Por Vanessa Sene

Esta investigação aborda as trajetórias dos imigrantes açorianos na cidade de São Paulo no período de 1950 a 1960, tentando recuperar processos de formação, transformação e ressignificação das representações culturais.
A obra também trata da história dos açorianos da Vila Carrão, da Casa dos Açores, através de relatos de fundadores da entidade, e das Festividades religiosas, como a Festa do Divino Espírito Santo, segundo disse a autora ao Mundo Lusíada.
“Estudo os açorianos há mais de 15 anos. Comecei em 2000 quando fazia o primeiro mestrado sobre as rendas de bilros de Santa Catarina. Escrevi um livro sobre as rendeiras da Lagoa da Conceição em Florianópolis e no doutorado comecei a estudar os açorianos de São Paulo” relata.
Essa nova obra é fruto de pesquisas no Brasil e nos Açores sobre a e/imigração, um tema que vem estudando há 15 anos. Descendente de portugueses, Elis Regina diz que escolheu o tema por afinidade. “E por conta da necessidade de pesquisas no Brasil sobre o tema e suas nuances”.
Em “Trajetórias dos Imigrantes Açorianos em São Paulo”, ao estabelecer o diálogo com as memórias da e/imigração, as experiências indicaram as situações políticas, econômicas e sociais dos Açores compreendidas no período anterior, que influenciaram as motivações do processo emigratório.
“Diante dessas trajetórias, teve a Festa do Divino Espírito Santo um papel relevante enquanto evento catalisador da formação da comunidade dos emigrantes estabelecidos na Vila Carrão. Ao abordar a festa nos Açores, tecendo sua história, seus significados e simbologias ainda percebidos na contemporaneidade, verifica que se trata de um dos mais relevantes elementos da cultura imaterial açoriana, no qual se observam modismos, gerações e sensibilidades temporalmente”.
O livro investiga o processo desde a saída dos Açores, compreendendo como vieram, quais as relações já estabelecidas no que tange às questões de trabalho, redes sociais e familiares e em quais condições de vida se reconstruíram numa cidade em franco crescimento.
São Paulo buscava na mão de obra imigrante o trabalhado nas fábricas, indústrias e comércio, fomentando o processo. Segundo a autora, frente a essas experiências na cidade que os acolhia, aglutinaram-se elementos capazes de traduzir suas trajetórias de vida, como se organizaram no bairro, como se dispersaram no Brasil e no mundo e principalmente como se deu a iniciativa de restabelecimento dos laços conterrâneos na reconstrução do grupo a partir da fundação da Casa dos Açores, que traduziu na reinvenção das tradições a reformulação da Festa do Divino Espírito Santo.
O livro é uma produção independente, segundo Elis Regina, que teve apoio da CAPES durante o seu doutorado e também do Governo dos Açores, quando das pesquisas feitas nas ilhas de São Miguel e Terceira.
SERVIÇO
Lançamento: “Trajetórias dos Imigrantes Açorianos em São Paulo” por Elis Regina Barbosa Angelo
Dia: 19/09/15 às 10h00
Local: Livraria Cortez – Rua Monte Alegre, 1074 – Perdizes – São Paulo – SP
Confirmação de presença AQUI>>




