O Governo português decidiu hoje em Conselho de Ministros decretar a situação de calamidade “nas zonas mais afetadas pela tempestade Kristin”, divulgou o gabinete do primeiro-ministro, que visita os distritos de Leiria e Coimbra.
“Reunido o Conselho de Ministros, na residência oficial do primeiro-ministro, que está ainda a decorrer, informamos que foi já decidido decretar a situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela Tempestade Kristin”, lê-se nota.
O mesmo comunicado informa que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, decidiu “cancelar a agenda externa, prevista para os próximos dias, nomeadamente as viagens a Andorra e à Croácia” e que visitará hoje as zonas afetadas no distrito de Leiria e Coimbra.
A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.
Os distritos mais afetados foram Leiria (por onde a depressão entrou no território continental), Coimbra, Santarém e Lisboa.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
A maioria das ocorrências registadas pela ANEPC refere-se a quedas de árvores e de estruturas, movimentos de massa, inundações e obstrução de vias em vários distritos do país, estando ao final da tarde ainda 24 estradas ou autoestradas com a circulação condicionada.
Verificaram-se ainda danos em viaturas e habitações, que provocaram desalojados em vários concelhos atingidos pela Kristin, assim como o condicionamento de serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de água e comunicações
A depressão deixou ainda cerca de um milhão de pessoas sem energia elétrica, que tem sido gradualmente reposta ao longo do dia.
As autoridades, incluindo vários autarcas, alertaram, porém, que a reposição da normalidade vai demorar alguns dias, tendo em conta a extensão dos danos e dos prejuízos, uma dificuldade que também foi reconhecida pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha.
Leiria
Os prejuízos dos danos causados pela passagem da depressão Kristin são incalculáveis e a recuperação pode demorar um ano, disse neste dia 28 o presidente da Câmara de Leiria.
No segundo briefing do dia, Gonçalo Lopes (PS) comunicou aos jornalistas que o levantamento dos prejuízos ainda está em curso, mas “é bastante elevado”.
“Os prejuízos ainda não estão calculados, mas é imprevisível calcular os danos que provoca na vida das pessoas. Temos cenários dantescos de igrejas sem telhados, pavilhões desportivos sem coberturas, muitas casas sem telha, casas e carros totalmente destruídos, gruas derrubadas. É um cenário próprio de pós-catástrofe, muito parecido com aquilo que costumamos ver na televisão, num ambiente de guerra”, destacou.
O autarca acrescentou que um jardim de infância “desapareceu na Coucinheira, em Amor”.
Referindo que a “recuperação da normalidade, irá demorar muitos dias”, o autarca advertiu que o “plano de recuperação irá demorar mais de um ano até ser reposta toda a normalidade”.
“A nossa vida, a partir de hoje, mudou durante os próximos meses”, disse, apelando, mais uma vez a “um sentimento solidário” da comunidade.
O “cenário desolador” atingiu com “maior intensidade a cidade”, apesar de todo o concelho ter sido atingido.
Segundo o presidente, os prejuízos são “enormes para aquilo que é o património das pessoas, que ficaram sem carros e com as casas destruídas”.
“Não temos a noção exata da dimensão do problema, mas basta andar meia hora pelas estradas para perceber a verdadeira dimensão do que está a acontecer em Leiria. (…) vai ser necessário um investimento muito grande, não só na área pública, mas sobretudo na área econômica e na área familiar, para que estas pessoas possam retomar a sua vida no mais curto prazo de tempo”, sublinhou.




