades e desígnios do seu mandato.

Legislação laboral

Também  defendeu hoje que o país precisa de “um acordo equilibrado” em matéria de legislação laboral, apelando a que representantes dos trabalhadores, empresários e Governo voltem a sentar-se à mesa e encontrem uma solução.

“Fiz um apelo e renovo aqui este apelo: O país precisa de um acordo equilibrado em matéria de legislação laboral”, destacou António José Seguro.

Em declarações aos jornalistas, o chefe de Estado disse saber que nada está fechado em matéria de legislação laboral, através de informações que recolheu.

“Por isso o meu apelo, renovo aqui, é que os representantes dos trabalhadores, os representantes dos empresários e o Governo voltem rapidamente a sentar-se para encontrarem uma solução que passe por um acordo equilibrado entre as partes”, salientou.

Seguro afirmou ser um homem de esperança e, por isso, espera que “o regresso à mesa das negociações conduza a um acordo equilibrado”.

“É esse o meu desejo”, manifestou.

O anteprojeto intitulado “Trabalho XXI” foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e a ministra do Trabalho já sinalizou a intenção de submeter a proposta de lei no parlamento, ainda que não se comprometa com uma data.

Em janeiro deste ano, durante a campanha para as presidenciais, António José Seguro afirmou que não promulgaria as alterações à legislação laboral tal como estão porque a questão “não fez parte” das propostas eleitorais e porque “não houve acordo” em concertação social.

“Primeiro, não fez parte a proposta eleitoral dos partidos que estão hoje no lugar. Segundo, não houve acordo na concertação social”, afirmou o candidato apoiado pelo PS, quando questionado sobre vetava ou não o pacote laboral apresentado pelo Governo.

António José Seguro, antigo secretário-geral do PS, foi eleito Presidente da República na segunda volta das eleições presidenciais, em 08 de fevereiro, com mais de 3,5 milhões de votos, um número recorde, 66,84% dos votos expressos, contra André Ventura, presidente do Chega.

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