A Federação Paulista de Futebol divulgou uma nota de repúdio após as ofensas racistas contra o goleiro da Portuguesa Santista, Winston Cristian dos Santos, durante a partida com São José, nesta quinta-feira, dia 20. Tom Cristian ouviu palavras racistas vindas da própria torcida da Briosa.
Os atletas e comissão técnica da Portuguesa Santista se recusaram a continuar o jogo e deixaram o campo. A partida foi paralisada e encerrada aos 76 minutos. Profissionais da FPF no local prestaram atendimento e acolhimento necessário ao atleta, segundo a organização.
“A FPF encaminhará o caso às autoridades competentes para que todas as providências sejam tomadas, e os indivíduos que cometeram o crime sejam identificados e punidos com o maior rigor da lei” traz a nota.
O caso também será encaminhado ao Tribunal de Justiça Desportiva, que avaliará todo o caso, ocorrido no estádio Urlico Mursa.
“A FPF reitera sua posição antirracista, corroborada pelo inédito Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância no futebol paulista, que dita procedimentos contra todo tipo de preconceito e intolerância no esporte”.
Também a Portuguesa Santista se pronunciou após o caso. “Os valores da Associação Atlética Portuguesa se traduzem em sua história. Uma história de luta contra todo tipo de preconceito, sobretudo o racial. A Briosa é o clube que enfrentou o Apartheid e, por isso, repudia o episódio de racismo relatado pelo goleiro Tom, que teria ocorrido na noite desta quinta-feira (20), na partida diante do São José, válida pelo Paulistão A2. Neste momento, a diretoria da Briosa está debruçada em identificar os envolvidos no episódio, para que sejam punidos em conformidade com a lei”.
O atleta divulgou uma nota nas redes sociais sobre o ocorrido:
“Próximo dos 30 minutos do segundo tempo da partida desta quinta-feira, 20 de fevereiro, pela décima primeira rodada do Campeonato Paulista da Série A-2, fui vítima de insultos raciais, de um crime, proferidos por membros que se dizem torcedores da Portuguesa Santista.
Não cabe repetir aqui o que ouvi dentro de campo para me desmerecer. Entendo que nenhum torcedor é obrigado a gostar de algum atleta. A pressão, a cobrança, tudo isso faz parte do futebol.
Mas até quando iremos viver casos deste tipo ? Até quando este tipo de crime será levado adiante? A poucos metros de Ulrico Mursa, o maior jogador de todos os tempos, o rei Pelé, um negro, fez a alegria de todos os brasileiros através deste esporte,
Temos de seguir na luta para que a cor da pele não seja motivo de inferiorização das pessoas, não só no esporte mas na sociedade em geral. As medidas cabíveis já estão sendo tomadas para que os culpados sejam punidos! Deus me proteja das pessoas ruins!”




