Mundo Lusíada
Morreu em São Paulo no último sábado, dia 30 de maio, aos 92 anos, a Dra. Angelita Habr Gama, uma das cirurgiãs e cientistas mais renomadas do mundo na área de coloproctologia, figura referência no tratamento do câncer de reto no Brasil, e uma das profissionais mais premiadas do país.
Ela estava internada desde o dia 6 de maio no Hospital Oswaldo Cruz, local onde fez parte do corpo clínico desde 1980. O velório foi realizado na Faculdade de Medicina da USP no domingo dia 31.
Nascida em 25 de Julho de 1933 (Ilha de Marajó-PA), Angelita Habr Gama foi Cirurgiã no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, foi responsável pela criação da disciplina de Coloproctologia da FMUSP, que antes era uma subespecialização. Médica, pesquisadora e professora emérita – estava aposentada.
Angelita Gama era casada com o Dr. Joaquim José Gama Rodrigues, o casal já foi destaque no Mundo Lusíada quando foi indicado para receber uma homenagem durante o aniversário de fundação da Casa de Portugal de São Paulo, em evento realizado dia 23 de setembro de 2010, quando a entidade celebrou 75 anos de fundação, tradicionalmente elege personalidades luso-brasileiras em destaque para homenagem.
Também naquela altura, o casal de médicos recebeu o Mundo Lusíada, no seu consultório localizado no bairro do Ibirapuera, em São Paulo, onde falou sobre do trabalho reconhecido, no Brasil e no exterior, na área da prevenção do Câncer de Intestino.
O casal focado na medicina decidiu não ter filhos, e dedicou-se completamente a profissão: “um casamento que deu certo”, disse a médica (na altura) revelando que nesta vida de “trabalho incansável”, a última vez que haviam tirado férias foi no ano de 1980, em Portugal.
História – A Dra. Angelita Habr Gama era descendente de libaneses, casada há 62 anos anos com o Dr. Joaquim Gama, foi pioneira na sua área, fundadora da ABRAPECI. Referência no país e no exterior, ela foi a primeira mulher residente em cirurgia geral do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em 1958; a primeira mulher a estagiar na especialidade no Saint Mark’s Hospital, da Inglaterra em 1961; a primeira professora titular em cirurgia do Departamento de Gastroenterologia (FMUSP).
Dra. Angelita dizia que este é um trabalho cotidiano, intenso, com aulas e viagens pelo Brasil e exterior, publicação de livros, de muita dedicação, que gerou a confiabilidade e o respeito natural para quem caminhou numa direção só.
“Consegui alcançar postos elevados dentro da carreira universitária e consegui credibilidade dentro da classe médica” disse a pioneira que abriu caminhos para muitas mulheres, que hoje atuam na área. Entre as celebridades e políticos atendidos, a médica recebeu: Adriane Galisteu, Marta Suplicy e Tancredo Neves.
Considerada em 2022 pela Universidade Stanford como uma das cientistas mais influentes do mundo, Angelita também foi presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva. Indicada pela Organização Mundial de Gastroenterologia (OMGE) como coordenadora no Brasil do Programa de Prevenção do Câncer Colorretal. A fundadora da ABRAPRECI foi a primeira mulher a se tornar membro honorário da centenária sociedade científica American Surgical Association em 2002.
Em sua memória, ficam as obras realizadas: Angelita publicou 307 trabalhos científicos em periódicos; 204 capítulos em livros; 52 artigos em jornais e revistas; 341 resumos em anais e apresentou 2.401 trabalhos em congressos.Participou de diversas bancas examinadoras, sendo 52 de dissertação de mestrado; 52 de doutorado; 70 de concursos públicos; 29 de livre-docência; 01 de professor titular, dentre outras. Orientou 12 teses de mestrado e 12 de doutorado. Participou de 331 eventos e organizou outros 121.
Confira a entrevista exclusiva de 2010 com os doutores:
https://www.mundolusiada.com.br/entrevista-a-dedicacao-de-uma-vida/




